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    Esporte


    Espaços onde brinquei em Manaus: amigos e memórias

    Lugares que vão muito além de um espaço físico, um ponto de encontro.

    Escrito por Ricardo Onety no dia 18 de maio de 2021 - 08:00

     

    Estes lugares vão muito além de um espaço físico, um ponto de encontro. Eles são fundamentais para que as pessoas se aproximem livremente uma das outras
    Estes lugares vão muito além de um espaço físico, um ponto de encontro. Eles são fundamentais para que as pessoas se aproximem livremente uma das outras | Foto: Divulgação

    Olá, esportistas!

    Hoje nossa proposta será diferente, vocês perceberão que esse texto foi escrito por várias mãos. Busquei, através de bate-papo com amigos, identificar lugares de convivência considerados inesquecíveis em suas vidas marcados por brincadeiras e pelo esporte.

    São pinceladas de uma época onde o brincar e o lazer eram quase sagrados. Agradeço a todos que participaram, pela generosidade em dividirem conosco suas recordações e memórias afetivas que marcaram época. São quatro relatos ricos em detalhes.

    Inicio o bate-papo com o amigo Bosco Spener. Falamos sobre um espaço que foi berço da formação esportiva, cultural e educacional em nossa cidade: o 27º BC (Batalhão de Caçadores e/ou Praça General Osório), hoje campo de futebol do CMM (Colégio Militar de Manaus).   

     

    | Foto: Divulgação

    Disse o Bosco que seu primeiro contato com essa praça esportiva foi através da pista de atletismo onde treinava. Ali havia jogos do campeonato amazonense de Futebol, Festival Folclórico e as animadas Festas Juninas.

    Com a chegada do Cel. Jorge Teixeira, fundador do CMM, disse que a relação se tornou mais próxima, pois fora convidado para uma partida de voleibol. Formou, então, sua dupla: Bosco Espener e Mark Clark versus Cel. Teixeira e Major Novais. Ele conta que teve que aceitar várias revanches até cansar, porque o Teixeirão não desistia...

    Também conversei com Vicente, apaixonado por futebol, que não perdia um jogo no Parque Amazonense, localizado no Beco do Macedo, outrora Bairro do Mocó, o qual me trouxe uma curiosidade:  “Onety, você sabia que lá funcionou por alguns anos um hipódromo (local de corrida de cavalos) ?”

      O Parque Amazonense era muito aconchegante durante os jogos. Vicente diz que saboreava o “Disco Voador”, sanduíche de carne cortada miúda, com batata e molho - “era uma delícia”. Relata que nele assistiu vários jogos de sua Rodoviária, que fez o último jogo no “Parque” contra a Rio Negro (se não me falha a memória). O Parque foi hipódromo, campo de futebol, uma verdadeira arena multiuso. Era casa cheia, que saudades...  

    Outro amigo, Márcio, entrou nesse bate papo direto do Canadá: “Falar de espaços em que brinquei em Manaus, para mim, é obrigatoriamente citar o Balneário do Muruama, lá vivi minha infância e adolescência aos sábados e domingos”. Conta que curtia muito banho de igarapé com o irmão Mauro e o pai Mauricio Antonhy, brincava de manja e jogava muito futebol. Comenta que, brincando no Muruama, desenvolveu muitas habilidades dos fundamentos do futebol.  

     

    | Foto: Divulgação

    Márcio narra que ficava observando os adultos jogarem no campo grande. “Lembro dos senhores Flávio e Cláudio Fligliolo, os irmãos Rui e Mauricio Lapa, Omarzinho, Azevedo, Padeirinho, Casemiro, Antônio Piola, Ézio Ferreira e seus cunhados (Os Bonfim)”. Ressalta “quando jogavam saia faísca!”. De repente cresci e tive o prazer de jogar ao lado de meu pai e de meu irmão, como dizia Cazuza, o tempo não para! Essas recordações são inesquecíveis...

    Raimundo, um mano querido, também conta suas memórias de infância entre linhas, cerol e rabiolas. “Empinar papagaio! Essa era a brincadeira mais democrática”. Comenta que qualquer menino fazia seus próprios papagaios, o que os deixavam com suas marcas únicas.

      Relata a diversão que começava com a busca da matéria-prima, produção de cerol, preparo e formatação do papagaio com bela rabiola que começava na sexta-feira. Saía para buscar tala de buritizeiro, tão comum à época, a qual era fundamental para o “Esqueleto”.  

    Conta uma preocupação comum a todos: “quando não tinha vento, o que fazer? ” E lembra da galera chamando o vento com um típico assovio: “só quem brincou sabe o que estou dizendo”. Onde praticava? Nos mais diversos locais: Av. 7 de setembro até a Ponte dos Ingleses, Major Gabriel, Buraco do Pinto, Praça 14 de Janeiro, Eldorado, Vieiralves etc. Até em canoa, no igarapé da Sete, junto a outro amigo (um remava, outro empinava).

    Sobre empinar pipa nos dias de hoje, opina: “a brincadeira está quase toda mecanizada”, explicando que as hastes são de material sintético, a linha já vem pronta, os formatos do papagaio são diferentes e a disputa é esquisita, comenta, um ao lado do outro, não descaem suas maçarocas para “trançar longe”, não capricham na “arte de embelezar o seu brinquedo”. Mas admite que, apesar das diferenças, ainda para o carro quando percebe que haverá a “trança’.

      Espero que estas linhas traçadas tenham contribuído para resgatar a criança e o estado lúdico guardado dentro de cada um de nós e tenham ressaltado a importância que devemos dar as áreas de lazer em nossa cidade para exercitarmos momentos únicos de convívio social entre amigos e familiares.  

    Estes lugares vão muito além de um espaço físico, um ponto de encontro. Eles são fundamentais para que as pessoas se aproximem livremente uma das outras e satisfaçam a necessidade humana de viver em grupo, em comunidade.

    Afinal, é muito chato brincar sozinho!

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