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    Opinião


    Benjamins – Heróis com missão de humanizar

    Leia o artigo de opinião de Ricardo Onety sobre bebês prematuros

    Escrito por Ricardo Onety no dia 22 de novembro de 2021 - 10:18

     

    A crônica é uma  homenagem às famílias que tiveram filhos prematuros
    A crônica é uma homenagem às famílias que tiveram filhos prematuros | Foto: Arquivo Pessoal

    Em um mundo dependente de tecnologias onde tudo está conectado, às vezes passa despercebido a figura central, o ser Humano. É por ele e para ele, que essa tecnologia deve ser direcionada, para usufruto de todos.

    Os avanços científicos e tecnológicos no século XX, trouxeram mitos e desafios. Mitos – acreditava-se, que todos os males da humanidade seriam resolvidos. Desafios – não conseguir levar estes avanços à maioria da sociedade. É claro que as conquistas são enormes e perceptíveis aos olhos, entretanto, a implantação é inversamente proporcional e caminha a passos lentos.  

    Entender as necessidades sociais de saúde, diante dos enormes desafios que o dia-a-dia nos impõe, deve ser prioridade de todos nós. A evolução ocorrida na medicina é um ótimo exemplo! As grandes descobertas que ajudaram a influenciar, prolongar e contribuir na melhora da “qualidade de vida” do homem, são muitas: O raio-X, os antibióticos, as vacinas tradicionais e as novíssimas (BioNtech-Pfizer, CoronaVac, Johnson & Johnson, Oxford, AstraZeneca e Sputnik V), a melhora dos diagnósticos, tratamentos e outros avanços, transformaram a história da humanidade. Isto basta?

    É claro que não! A estrutura hospitalar, a tecnologia, profissionais capacitados, se completam com muitas doses de amor.

    Amigos leitores, a crônica de hoje será bastante diferente. Uma homenagem às famílias que tiveram filhos prematuros. Trago uma carta de um pai emocionado que vive há exatas 38 semanas dentro de uma unidade hospitalar, juntamente com sua esposa, familiares e equipe de saúde, no estado do Acre.

    Prematuridade: só o amor salva!

     

    | Foto: Arquivo Pessoal

    Em 2021, Benjamin veio ao mundo pesando 776 gramas, com 25 semanas de gestação e medindo um pouco mais que uma folha A4 — um bebê prematuro de extremo baixo peso. Quando isso acontece, o parto não acaba ali, ele continua por um longo período. No caso dele, já são 260 dias de internação hospitalar. O útero quentinho, escuro e molhado da mãe deu lugar a uma incubadora repleta de fios, aparelhos e luzes.

    Em 1963, o terceiro filho do então presidente americano John F. Kennedy, Patrick, morreu após nascer prematuro e adquirir uma doença chamada de “síndrome do desconforto respiratório”. Após a tragédia, o governo americano passou a financiar estudos na área. O avanço nos cuidados neonatais, na década de 70, foi fundamental para que Benjamin sobrevivesse em 2021, no Acre.

    O drama da prematuridade não é novo, e a geração passada, que tinha mais filhos que a de hoje, distingue bem o “tive 6 filhos” do “criei 4”. Novas são as possibilidades de suporte à vida através de aparelhos respiratórios, antibióticos e os surfactantes — fundamentais para prevenção e tratamento de problemas respiratórios.

    Mas nada desses recursos, fruto de muita pesquisa científica e médica, seria suficiente sem o maior ingrediente dessa receita: o amor dos cuidadores. Neonatologistas, enfermeiros, fisioterapeutas, técnicos de enfermagem, roupeiros e serviços gerais. Todos, sem exceção, precisam fazer muito bem seu trabalho, para que a vida ganhe o jogo contra a morte.

    Benjamin teve isso. Todos jogaram ao seu lado, sofreram junto com ele nas baixas e vibraram com ele nas conquistas. Rezaram, oraram, suplicaram — mas sempre fazendo muito em favor da sua sorte. Deu certo. Hoje ele pesa 7.500 gramas, está se desenvolvendo bem, e acaba de sair da dependência de oxigênio suplementar.

    A propósito, 12% de todos os partos no Brasil são prematuros, e isso não é pouca coisa. 12% de nossas crianças necessitam de uma UTI ao nascer. UTI com respiradores, remédios e, principalmente, amor. Crianças que nascem prematuras necessitam de um longo acompanhamento neonatal — profissionais altamente qualificados que fazem toda a diferença no bom desenvolvimento e, consequentemente, na maior qualidade de vida desse novo ser. Elas também demandam mais exames específicos, além de terapias, de acordo com a necessidade individualizada.

    Em um país em que se tem aumentado, dia a dia, a insegurança alimentar básica, uma demanda como esta, tão alta, torna-se brutal para a maioria das famílias. Se pensasse minimamente no futuro, esse mesmo país deveria ter um olhar atento ao que acontece em uma maternidade. Nossos futuros governadores, deputados, professores, médicos, enfermeiros, podem estar nascendo nesse momento — prematuramente.

    Tal qual John Kennedy, ninguém passa incólume pela prematuridade. Depois dessa experiência, passa-se a olhar a vida pela ótica de fazer o que estiver ao seu alcance, para que outros Benjamins — também — recebam seus milagres. (Ulisses Lima| Pai do Benjamin).

    Leitores, o intuito de dividir esta carta tem uma finalidade - para que continuemos a torcer por todos os Benjamins que diariamente nascem nas maternidades. Que possam contar com o apoio da família, da ciência, das novas tecnologias e dedicação das equipes de saúde nos mais diversos rincões do Brasil.

    Meu sobrinho Benjamin estará com mais alguns dias de vida quando está crônica for publicada, e as boas notícias continuam chegando:  A médica retirou a sonda do oxigênio, sua saturação está muito boa, já esboça alguns sorrisos, alegria e muita coragem. Outros desafios virão, em breve estará correndo, brincando e fazendo muitos gols como seu avô.  

    Que possamos aprender com esses pequenos heróis que trazem consigo a missão de humanizar todos nós. As orações continuam!  

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