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    ARTIGO


    Proteção da pessoa idosa é papel de todos

    ARTIGO - Larissa Leite Barboza: "quando olhamos para o idoso de forma não lisonjeira, portanto, contribuímos para a construção de um perfil de adoecimento psicológico"

    Escrito por Larissa Leite Barboza no dia 05 de outubro de 2021 - 15:28
    | Foto: Divulgação

    Quantos anos você tem? Como tem sido a sua vida até aqui? Você está se preparando para o momento em que for idoso?

    Muitas vezes, ao nos referirmos ao envelhecimento, tendemos a considerar que esse é um período muito distante em nossa vida e que, portanto, não precisamos pensar sobre isso agora. Aqueles que estão mais próximos ou já passaram dos 60 anos, por vezes, não se “sentem” idosos.

     Esse distanciamento é resultado de uma visão pejorativa que temos do envelhecer, desenvolvida prioritariamente no mundo ocidental, como se, ao chegar aos 60 anos, virássemos um interruptor e nosso corpo passasse a apresentar apenas declínios e adoecimento. Tal visão faz com que não nos preparemos adequadamente para esse período enquanto estamos na vida adulta e faz com que aqueles que já estão nessa fase se sintam constantemente preocupados ou tensos ante a potencial perspectiva de perder sua independência e qualidade de vida.

    Quando olhamos para o idoso de forma não lisonjeira, portanto, contribuímos para a construção de um perfil de adoecimento psicológico, onde as pessoas se veem diante de uma morte metafórica: não mais tomam decisões por si mesmos, não são mais vistos como produtivos, não são olhados como saudáveis, não são acolhidos como cidadãos com direito de usufruir de benefícios e aparatos sociais (algo que aparece numa fala muito comum desde antes da pandemia: o que esse senhor está fazendo na rua? Vá para casa!).

    Como não adoecer diante de uma perspectiva como essa? Sintomas depressivos em tal grupo são muito mais comuns do que se discute, com indicativos de que 15% dessa população é acometida por tal transtorno. Para idosos hospitalizados e/ou institucionalizados esse índice sobe a 22% e, conforme publicações especializadas, encontramos indicativos de até 59,3% da população idosa acometida de depressão.

     É importante que passemos a compreender que os idosos fazem parte da sociedade. Os declínios podem acontecer com o tempo, mas isso não significa que eles perderam seus direitos e/ou capacidade de lidar com o mundo ao redor.

    Os idosos possuem uma visão de mundo que ninguém mais tem. Passaram por situações e eventos que ajudaram a moldar o ambiente em que vivemos hoje. Eles têm sonhos, ambições, vontades, fé, hobbies, exemplos e histórias. É por isso que vemos tantos tentando se reinventar, voltando às faculdades e interagindo com tecnologias cada vez mais sofisticadas. Cabe aos demais membros da sociedade ser o suporte necessário para que eles se desenvolvam, estejam amparados e sigam a ter qualidade de vida.

    Sendo assim, que todos possamos refletir sobre nossa história: passado, presente e futuro. Cuidar dos idosos é cuidar de nosso legado.

    Autora: Larissa Leite Barboza,  psicóloga, mestre em Psicologia e professora da Faculdade Santa Teresa

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