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    Artigo de Opinião


    Skate- Modalidade ensina a competir com leveza, sorriso e liberdade

    O skate que por muito tempo não era considerado esporte, no Brasil chegou a ser proibido em 1988 no município de São Paulo

    Escrito por Ricardo Onety no dia 28 de julho de 2021 - 16:13

     

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    Leia o artigo | Foto: Reprodução

    O esporte é uma das manifestações culturais e sociais mais importante da humanidade, e isso lhe dá status grandioso perante a sociedade! É por meio do esporte e de sua prática regular, que as crianças desenvolvem competências, capacidades e habilidades, associadas às dimensões afetivas, cognitivas, sociais, psicomotoras, e internalizam valores.

    Ao praticá-lo deixará de pensar apenas em si mesmo, conhecerá a importância do outro e terá oportunidades de aprender a dividir tarefas de modo a encontrar soluções para todo tipo de situação, inclusive as derrotas. Vai descobrir o quanto vale a amizade, a parceria e a colaboração, ao internalizar esses valores, se tornará uma pessoa mais justa e equilibrada.

      Os jogos Olímpicos de Tóquio 2020 começaram com tudo e possuem 50 modalidades esportivas, ratificando a importância do esporte no desenvolvimento humano e a comunidade skatista está em festa, finalmente o skate virou esporte Olímpico!  

    Sendo uma das cincos modalidades estreantes nas Olímpiadas de Tóquio 2020, o skate superou todas as expectativas e conseguiu encantar com sua característica e valores semelhantes ao do olimpismo: se apresentou ao mundo com prazer, leveza, técnica, quedas, solidariedade, fair play, amizade, sorrisos e liberdade. Promete ser a sensação desta olímpiada e o tão sonhado rejuvenescimento que o espirito olímpico almejava.

     

    | Foto: Wander Roberto/COB

    O skate que por muito tempo não era considerado esporte, no Brasil chegou a ser proibido em 1988 no município de São Paulo, pelo prefeito Jânio Quadros em diário oficial após manifestação de skatistas, publicando o decreto que dizia “Skate nas ruas vai dar detenção” – tomariam a lição que o pai não lhes deu todos aqueles que praticassem esse “esporte” no leito das ruas e nos logradouros públicos. Os “papais” ficam cientificados. Jânio não queria vê-los no Parque Ibirapuera perto da prefeitura que funcionava à época no parque, um arroubo de mais um autoritário!

    Perderíamos a nova forma de praticar a modalidade, o street skate, ou skate de rua, que era uma maneira de dar um rolé a perambular pelas cidades, e principalmente em praças. Onde tivesse corrimão, bancos ou escada, lá tinha um skatista e quem sabe várias “fadinhas”?

     

    | Foto: Julio Detefon- CBSK

      O skate traz consigo uma gama de valências e desafios psicomotores, como: equilíbrio frente a gravidade, agilidade, noção de espaço corporal, coordenação motora ampla, além de ação livre e voluntária, sem exigência de padrões, fugindo de estereótipos ou cobranças com único padrão. A consciência corporal é enfatizada!  


    O skate literalmente conseguiu a manobra mais insana, o Fakie to Fakie 900 (simples na teoria e quase impossível na prática), aproveitou o maior evento esportivo mundial e fez bonito. Acredito que conseguiu a maioridade e passou com folga ao fazer bela manobra, um “backside perfeito”, garantindo sua permanência nas próximas olimpíadas. A luta e o reconhecimento finalmente chegaram ao Monte Olimpo. 

    E foi muito além! Mostrou enorme diferença entre outras modalidades, a cada obstáculo ultrapassado ou não, todos os competidores vibravam, incentivavam, uns aos outros, como se fosse uma única e grande família. Surpreenderam e foram longe! Mesmo com muitas quedas (faz parte do jogo), se punham de pé com um largo sorriso estampado e mostrou para todos “que podemos competir uns com ou outros, e não somente contra o outro”, nos ensinando que podemos e devemos ser felizes ao competir, afinal o “percurso é o que importa”.

    Os competidores brasileiros eram os favoritos ao ouro, mas as medalhas de prata no masculino com Kelvin e Rayssa no feminino, nos deixaram orgulhosos, precisávamos disso e esquecemos por algumas horas os problemas. Suas manobras executadas e inéditas, entrarão para a eternidade e, seus feitos encravados no templo sagrado do Panteão (dedicado aos deuses).

    Kelvin com um sorriso contido e Rayssa (a nossa “Fadinha” que apareceu com asas na escola após desfile de 07 de setembro e sair para dar uns rolés, em Imperatriz, cidade situada a 626 km de São Luís), cantando e dançando antes da última manobra que levou a medalha de prata, são belos exemplos de superação e resiliência. E nos ensinaram que até nos momentos mais difíceis, podemos sorrir. 

    Eu fico muito feliz que o skate consiga transformar! (Rayssa Leal, 13 anos, medalhista brasileira mais jovem – 26/07/2021)

    Tudo começou com uma brincadeira...    

    *Artigo de Opinião de Ricardo Onety 

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