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    Editorial


    EDITORIAL: Thiago de Mello viverá na Amazônia

    Com o país na escuridão, a luz dos “Estatutos do Homem” iluminou a coragem e a esperança de milhões de brasileiros

    Escrito por EM TEMPO no dia 14 de janeiro de 2022 - 20:34

     

    | Foto: Divulgação

    Quando escreveu “Os Estatutos do Homem”, logo após a deflagração do Golpe Militar de 1964, que mergulhou o país em 20 anos de trevas, o poeta Amadeu Thiago de Mello, filho da humilde comunidade Porantim do Bom Socorro, município de Barreirinha, no Baixo Amazonas, estava longe de imaginar a repercussão internacional do poema que, logo depois, viria a ser destacado como uma grande homenagem à Declaração Universal dos Direitos Humanos.

    Com o endurecimento da Ditadura Militar, em dezembro de 1968, o poema, que já era recitado efusivamente nas universidades e divinizado pela mídia literária nacional, virou instrumento de luta contra o AI-5, em defesa de bandeiras que enfatizavam a libertação de presos políticos e a defesa da liberdade de expressão. Na clandestinidade, o poema continuou vivo, coroando a indignação de estudantes, parlamentares, professores, cientistas, advogados, juristas e jornalistas  indignados com a falta de democracia.

    O poema "Os Estatutos do Homem” significava o Ato Institucional Permanente de Thiago de Mello cujos versos ele gritava aos quatro ventos: "Fica decretado que agora vale a verdade, que agora vale a vida, e que de mãos dadas, trabalharemos todos pela vida verdadeira”.

    A Ditadura cassou mandatos legislativos, suspendeu direitos políticos, afastou servidores públicos, prendeu, torturou e matou, mas não conseguiu impedir que os versos do poeta amazonense contaminassem mentes e corações que ansiavam por liberdade e democracia. Com o país na escuridão, a luz dos “Estatutos do Homem” iluminou a coragem e a esperança de milhões de brasileiros que lutavam sem nada temer. Por isso, Thiago de Mello será eterno como um sol de amor na alma de todos nós. O poeta vive.

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