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    Odontopediatria


    Como realizar tratamento odontológico em pacientes autistas

    O ideal seria que o tratamento dentário das crianças autistas acontecesse desde o nascimento do primeiro dentinho para acostumá-las com o ambiente odontológico

    Escrito por Djana Oliveira no dia 23 de abril de 2021 - 08:00

     

    Djana Oliveira é odontopediatra e articulista do EM TEMPO
    Djana Oliveira é odontopediatra e articulista do EM TEMPO | Foto: Reprodução

    A Organização das Nações Unidas (ONU) criou, em 2008, o mês dedicado ao Transtorno do Espectro Autista (TEA), que é o abril azul, com a intenção de conscientizar as pessoas sobre o tema. As principais alterações nas crianças portadoras com TEA são:

    - Ausência ou baixa frequência de contato visual, sem interação espontânea com adultos ou outras crianças;

    - Ausência ou atraso do desenvolvimento de linguagem oral;

    - Comportamentos repetitivos ou estereotipados, é comum também interesse por temas ou brinquedos específicos.

    Mas, na realidade, sabe-se que os autistas não têm um padrão fixo. Essas alterações podem se manifestar em maior ou menor grau. O TEA costuma acometer mais meninos que meninas, com uma média de 4 meninos para 1 menina, e costuma ser mais grave nas meninas.

    Como deve ser consulta odontológica nas crianças portadoras da síndrome do autismo

    Devido à dificuldade de relacionamento das crianças portadoras de Autismo, geralmente a primeira consulta odontológica ocorrerá com 7 anos ou mais, restringindo-se à consulta de urgência, quando o paciente sente dor ou incômodo. Situação que, muitas vezes, exige que o tratamento seja feito em ambiente hospitalar, sob anestesia geral.

    O ideal seria que o tratamento dentário destas crianças acontecesse desde o nascimento do primeiro dentinho, como deve ser com qualquer criança, acostumando-os ao ambiente odontológico desde pequenos.

      Devido à dificuldade de relacionamento das crianças portadoras de Autismo, geralmente a primeira consulta odontológica ocorrerá com 7 anos ou mais, restringindo-se à consulta de urgência, quando o paciente sente dor ou incômodo  

    Assim, os tratamentos se tornariam mais simples e rápidos, sem a necessidade de anestesia geral, ou seja, a prevenção é o tratamento mais eficiente.

    Assim como muitas mães de autistas, a assistente social Rita de Cássia de Oliveira começou a notar um comportamento diferente do pequeno Hudson Eduardo que, com quase três anos, não falava muitas palavras, não chamava “mamãe” nem “papai”, não atendia pelo nome e sempre apontava com o dedo o que queria.

    O diagnóstico de autismo foi difícil, mas Rita não desanimou, procurou se informar mais fundo sobre o assunto, fez acompanhamento com vários profissionais, como fonoaudiólogo e psicólogo.

    Hudson Eduardo foi matriculado em escola regular para desenvolver a parte socioeducativa e Rita ainda fazia várias atividades em casa com brinquedos educativos e jogos lúdicos.

    Depois de um ano, Hudson já falava tudo. Aos quatro anos, fiz a primeira consulta odontológica preventiva em Hudson e, como odontopediatra, o acompanho desde então.

    O autista é um paciente especial, mas é possível atendê-lo no consultório sem anestesia geral, desde que o profissional tenha paciência e sempre mostre tudo que vai fazer antecipadamente para não surpreendê-lo, criando um vínculo de confiança. Assim, a consulta será agradável e nada traumática.

    Segundo Rita, hoje Hudson Eduardo, que tem quase 11 anos, fica super animado ao ir ao dentista e até já fez procedimento com anestesia para remoção de dentinhos de leite.

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