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    Artigo de Opinião


    Futebol e Música, uma delirante paixão brasileira

    É como se esta expressão cultural já estivesse no DNA do seu povo, assim como a “ginga, o ritmo, a música”

    Escrito por Ricardo Onety no dia 05 de outubro de 2021 - 13:07

     

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    Leia o artigo de opinião e comente | Foto: Reprodução

    O futebol moderno com o nome e as regras que conhecemos tem seus primórdios na Inglaterra, ninguém ousa discordar que esta contribuição elevou o futebol a “outro patamar”, é a visão mais parecida com a que conhecemos. Na educação física, a sistematização das regras deve-se aos ingleses que ofereceram ainda várias modalidades como: atletismo, rúgbi, tênis, box, futebol e outros. O esporte era a mola propulsora para promover a educação.

    Mesmo sendo os percursores do futebol, os que fomentaram esta modalidade, ganharam somente uma copa do mundo (dizem que se tivesse o VAR, nem esse caneco teriam), em 1966. Por outro lado, o Brasil é Penta. Parece que mesmo antes de uma bola, das regras ou do próprio futebol chegar por aqui, o brasileiro já chutava, brincava, dançava e se divertia, antevendo a chegada do futebol.

    É como se esta expressão cultural já estivesse no DNA do seu povo, assim como a “ginga, o ritmo, a música”, essa mistura contribuiu e formou a estrutura em espiral do nosso povo. Este mix agregado ao futebol, merece ser estudado pela academia, surge um caminho antropológico e sociológico que pode indicar muito sobre a construção da Identidade do brasileiro.

    Esta crônica baseou-se na curiosidade após ouvir um documentário onde descortinou-se com a música “Que bonito é... Ver um samba no terreiro.... Assistir a um batuqueiro…. Numa roda improvisar; Que bonito é ...A mulata requebrando... Os tambores repicando ...Uma escola a desfila. (Na Cadência Do Samba – Luís Bandeira). Sei que não será fácil contar um pouco da história do futebol no Brasil através da música, para aqueles que não as conhecem, sugiro que busquem, ouçam e saboreiem, vale apena.

     

    | Foto: Reprodução

    Muitos irão relembrar algumas destas canções, pois, várias tocavam nos primeiros eventos esportivos transmitidos, ouvir rádio era uma diversão em família. Eu tenho belas recordações, mesmo que algumas não sejam agradáveis (copa de 1982 – chorei e até hoje me emociono). Ainda moleque minha primeira lembrança entre futebol e música foi na copa de 1970, que timaço era aquele! Quem lembra desta canção?

    - “Noventa milhões em ação... Pra frente Brasil, no meu coração... Todos juntos, vamos pra frente Brasil... Salve a seleção; De repente é aquela corrente pra frente, parece que todo o brasil deu a mão! Todos ligados na mesma emoção, Tudo é um só coração” - Composta por Miguel Gustavo e cantada com euforia pelos brasileiros, neste ano ocorreu a primeira transmissão ao vivo de uma copa do mundo.

    Esta outra canção embalou a seleção, mas também retratou a preocupação dos brasileiros com a não convocação do Rei Pelé para a Copa da Alemanha em 1974. Não só pela bela letra e harmonia, mas pelo significado e mística que tínhamos sobra a camisa 10 da seleção e dos times. Quem quando garoto não queria ser o número10?

    - “Desculpe seu Zagallo... Mexe neste time que está muito fraco... Levaram uma flecha, esqueceram o arco... Botaram muito fogo e sopraram o furacão; Que nem saiu do chão; Desculpe seu Zagallo... Puseram uma palhinha na sua fogueira... Mas não tem nada não! Cuidado seu Zagallo...O garoto do parque está muito nervoso... E nesse meio campo fica perigoso... Parece que desliza nesse vai não vai...Quando não cai... É camisa dez da seleção, laia, laia, laia... Dez é a camisa dele, quem é que vai no lugar dele...; Desculpe seu Zagallo... A crítica que faço é pura brincadeira... Espírito de humor, torcida brasileira... A turma está sorrindo para não chorar, tá devagar. (Camisa dez da seleção – Hélio Matheus e Luís Vagner. Voz inesquecível de Luiz Américo).

    Este samba nos remete a maior seleção brasileira que minha geração acompanhou, vibrou, torceu e chorou. Quem não se lembra da seleção de 1982? Muitos dirão que não ganhou, é verdade. Porém, não há como negar que aquele time alçou belíssimos voos e até hoje é lembrada pela qualidade técnica refinada. Aquela seleção era recheada de craques, que promoviam um jogo ofensivo, espetacular de assistir. Quiseram os Deuses do futebol que não alcançassem as semifinais na copa do mundo da Espanha. Os apaixonados pelo futebol arte agradecem pela obraprima.


    - “ Voa canarinho voa... Mostra para esse povo o que és um rei... Voa, canarinho voa... Mostra na Espanha o que já sei... Verde, amarelo, azul e branco... Forma o pavilhão do meu país... O verde toma conta do canto... O amarelo, azul e branco... Fazem meu povo feliz... E o meu povo toma conta do cenário... Faz vibrar o meu canário... Enaltece o que ele faz... Bola rolando e o mundo se encantando... Com a galera delirando... Tó aí e quero mais. (Voa Canarinho – Nonô do Jacarezinho. Na voz suave do craque e maestro Júnior).

     

    | Foto: CBF

    Não poderia deixar de homenageá-la, sem ela não há futebol, do Latim bulla, “corpo redondo, esfera”. Alguns craques do rádio a chamam de “gorduchinha’. Sem ela não há gol, muito menos gol contra, feio ou golaço. Encontrei essa canção para criançada, interpretada por Moraes Moreira.

    - “ Pulo, pulo, pulo, vou de pé em pé... Da chuteira do menino na vidraça da mulher... Salto, salto, salto mais que perereca... Pulo o murro e caio em cima da cabeça de um careca; Corro, corro, corro na praia de manhã... E quando eu balanço a rede é festa no Maracanã... Rolo, rolo, rolo rápido e rasteiro...E sou muito maltratada pelos pés dos peladeiros; Pulo Pulo,Pulo, vou com quem vier...Joguei com Nílton Santos, Com Garrincha e com Pelé... Salto, salto, salto com todo carinho... Joquei com Rivelino, com Tostão e Jairzinho; Rolo, rolo, rolo com satisfação Hoje jogo bola com o Sócrates o Zico e o Falcão. Corro, corro, corro do começo ao fim... Depois que acaba o jogo, nínguem mais lembra de mim. (A bola – Toquinho e Mutinho.).

    Finalizo estas linhas parabenizando todos os nossos artistas da bola, da música, da imprensa. Em especial aos radialistas e locutores que contribuíram com o crescimento dos esportes, em especial do futebol. Vocês criaram um linguajar todo próprio, nos emprestando seus olhos, ouvidos, sentimentos e muita emoção. A todos vocês obrigado por despertarem em nós estas paixões. Viva o Futebol, Viva a música popular brasileira!

    Afinal, “Quem não sonhou em ser um jogador de futebol? ”


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