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    Artigo de Opinião


    Futebol e Música, uma delirante paixão brasileira – Parte II

    Leia o artigo de opinião de Ricardo Onety

    Escrito por Ricardo Onety no dia 11 de outubro de 2021 - 16:34

     

     

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    Leia o artigo | Foto: Reprodução

    Olá craques,

    Já sabemos que os ingleses trouxeram o futebol para o Brasil através de Charles Willian Miller, um brasileiro, filho de ingleses, que acabara seus estudos e retornaram ao Brasil. Pouco depois de sua chegada, no dia 15 de abril de 1994, organizou o primeiro jogo oficial do Brasil: entre São Paulo Railway e o Gazz Team. Além do futebol, deixaram como legado vários monumentos arquitetônicos urbanos e culturais incomparáveis pelo país.  

    Nossa querida Manaus foi a pioneira no Brasil a ter luz elétrica. Era chamada de “Paris dos trópicos”. Foram os comerciantes ingleses que iluminaram nossa cidade, nossa floresta, em plena época de ouro da exploração da borracha. Cito alguns monumentos deixados por eles: A ponte dos Ingleses, localizado na sete de setembro; O Mercado Adolpho Lisboa (projetado por Gustavo Eiffel - o mesmo da Torre Eiffel de Paris); O Teatro Amazonas; O Parque dos Ingleses e Bosque dos Ingleses - hoje Bosque clube, localizado na Constantino Nery, estes espaços são considerados “percursores esportivos da cidade”.

    Os primeiros registros do futebol no amazonas, foram extraídos da bela obra intitulada de “Baú Velho”, um livro que os amantes do futebol amazonense devem ter em sua estante. Nos conta Carlos Zamith: “Não há meios para saber ao certo quem trouxe o futebol para Manaus. Presume-se que foram os ingleses, como aconteceu no Rio de janeiro ou em São Paulo. Considerando que os primeiros times campeões em Manaus, eram formados por jovens procedentes da Inglaterra que aqui exerciam atividades laborais em firmas estrangeiras”.

      Em 08 de fevereiro de 1914, ocorreu a final entre: Nacional x Manáos Sporting, sob o controle da liga Amazonense de Foot - Ball. Sagrando-se campeão o Manáos Sporting formado por jovens jogadores ingleses. Obrigado pela obra Craque Zamith!  

    Na tentativa de estreitar uma linha do tempo entre essas duas paixões brasileiras, futebol e música, em nossas pesquisas percebemos que sempre andaram lado a lado. Portanto, a música brasileira sofre grande influência europeia, resultando um mix cultural que acabara de nascer: os ritmos europeus com os elementos indígenas e africanos, trazidos pelos colonizadores. Essas expressões culturais estão enraizadas na nossa música popular brasileira (MPB).

     

    | Foto: Reprodução

    A continuidade desta crônica foi a pedidos de leitores e amigos. Queriam que trouxesse novas músicas relacionadas com a temática futebol. Pesquisei e lhes apresento belas composições e harmonias incríveis entre futebol e Música.

    Acredito que muitos irão rememorar e lembrar que se ouvia a transmissão dos jogos de futebol pelas ondas radiofônicas (o rádio nunca sairá do Ar), onde se encontravam, ou um jogo importante do seu time ao ouvirem essas músicas:

    - Faltavam só cinco minutos pra terminar o jogo... E o adversário fazia uma tremenda pressão... Sofria como um louco com o rádio colado ao pé do ouvido... Mas a nossa defesa é segura, é mesmo de seleção... Meu time bem armado, tranquilo, era final, uma decisão... até que o juiz apitou a favor do “Mengão”; Paulo César prepara o seu chute fatal... Na barreira confusão é geral... Atenção (thururu thururu)... Preparou (thururu thururu)... Correu (thururu thururu)... E chutou... É gol... Que felicidade... É gol o meu time é alegria da cidade... E atenção que nós vamos repetir o gol... (Replay – Trio Esperança). Esta interpretação é incrível!

      A próxima canção “concidentemente” fala de um jogador do Mengão. Interpretada pelo craque que não nunca envelhece e ainda joga um bolão, Jorge Bem Jor. Cantada até hoje em baile de formatura, carnaval, onde houver festa. Observem a ginga, o drible e o toque especial nesta melodia:  

    – Foi um gol de anjo, um verdadeiro gol de placa... E a magnética agradecida assim cantava... Fio Maravilha, nós gostamos de você... Fio Maravilha, faz mais um pra gente vê.; E novamente ele chegou com inspiração... Com muito amor, com emoção, com explosão e gol... Sacudindo a torcida aos 33 minutos do segundo tempo... Depois de fazer uma jogada celestial em gol... Tabelou, driblou dois zagueiros... Deu um toque driblou o goleiro. Só não entrou com bola e tudo... Porque teve humildade em gol... (Fio Maravilha – Jorge Bem Jor). Essa letra fiz questão de trazer original, pois, algum tempo, por problemas de direitos de imagem com a família e o jogador Fio, mudou a letra passando a cantar, Filho Maravilha. Para mim não mudou!

    Está última canção é da nossa terra. Vem do maior compositor da música popular amazonense, o parintinense Chico da silva. Ela dá vida a um jogo de futebol imaginário - “Meu pandeiro rebate no gol... E na defesa bate o tamborim... O reco-reco, o agogô, a frigideira... Entregando de primeira que disser... Passe pra mim... No meio campo vem a formação... Um cavaquinho e um bom violão... O surdo joga na frente de rompedor... O ganzá de goleador, o repinique a repicar... Pela direita tocando com a cuíca... A torcida se agita para ver o samba jogar; Gol, mas um gol esse time não pode perder... A seleção do meu samba ninguém consegue vencer. (Esquadrão do Samba – Chico da Silva e Venâncio).

    Nessa música, Chico fala de um “adversário estrangeiro”, que chegou forte querendo colocar “banca”, invadindo as rádios em detrimento da música brasileira. Convocou uma seleção de instrumentos com características peculiares brasileiras, juntos numa letra só deu vida e alma transformando-os em craques: Uma tabelinha perfeita em defesa de dois símbolos da identidade cultural brasileira, o Samba e o Futebol.

    Viva o futebol! Viva nossa MPB! Viva Chico da Silva, nosso Ajuricaba da poesia cantada!

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