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    Esporte


    Eurocopa versus Copa América

    Na final duas seleções tradicionalíssimas se enfrentaram, a disputa extrapolou os gramados, chegando também à “moda”

    Escrito por Ricardo Onety no dia 13 de julho de 2021 - 08:00

     

    Apesar de sermos um celeiro de craques saem do Brasil muito novos, ficando por aqui os jogadores medianos, que acrescentam muito pouco e tem a difícil missão de substituí-los
    Apesar de sermos um celeiro de craques saem do Brasil muito novos, ficando por aqui os jogadores medianos, que acrescentam muito pouco e tem a difícil missão de substituí-los | Foto: Divulgação


    Na final da Eurocopa, deu Armani. Na Copa América dançamos um Tango de Gardel! O futebol é um esporte tradicional, apaixonante e algumas vezes elegante. O campeonato europeu de seleções de futebol terminou neste domingo e já deixou muitas saudades aos amantes do futebol moderno, técnico e tático, além de intensidade até os segundos finais! Muitos jogos emocionantes nesta EURO 2021. Na final duas seleções tradicionalíssimas se enfrentaram, a disputa extrapolou os gramados, chegando também à “moda”.

      Os ingleses inventores do Futebol “vestem Burberry, os Italianos Armani”. Deu Armani! A seleção da Itália ganhou em todos os quesitos! Saindo das terras de nossos colonizadores, cruzamos o atlântico e atracamos na Ilha de Vera Cruz, onde neste sábado (11) aconteceu a final da Copa América 2021. Ao contrário da Euro, não vi grandes novidades, nem entusiasmo. A competição Sul-americana chegou ao Brasil, após desistência da Argentina e Colômbia devido a diversos fatores, além da Pandemia.  


    A final entre o Samba Brasileiro x Tango Argentino, deu tango! Com belo gol de Di Maria, a Argentina levantou um troféu após 28 anos. E o Craque Lionel Messi finalmente ganhou um título pela seleção Argentina. Ele merece! Nosso futebol foi colocado novamente em cheque nesta final, e mais uma vez fracassamos em casa. O que está acontecendo com a nossa seleção?  Muitos ainda acreditam que ainda temos o melhor futebol do mundo, pois, somos um polo exportador de talentos, será verdade? E a disparidade tática e técnica entre as seleções Europeias e Sul-americanas, observada por todos é um indicativo de que tão cedo não seremos protagonistas no futebol mundial?

    Em recente estudo feito pelo Centro Internacional de Estudos Esportivos (CIES) na Suíça, e vinculado a FIFA, que divulga anualmente o número de jogadores que atuam fora dos seus países, divulgou os seguintes resultados: apontou que 1.600 jogadores Brasileiros atuaram no exterior em 2019, colocando-o em primeiro lugar, Argentina em terceiro com 972 e Colômbia em oitavo com 467. Isso nos leva a fazer várias leituras e, que pode nos indicar um caminho nesta estrada tortuosa que se chama futebol. No continente europeu também não é diferente, exporta seus jogadores, a França com 1.022 em segundo, a Inglaterra com 559 em quinto, a Alemanha com 480 em sétimo e Croácia com 446, em nono lugar, completam a lista dos 10 países com mais jogadores atuando longe de seu país.

    A primeira tese de que “exportar jogadores” seria um indicativo positivo ou negativo? Eurocopa nos mostrou que este fator não é determinante, vários países também exportam muitos jogadores e seus campeonatos e seleções há bastante tempo são os melhores do mundo. A última equipe sul-americana que ganhou a copa do mundo de futebol foi a seleção Brasileira, em 2002. As equipes europeias ganharam as últimas edições, Itália 2006, Espanha 2010, Alemanha 2014 e França 2018. O que está acontecendo com as equipes sul-americanas e em especial o Brasil?   E por aqui? “ será o elevado número dos melhores jogadores brasileiros que nos deixam, está influenciando negativamente na qualidade técnica de nossas equipes, deixando o futebol brasileiro em baixo nível? ”

    Apesar de sermos um celeiro de craques saem do Brasil muito novos, ficando por aqui os jogadores medianos, que acrescentam muito pouco e tem a difícil missão de substituí-los. O nível de nossos campeonatos estaduais e brasileiro, nunca estiveram tão baixo. (Será a Pandemia e os estádios vazios?) A última equipe que apresentou algo novo, foi a do Flamengo em 2019, era muito bonito assistir a dinâmica daquela equipe, nos enchia de esperança e que estava servindo de parâmetro para sairmos da mesmice e jogar o “esporte futebol, parecido com o praticado pelos europeus” (quem diria?).

      Organizado, determinado, perfeito equilíbrio entre as transições de jogadas desde a defesa até o ataque, além de alta intensidade durante toda partida (lembram o que aconteceu na final da Copa Libertadores?). Era treinado por um Europeu, Jorge Jesus trouxe novos métodos de treinamento, postura em campo e filosofia vencedora. Uma pena que durou tão pouco tempo!  


    Outro aspecto que me intriga ainda mais é como a seleção brasileira e seus jogadores estão tão distantes e abaixo técnica e taticamente dos europeus, como pode? Esses mesmos jogadores atuam nos melhores clubes do mundo, com os melhores jogadores do mundo e são treinados pela melhor comissão técnica e ao se reunirem para defender a seleção canarinho, chegam a ser medíocres perante aos europeus e sofrem para ganhar das equipes sul-americanas. É enfadonho assistir os jogos da seleção brasileira!  

    Fui buscar ajuda com o craque Tostão para clarear a discussão. Além de sua categoria com a perna esquerda, é craque também na arte escrita, em uma de suas crônicas disse: “Na minha época, não havia jogadas ensaiadas, estatísticas, análise técnica individual e coletiva, nutrição especial, exame de lactato para medir a função muscular, psicólogo nem pensar, computadores etc. Coutinho e Parreira foram os percussores do futebol cientifico, e muito devemos a eles. Esse suporte é essencial para o atleta, mas não pode anular a sua qualidade técnica nem seu talento.

    Passamos uma longa fase seduzidos por computadores e estatísticas, esquecemos de jogar futebol, e houve uma piora excessiva na qualidade do nosso esporte. A euforia passou, e voltamos a nos deslumbrar com o passe de curva, o drible, a improvisação, a molecagem no bom sentido, isso é que faz a diferença do nosso futebol”. (TOSTÃO, 1997) Essa fala do craque é atualíssima, a primeira parte retrata para mim o atual estágio que se encontra o futebol brasileiro, já o último parágrafo resume o que foi a Euro 2021. Que bela mudança as seleções europeias nos apresentaram, como evoluíram.  

    Que lições a Eurocopa nos deixou?


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