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    ARTIGO


    Separação e solidão

    "A separação evidencia o enfrentamento do que muitas vezes ficou escondido, o medo de olhar para dentro de si mesmo com coragem e objetividade, e o temor da solidão surge frequentemente desta razão, qual seja, o medo de ficar só consigo mesmo". Leia mais no artigo do psicólogo José Trintin

    Escrito por JOSÉ TRINTIN no dia 10 de setembro de 2021 - 20:01
    | Foto: Divulgação

    Uma relação entre casais inicia, invariavelmente, com as melhores perspectivas, e não faltam casos de casamentos de sucesso, respeito, alegria e felicidade, todavia em muitos casos, o relacionamento, pelas mais variadas causas, pode ser acometido de um viés de infelicidade e instabilidade conjugal.

    A manutenção de uma aliança matrimonial infeliz leva a um grande prejuízo mental ou emocional à família como um todo, também, observando-se que, entre as causas que dificultam a tomada de decisão de rompimento, encontram-se o medo, a falta de coragem, o impacto financeiro, a vergonha perante família e sociedade, medo da solidão entre outros.

    Quando, enfim, diante da impossibilidade de manutenção de uma união com desajuste de convivência, de infelicidade, fruto de uma decisão unilateral ou não, advém a separação do casal estabelecendo um quadro de dor da perda amorosa onde quanto maior o elo maior a dor sentida na separação.

    A separação evidencia o enfrentamento do que muitas vezes ficou escondido, o medo de olhar para dentro de si mesmo com coragem e objetividade, e o temor da solidão surge frequentemente desta razão, qual seja, o medo de ficar só consigo mesmo.

    Esta etapa inicial e com certeza bastante dolorosa deve ser conduzida com extrema atenção, autocontrole, autoestima e muitas vezes com apoio psicológico para não impactar negativamente na vida pessoal, profissional e familiar, entendendo que na experiência da vida sempre há possibilidade de perda do que amamos e o que se apresenta no processo de separação é a vivência do luto, o tempo da perda, a experiência da solidão.

    Não há dúvidas de que a dor da separação seja real, porém subjetiva variando muito de pessoa para pessoa, de relação para relação, entretanto, não pairam questionamentos de que este sofrimento passa e saber lidar com esta situação se torna crucial para o avanço das etapas do luto da separação conjugal.

    Para facilitarmos o processo de ressignificação há necessidade do conhecimento de todas as fases do luto, podendo elencar aqui a divisão em cinco etapas, quais sejam a Negação, a Raiva, a Fase da Barganha, a Depressão e finalmente a Aceitação fase libertadora onde a vida começa a retomar a normalidade, o novo tempo se apresenta com nitidez e permite a visualização de perspectivas positivas da vida. Quando, enfim, a autoestima é retomada e, consequentemente, a possibilidade de dar sentido e propósito existencial torna-se uma realidade fática.

    Após, portanto, a passagem bem estruturada por todo o ciclo de enfrentamento acima apresentado, observando-se evidentemente o aspecto subjetivo de cada pessoa, considerando tempos cronológicos diferenciados, evidencia-se uma vida reformulada pela resiliência, pelo amor próprio, pela empatia e perdão onde reais possibilidades de recomeço e de uma vida afetiva de felicidade plena se apresentam.

    José Trintin, psicólogo

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