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    Opinião


    A difícil missão de arbitrar com o VAR continua – parte II

    Essa ferramenta moderna que em outros esportes já funciona tão bem, no futebol brasileiro ainda causa confusão e muitas reclamações

    Escrito por Ricardo Onety no dia 03 de dezembro de 2021 - 15:18

     

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    Leia o artigo | Foto: Reprodução

    Olá leitores!

    O brasileirão 2021 está chegando ao fim, e a equipe do Clube Atlético Mineiro com duas rodadas antecipadas sagrou-se campeã brasileira, embolsando o prêmio de R$ 33 milhões, já equipe do Flamengo que ficou em segundo lugar faturou R$ 31,3 milhões, pagos pela CBF. As brigam por vagas para as competições internacionais que dão maior visibilidade e lucro estão quase completa, já na parte de baixo da tabela a bronca é alta.

    Grêmio, Bahia, Athlético Paranaense, Cuiabá, Juventude, Atlético Goianiense brigam para não se juntarem aos já rebaixados Chapecoense e Sport Recife. Seis clubes esperando a prorrogação e o apito final para comemorarem a permanência na série A, que garante uma boa cota financeira para 2022. A parte de baixo da tabela está de tirar o folego e o sono de muitos, nosso campeonato é sem dúvida um dos mais equilibrados e emocionantes do mundo.

    E as polêmicas Arbitragem? Continuam desde as rodadas inicias até hoje. São cada vez maiores, mesmo com a chegada de VAR (Vídeo Assistant Referee). Essa ferramenta moderna que em outros esportes já funciona tão bem, no futebol brasileiro ainda causa confusão e muitas reclamações. Será que já tiveram tempo suficiente para treinar, aprender e melhorar?

    Juntos iremos fazer uma breve viagem no túnel do tempo até os dias de sua implementação, entretanto, gostaria de chamar vossa atenção e fazê-los pergunta básica: A culpa é somente da arbitragem por tantas confusões e falta de sintonia durante as partidas de futebol aqui no Brasil? Como é tratado o único legitimado e responsável pela aplicação das regras do jogo?

    Foi um grande avanço para o futebol, pois este é um dos esportes onde as mudanças e alterações em suas regras são lentas e cercadas de tradições. As mudanças dependem da International Football Association Board – IFAB, fundada em 1883 na Inglaterra no séc. XIX. Um marco para a implantação do futebol moderno e pela Federação Internacional de Futebol (FIFA, 1904), que dirige o futebol pelo mundo.

    Em 2016, durante a Copa da Holanda entre as equipes do Ajax e Willem II, surge em jogos oficiais o VAR, com intuito de tornar o jogo mais preciso, diminuir erros e equívocos. Seria um teste para ser lançado na copa do mundo de 2018 na Rússia, o resultado foi satisfatório segundo relatório nº 2018 da FIFA.

    Acredito que a ferramenta VAR veio para ficar e cumprir bons serviços ao mundo do futebol. Como em outros esportes, sua implantação não está sendo simples, todos ainda estão aprendendo sua finalidade e dinamismo, corrigindo erros grosseiros e tornando os resultados mais justos. Acredito que, em breve, esta ferramenta será fundamental e não um retrocesso.

    Como o futebol é entretenimento, prestação de serviço. As exigências surgem a todo momento, é inerente as demandas da sociedade, no caso a esportiva. Por exemplo: no Brasil em 15.03.2005 surge o Estatuto do Torcedor, que colabora em seu Art.30 - É direito do torcedor que a arbitragem seja independente, imparcial, previamente remunerada e isenta de pressões. Simples assim!

    Na procura de ampliar esta discussão, busquei junto a colegas e amigos de outras profissões (árbitros profissionais, amadores, professores, advogados, juízes de direitos e promotores), uma resposta para a seguinte pergunta: como é o trabalho de vocês? Como refletem, arbitram, julgam e decidem? Pedi ajuda até de Sócrates, não o corinthiano, mas o craque grego, que disse: Três coisas devem ser feitas por um juiz: Ouvir atentamente, considerar sobriamente e decidir imparcialmente. Aproveito a analogia e, ainda, acrescento: analisar amplamente, ouvir atentamente, decidir e resolver após discussão ou consulta.

    É não parece fácil a tomada de decisão do árbitro de futebol, pois ele tem que fazer tudo isso em MILÉSIMOS de SEGUNDO! Com várias câmeras de televisão, lentes atentas de fotógrafos, torcedores com seus celulares e milhões de telespectadores. Se antes o árbitro decidia tudo sozinho, hoje com a implementação do VAR todos esperam para poder sorrirem contra ou a favor da sua equipe, validando ou não um gol, decidindo com o que seus olhos veem, e compartilhando simultaneamente com milhões de fãs aficionados.

      Porém, antes de qualquer conclusão, trago para reflexão de todos, algumas barreiras comuns que as equipes de arbitragem enfrentam. Vocês sabiam que cada árbitro recebe apenas 03 jogos de camisas para o ano todo? Uma azul, uma amarela e uma preta. Vocês sabiam que os árbitros são “outdoors ambulantes”? A publicidade em suas “camisas suadas” é vendida, e não recebem direito de imagem!  

    Os árbitros que cuidam do futebol brasileiro, não tem como “laboração fim, a arbitragem – todos trabalham e possuem atividades extras para manutenção da família”. A lei Pelé, que rege o esporte, diz: os árbitros não tem vínculos com a entidade pagadora de seu “salário”, ele é autônomo. - Por mais que a legislação os reconheceu como profissionais somente em 2013, sua fonte de renda maior ainda é oriunda das atividades desportivas realizadas.

    A realidade é outra, pois, quem os paga é a CBF e a remuneração vai depender da classificação em que o ele se encontra: árbitro FIFA, não- FIFA, auxiliar, categoria AB, etc. Um tremendo paradoxo! Se cobra da arbitragem somente os erros, esquecem que os árbitros não são profissionais de fato. Só de direito! (Lei Nº 12.867, 10 de outubro de 2013). Será que não sofrem pressão dos empregadores e podem exercer suas funções com independência?

    Nas principais ligas europeias o árbitro tem salário e uma gratificação a mais por cada partida, e mesmo assim acontecem erros, talvez um pouco menos. Acredito que devam ter remuneração compatível com o tamanho do espetáculo, por isso devem ter dedicação exclusiva. Parece amadorismo em esporte que movimenta bilhões, não acham?

    Não poderia deixar de agradecer aos árbitros - Vocês são peças fundamentais para a realização dos espetáculos esportivos. Nossa coluna não deixará cair no esquecimento as violências cometidas contra a equipe de arbitragem! A sofrida por Rodrigo Crivellaro, que foi covardemente agredido por um jogador em fúria, durante rodada da segunda divisão do Rio Grande do Sul, é apenas uma delas. Nossa solidariedade e apoio contra qualquer tipo de violência. Fair Play sempre!

    Antes de concluir amigos leitores, quero lembrar que não, somente, nos esportes, mais, diariamente, estamos nas mãos de outros que nos regem, nos orientam e nos guiam, cada qual no seu quadrado: Os agentes da lei, o guarda de trânsito, os médicos, nossos pais, os professores, etc. 

    Árbitro não é um super-homem com poderes atômicos, nem robóticos, ele é fundamental ao espetáculo e abre mão de sua individualidade, sem medo de expor-se a tomar decisões baseada nas suas interpretações e convicções em Movimento Intenso, em uma “simbiose” consigo mesmo.

    Se coloque no lugar de um árbitro que corre em média 10 km por jogo e ainda tem que ter lucidez para tomar decisões em frações de segundo. Você se considera apto para arbitrar? 

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