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    Artigo de Opinião


    Noticiar o bem faz bem

    Quem não presenciou ou ouviu histórias maravilhosas de solidariedade, fraternidade e compaixão?

    Escrito por Em Tempo* no dia 20 de setembro de 2021 - 15:50

     

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    Leia o artigo | Foto: Divulgação

    Amigos leitores,

    O mundo contemporâneo digital nos traz notícias ruins que chegam aos milhares, as boas também, mas essas aparentemente passam quase despercebidas, sequer temos tempo para desfrutá-las, saboreá-las ou experimentá-las. São exprimidas frente a repercussão maior que as notícias ruins provocam nas pessoas, na sociedade. Será que deixamos de nos indignar ou nos acostumamos com elas?   

    Neste mundo líquido onde as relações estão cada vez mais frágeis e menos duradouras, centrada na fluidez, intermediada pelos aparelhos eletrônicos e internet. Está turvando nossos olhares e, não conseguimos perceber o que está acontecendo ao nosso redor!

    Venho propor que façamos o seguinte exercício: por um período de tempo centrar nossas energias em noticiar o bem e as boas ações! Lhe soa estranho está proposta? Você acha que devemos tornar público os bons exemplo e as boas ações? É errado divulgar nossas boas ações?  

    Quem não presenciou ou ouviu histórias maravilhosas de solidariedade, fraternidade, compaixão ou outros sentimentos lindos na tentativa de ajudar o próximo, não somente nas grandes tragédias, mas, no cotidiano.

    São histórias que a meu ver deveriam sim ser mais divulgadas e propagadas, talvez não as nossas, mas a dos outros, para que esta semente do bem seja transmitida também na mesma proporção e fluidez da banda larga!

      Pesquisei, vi, ouvi e lembrei algumas belas ações que transcrevo com esse sentimento que passo a chamá-lo de “A promoção digital do bem” e, quiçá outros achem interessante está proposta e passem a descrevê-las, contá-las e divulgá-las. Quem sabe um dia as notícias boas aumentem e sobressaiam mais que as ruins.  

    Começo apresentando a iniciativa do clube paulista Palmeiras, que após saber que um torcedor mirim, com síndrome do espectro autista, cego, era apaixonado pelo clube, em bela iniciativa buscou parceiros e doou um sistema moderno que transforma imagem em áudio. Foi o melhor presente de que o Nickollas ganhou disse sua mãe.  

    Há alguns anos, nas “olimpíadas especiais de Seattle” (USA), nove participantes, todos com deficiência intelectual deram a largada para corrida de 100metros rasos, um dos garotos tropeçou e começou a chorar. Os outros ao ouvirem seu choro, diminuíram o passo, olharam para trás e voltaram. Uma das meninas com síndrome de Down ajoelhou e deu um beijo, pronto agora vai passar. Todos deram os braços e caminharam juntos até a linha de chegada.  

    O fair play não é uma regra, mas está implícito na conduta ética nos esportes. Nos enchem de esperança quando esse espírito esportivo atinge os gramados, as quadras, as pistas. Descrevo alguns belos momentos: O extraordinário zagueiro Puyol, ex-jogador do Barcelona que foi agredido por um adversário no rosto, não permitiu que seus colegas revidassem para que a confusão não tomasse proporções maiores. Aqui no brasil quem não lembra da atitude do zagueiro Rodrigo Caio, no clássico São Paulo X Corinthians após cartão para o atacante Jô, o zagueiro Rodrigo Caio foi até o juiz e disse que ele se chocou com o próprio goleiro e não o atacante adversário. O árbitro cancelou o segundo cartão amarelo e a possível expulsão que traria benefício para o São Paulo, fato que não ocorreu.

     

    | Foto: Reprodução


    Apesar do trânsito caótico que enfrentamos, não é raro ver belas ações. Pessoas empurrando o carro de outros, alguns cedendo seu braço para um deficiente atravessar a rua. Também presenciei a seguinte situação: um motoqueiro parou a sua moto e repentinamente tirou o capacete e tenta limpar algo nos olhos, um sr. que passava perguntou o que tinha acontecido, o motoqueiro disse “um inseto entrou no meu olho”, imediatamente o sr. pôs-se a ajudá-lo, ambos seguiram seus caminhos aliviados.

    O incêndio em uma peixaria, promoveu ação de solidariedade em grupos de vizinhos amigos e clientes. Puseram-se a ajudar na construção deste espaço tradicional gastronômico e em pouco tempo com ajuda de todos voltou a funcionar e gerar emprego e renda. Uma doação em particular me chamou a atenção, após receber sua “semanada” este sujeito doou integralmente seu salário para a reconstrução deste espaço.

      As ações de solidariedade ao longo desta pandemia são surpreendentes, mostrando como a generosidade e o cuidar do outro é importante e faz um bem enorme para si mesmo. Um dos maiores craques que vi atuar chama-se Papa Francisco, não com uma bola aos seus pés, mas com os simples gestos e atitudes praticadas por ele, nos brindou com mais uma pérola:  

    - “... Os exemplos de solidariedade que costumam ficar mais conhecidos entre nós são geralmente os “atos grandiosos”, como as doações de grandes empresas e as campanhas puxadas pela mídia. Claro que essas atitudes de solidariedade são importantes para a sociedade, mas também não podemos esquecer da essência do movimento e do nosso papel como cidadãos e filhos de Deus. Portanto, quando o assunto é solidariedade o tamanho do gesto não importa. Ser solidário, em resumo, é agir em prol do nosso próximo, de maneira genuína e da forma como está ao nosso alcance”.

    Quero deixar claro que na minha concepção, não devamos publicitar nossas ações ao vento, pois, assim estaremos fadados ao ridículo e desvirtuando a ideia do fazer o bem sem olhar a quem. Mais ao perceber uma boa ação, parabenize silenciosamente esta pessoa e divulgue a ação aos quatros cantos. Ela não precisa nem saber, mas o mundo sim.

    Quem sabe se noticiarmos o bem, o bem cresça!

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