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    Artigo de Dom Leonardo Ulrich


    Sonho, acolhimento e serviço em prol da humanidade

    Vocação: a ação de ser chamado (vocare)! É que somos convocados ao ser pessoa, a ser filha, filho de Deus

    Escrito por Dom Leonardo Ulrich no dia 24 de abril de 2021 - 08:00

     

    Dom Leonardo Ulrich
    Dom Leonardo Ulrich | Foto: Reprodução

    Temos sonhos! Sonhamos dormindo; sonhamos no viver. Os sonhos que nos fazem e deixam viver. Eles nos motivam, nos animam, nos mantêm de pé. Sim, sonhos! Nutrir aspirações e expectativas que fortalecem nossa pessoa no caminhar. Necessário sonhar.

    O sentido da vida, o viver, está relacionado com nossos desejos mais íntimos e profundos. O que existe de mais nosso, aquele íntimo mais íntimo de nós mesmos, para recordar a Santo Agostinho? Se sondarmos nosso coração, perceberemos que sonho sonhado é expressão do amar. É o amor que dá sentido à vida, pois se tem a vida que se dá. A vida vem à sua verdade na doação; uma doação livre, generosa!

    Somos como pessoas chamadas à vida e no viver, chamados à plenitude da vida. Somos chamados ao amor! É o amor que nos chama à vida em plenitude!

    Chamados, vocacionados. Vocação: a ação de ser chamado (vocare)! É que somos convocados ao ser pessoa, a ser filha, filho de Deus.

    A Igreja lembra essa realidade chamativa ao oferecer o Dia Mundial de Oração pelas Vocações às comunidades católicas. Somos convidados a rezar por todas as vocações: ser pai, ser mãe, consagrada, consagrado, catequista, padre, diácono, ministro/a da Palavra, ministro/a da Eucaristia; cuidar dos pobres... No entanto, ao averiguarmos a convivialidade humana, percebemos muitas outras vocações. Mulheres e homens vocacionados a serviços que deixam a sociedade ser na sua harmonia.

    A desarmonia acontece quando as vocações-profissões deixam de ser realização do amor, para ser corrupção, proveito próprio, violência, degradação do humano. Assim, por exemplo, quando o político não se percebe vocacionado para a política que é o cuidado do bem comum, decai da sua dignidade vocacional, enredando por caminhos do interesse pessoal ou grupal. Deixa de estar a serviço da sociedade, do bem comum, da Casa Comum. Por exemplo, o padre, desviando-se da vocação, manifesta outros interesses que a comunidade de fé, o cuidado para com os necessitados, a sua fidelidade ao Evangelho.

    A dinâmica vocacional pede acolhimento! Perceber-se chamado e no chamado acolhido. Um acolhimento ativo que coloca à disposição as forças e as energias na realização da vocação recebida. Nada de ambição, mas caminho de ser pessoa, ser filho e filha de Deus. Como a jovem que tomada pela poesia, estuda, reflete, lê poetas, se aproxima sempre mais do acontecer do humano e da Casa Comum. No acolhimento da poesia percebe que nascem palavras e na qual é nascida.

    Uma vida, uma existência; caminho a ser percorrido. Torna-se serva da poesia. Como o jovem que se sente chamado a viver do Reino de Deus e sua justiça! Sente-se tocado pela fragilidade humana, pela misericórdia divina, diante da transformação da vida que o Reino oferece em Jesus. Buscar com generosidade e liberdade ser o servo, a serva do Reino e da justiça! 

    Assim, em cada vocação existe um toque sagrado, um encantamento que dá sentido à vida nas concentrações e dispersões, nas realizações e frustrações. É que a vocação, quando vocação, recolhe, refaz, fortifica, matura, pois serve. Acolher os sonhos, realizar sonhos servindo. 

    Dom Leonardo Ulrich