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    Opinião


    Como ocorrem as goleadas no futebol entre equipes de alto nível

    Conheça a opinião de Ricardo Onety

    Escrito por Ricardo Onety no dia 27 de abril de 2021 - 14:47

    Olá Boleiros!

     

    | Foto: Reprodução

    Venho lhes trazer uma ideia fruto de meu desconforto sobre as inúmeras justificativas dadas quando ocorrem goleadas entre equipes do mesmo patamar, pois não vislumbrei nenhuma resposta que me satisfizesse sobre este fenômeno que ocorre eventualmente.

    Não tenho a pretensão de criar uma tese ou finalizar o tema, pelo contrário, o que eu desejo é dar a partida, o sinal verde. Minha inquietação em desmistificar que as Goleadas não são obras do acaso, é de longa data, já tinha iniciado com colegas professores e alunos de curso de licenciatura em Educação Física, logo após o vexame do escrete canarinho pelo placar de Brasil 1 x 7 Alemanha (a maior goleada em semifinais), em pleno Mineirão na Copa do Mundo de 2014.

    Como explicar a derrota da equipe do Barcelona por 2 x 8 frente ao Bayern de Munique pelas quartas de finais da Champions League. E o que dizer da equipe do Flamengo que, sofreu goleadas mesmo tendo o melhor elenco da temporada? O que aconteceu com essas equipes?

    As justificativas dadas pela imprensa, cartolas e treinadores como: “nunca aconteceu isso”, “tudo tem uma primeira vez”, “seis minutos de apagão”, além de alguns adjetivos como nervosismo, favoritismo, foram usados para amenizar o fracasso momentâneo na tentativa de acalentar seus apaixonados torcedores. Porém não soa como uma resposta que, de fato, explica a discrepância de gols a favor de um time e/ou seleção em subjugar de forma humilhante seu adversário. Como e por que aconteceram estes resultados desastrosos?

     

    | Foto: Reprodução

    Quero lhes apresentar uma ideia que surgiu após uma palestra e um bate-papo com um professor, pós-doutorado pela Universidade de Hannover, na Alemanha.  Almoçávamos em um flutuante no rio Negro, em sua magnitude da cheia. Dentre tantos assuntos que nos aproximou o Futebol e Cerveja tiveram destaque (descobri que o professor é Mestre Cervejeiro, papo para outro dia). Entre goles, o professor falou: você conhece e já estudou os Movimentos Ritmados do Futebol?

    Apresento aos leitores, então, com base na corrente filosófica desse grande educador, em linhas rasas, o significado de movimentos ritmados e, assim, a sua pertinência com o tema. Na maioria das vezes o ritmo confunde-se com os movimentos com acompanhamento musical, relacionado e ligado à Dança e Música, nada mais.

    Esquecemos que o ritmo, também, está intrínseco em tudo na nossa vida e é inerente aos seres humanos e a própria natureza. Exemplifico: quando acontece um fenômeno natural abrupto que rompe com a cadência rítmica das águas (enchentes, furacões, tsunamis etc.), as consequências são devastadoras. E no corpo humano? Fácil de observar as batidas ritmadas do coração, quando alteradas podem gerar uma arritmia. E o som da respiração? Suave, média, forte possui uma variante frente as ações que são exigidas.

    Os Movimentos Ritmados e o Futebol: Este é o ponto que quero chamar sua atenção “as diferentes habilidades técnicas dos esportes, quase sempre, obedecem a uma ordem rítmica (significa: economia de tempo e espaço), pela simples sequência ordenada que os gestos devem ser executados”.

    Ora se o gesto foi bem executado, a tarefa motora obteve eficiência, eficácia e economia de tempo e espaço, além de harmonia e beleza. É fácil de perceber esta ordem rítmica no futebol, os deslocamentos das equipes em campo, o Tiki-Tak do Barcelona, a condução em velocidade com as bolas nos pés de Messi, os dribles sensacionais de Neymar, os lançamentos de longa distância de Boateng, o domínio e controle de bola do craque Arascaeta, a finalização de Cristiano Ronaldo e, as saídas com os pés e defesas do goleiro Manuel Neuer.

    Já o contrário não, ou seja, gestos desordenadamente executados não trazem economia de tempo e espaço. Os deslocamentos confusos, a tentativa sempre tardia de desarmar os adversários, os passes, lançamentos e finalizações erradas. Além de serem esteticamente feios, são motivos de alguma zoação (Mustela Putorius Furo).           

    Caros amigos se o ritmo está implícito nos esportes, está também na tática do jogo, logo, quando não o encontramos, não cumprimos o esquema tático proposto (função de cada um durante o jogo), e pode acontecer uma tragédia como a que ocorreu na copa contra a Alemanha.

    O esquema tático frequentemente é exercido sob um conjunto de movimentos ritmados, pois a própria totalidade tática, no desenvolvimento de um jogo, se desenvolve ritmicamente*. A ótima sincronização com o ritmo individual e coletivo de jogo facilitaria a recepção de passe, execução, deslocamento, marcação, drible, finalização melhorando a performance. O que aconteceu com os jogadores da seleção? Qual jogador da seleção brasileira estava sincronizado com seu ritmo individual?

    A tragédia pode ser explicada porque, do ponto de vista “teórico”, as equipes eram muito iguais e, ocorreu a quebra do ritmo da equipe perdedora, tanto no plano individual como coletivo*. Quando a quebra de ritmo individual acontece, ela refletirá também na quebra de ritmo coletivo desmoronando tudo.

    Acredito que quando essa quebra de ritmo individual é numericamente alta, o caos se instala. Neste jogo contra a Alemanha todos os 14 jogadores atuaram e não encontraram seu ritmo individual durante os 90 minutos, agiram em dissintonia e desarmonia. Esta quebra ocasiona goleadas que eventualmente ocorrem entre equipes do mesmo nível.

    Cabe agora a comissão técnica realizar uma análise a fundo desta quebra de ritmo e, através dela, chegar às razões que a causaram e, assim, aos motivos de fracasso e, em consequência, proceder a novas tomadas de decisões a partir de planejamento e treinamentos que possam evitar nova falha, ou seja, nova quebra inesperada do ritmo do jogo*. Concluo com a saideira agradecendo e brindando com o Mestre KUNZ*.  

    Não perca seu ritmo! 

    Sobre o autor:

     

    | Foto: Reprodução

    Ricardo Tadeu da Silva Onety possui 55 anos é professor da Secretaria de Estado - SEDUC /Am, atuando há mais de 12 anos no ensino Superior. Ele possui pós-graduação em Fisiologia do Exercício Avançada; Musculação e Personal Trainer, Formação Empreendedora e Gestão de Carreira e possui participação em diversos eventos científicos regional, nacional e Internacional.

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