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    Artigo de Opinião


    Jogos Paralímpicos de Verão 2020

    Leia o artigo de Opinião de Ricardo Onety

    Escrito por Em Tempo* no dia 22 de junho de 2021 - 11:45

     

    | Foto: Reprodução

    Há poucos dias de grandes eventos esportivos a nível mundial, todos torcem para que tudo ocorra bem nos Jogos Olímpicos e Paralímpicos de Tóquio, eventos que deixam sua marca pela superação e esforço dos participantes, assim como pela transformação destes em superatletas, que nos presenteiam com suas inacreditáveis performances.

    Hoje, nestas linhas, ressalto os Jogos Paralímpicos de Tóquio, que tem em seu Slogan “Positive Switch – Mudança Positiva”. Tudo começou com a iniciativa do médico alemão e neurologista, Dr. Ludwing Guttmann, que propôs um plano de reabilitação de soldados que serviram na segunda Guerra Mundial, muitos sofreram sequelas ou débito em sua capacidade funcional. Era chefe do Centro Nacional de Traumatismos, em Stoke Mandeville, Inglaterra. Sendo considerado o percursor.

    A ideia inicial dos Jogos Paralímpicos é contribuir na reabilitação, socialização e inclusão de pessoas com deficiência de todo mundo, objetivando recuperar integralmente o ser humano através do esporte. Em 1960 na cidade de Roma na Itália tem-se o primeiro momento oficial com a participação de alguns países que disputaram poucas modalidades (tiro com Arcos, atletismo, Tiro de Dardo, Sinuca, Natação, Tênis de Mesa, Esgrima e Basquetebol em cadeira de rodas), hoje são 22 modalidades em disputa.

     

    Os atletas são exemplos de superação
    Os atletas são exemplos de superação | Foto: Reprodução

    O Brasil participou pela primeira vez em 1972 e não obteve nenhuma medalha, atualmente, comemora-se sua trajetória de sucesso e é uma referência mundial, figurando entre os maiores medalhistas. Nos Jogos Rio 2016 ficou na 8º posição no quadro geral, considerado um ótimo resultado. São benefícios intangíveis de mensurar na vida destes atletas e da sociedade em geral.

    Na construção deste texto busquei informações locais que sustentasse a ideia e sua importância para os praticantes. Encontrei a Federação de Esportes Paralímpicos do Amazonas (FEPAM), na pessoa do professor Getúlio Filho que abriu as portas e me apresentou as modalidades: O Atletismo, Basquete e Halterofilismo paraolímpico. Conversei com essa turma incrível, que nos contaram ricas histórias, que vão além da participação em treinos e jogos.

    O professor Getúlio também é técnico da equipe de halterofilismo e, há mais de 15 anos, trabalha o desporto paraolímpico, desde sua graduação na faculdade.

    Diz Getúlio: “A diferença desta modalidade para os jogos Olímpicos é a maneira de executar o movimento do supino, realizando uma flexão e extensão deitados em um banco”. São 10 categorias e são classificados: amputados, lesionados (debilidades motoras em membros inferiores e paralisados medulares). Tenho um sonho: Levar um atleta (chumbado) treinado por mim a uma Paralímpiada.

      Apresento a vocês o atleta Dernival Souza que nos fala como chegou neste esporte: “Em 2007 tive um grave problema de saúde e chequei ao hospital enfartando, por estar acima do peso. O médico após estabilizar me disse que precisaria emagrecer e praticar esporte, caso contrário as consequências seriam graves”, ou você muda ou morre!  

    Nos conta Dernival:

    "Eu era muito gordo e busquei as mudanças sugeridas pelo médico. Fui até a Vila Olímpica de Manaus e conheci o Professor Joaquim que me apresentou o esporte aquático, a natação. Passei a treinar e após alguns meses perdi quase 30 Kg! O professor percebeu que eu tinha potencial e me instigou “ Estou indo a uma competição nacional vamos? Só depende de ti!” Me dediquei e consegui três medalhas de ouro. Com o avançar da idade o professor sugeriu que mudasse de modalidade apresentando o Atletismo, não hesitei. Treinei ainda mais e a minha maior alegria foi competir no Open em São Paulo, com a participação de 24 países, obtive a medalha de bronze no arremesso de peso. Foi algo inesquecível!  Hoje estou classificado em 2º lugar no ranking da etapa nacional, no arremesso de peso e disco.

    Sou movido por desafios e novamente aceitei o convite e migrei para a modalidade de supino. Treino até hoje 05 a 06 vezes por semana e após alguns anos obtive novo resultado, sendo campeão brasileiro no supino para cego, consegui levantar 152,5 kg.  Sendo 1º do ranking na etapa nacional. Devo tudo ao esporte e agradeço à DEUS por ter me dado a oportunidade de mudar de vida. Este é meu melhor resultado"

    Outro entrevistado é o meu amigo de longa data o Professor Rildo Leão, com um arremesso de três pontos diz:

    “Era atleta de basquete e fui convidado a atuar pela equipe do CVI (equipe de basquete aqui em Manaus), os resultaram foram positivos e conseguimos bons resultados, sendo campeão Norte e Nordeste. Já se vão mais de 15 anos de dedicação e paixão. Meu primeiro incentivador foi meu pai, apaixonado por esportes e mais tarde o professor Walcimar, conhecido como aranha que me deu toda a base do basquete, meus agradecimentos”.

    O professor Rildo enfatiza:

    "A maioria das pessoas não imaginam que no basquete em cadeira de rodas as dimensões da quadra, a altura da cesta e o tempo da partida são iguais aos da competição oficial, como a Olimpíadas. As dificuldades de jogar basquete sentado é só mais um dos obstáculos que essa turma enfrenta dia-a-dia! Aqui nós treinamos 03 vezes por semana, aproximadamente 02 horas por dia, vale ressaltar que esses atletas passam muito tempo no deslocamento até o ginásio, dou um pequeno exemplo: treino marcado para as 13:00 o cadeirante sai de sua casa por volta das 10:00 da manhã. Apesar das dificuldades que o esporte Paralímpico enfrenta, como o alto custo das cadeiras de basquetebol, que tem seu preço inicial em torno de R$6.000,00 e os materiais esportivo para sua prática, ainda alimenta um sonho: Que possamos ter um Centro Paralímpico completo, que atenda todas as modalidades"

    Finaliza dizendo: “ O esporte paraolímpico é fonte de inspiração e exemplo, pois apesar de enfrentar todas as dificuldades de acessibilidade diárias, chegam aos treinos com um largo sorriso no rosto e muito alto astral”. São belos exemplos e modo de encarar e superar os desafios do cotidiano, sempre com alegria e muito bom humor nos treinos. Aqui não se pode murmurar!   

    Gostaria de encerrar dizendo que através destes esportes, há também muito conhecimento cientifico na prática, no mundo real, apresentando os diferentes elementos que fazem parte de suas vidas.

    Por fim que o exemplo de superação, maneira de encarar a vida, força de vontade e competição destes atletas que competirão nos Jogos Paralímpicos de Tóquio possa invadir os lares e instalem nos corações da sociedade o lema dos jogos: Mudança Positiva! Nós podemos!

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