Perseguição


'Querem me matar', jovem agredida por PMs em Manaus relata intimidação

A vítima relatou nas redes sociais que vem sofrendo perseguições, após registrar o Boletim de Ocorrência sobre as agressões

Relatos da estudante e mensagem anônima
Relatos da estudante e mensagem anônima | Foto: Reprodução/Facebook

Manaus – Após denunciar agressões sofridas por dois policiais militares, uma estudante de jornalismo, de 18 anos, relatou nas redes sociais que está sofrendo intimidações. Segundo a jovem, dois homens desconhecidos foram até à casa dela na noite da última quinta-feira (7).

Optando por não se identificar, para preservar a própria segurança, a jovem afirmou que os supostos policiais foram até à residência por volta das 20h. Denúncias anônimas revelam que a situação pode se agravar.

"Com certeza eles irão atrás de você, pois os policiais da 24ª Cicom são desonestos. Seria necessário você não ficar em casa para sua segurança'', alerta uma mensagem recebida pela vítima.

O Boletim de Ocorrência (BO) do caso foi registrado na Delegacia Especializada em Crimes Contra a Mulher (DECCM), localizada na Zona Centro-Sul, na última quarta-feira (7), dia em que ocorreu a agressão. A jovem suspeita que informações pessoais tenham sido vazadas. 

''Se a própria delegacia forneceu meu endereço, quem vai me proteger? Se for isso, qual o motivo de não falarem que querem me matar?'', indignou-se a vítima.

Posicionamento da Polícia Civil

Procurada pelo EM TEMPO, a assessoria da Polícia Civil explicou os procedimentos adotados no caso.

De acordo com a delegada Rita Tenório, como o caso não se configura como uma ocorrência doméstica ou familiar contra a mulher, a DECCM imediatamente fez o registro da ocorrência, expediu o exame de corpo de delito e orientou a vítima a se dirigir até a Corregedoria-Geral do Sistema de Segurança Pública do Amazonas para dar início aos procedimentos administrativos disciplinares.

A delegada também orientou que a vítima comparecesse à Diretoria de Justiça e Disciplina (DJD) da Polícia Militar, para que fosse instaurado um Inquérito Policial Militar (IPM), visto que os policiais, no momento da ação, encontravam-se no exercício de suas funções.

Com relação a suposta informação que circula nas mídias sociais, de que a DECCM Zona Centro-Sul teria divulgado o endereço da vítima, Rita Tenório afirma que a informação não passa de uma notícia falsa. 

Policiais serão afastados

| Foto: Reprodução

Em nota, a Diretoria de Justiça e Disciplina (DJD) da PMAM informou que está acompanhando o caso e será instaurado Inquérito Policial Militar para analisar a conduta dos policiais da 24ª Cicom, envolvidos na ocorrência.

''Ressaltamos que os policiais serão afastados de suas atividades operacionais até a conclusão do processo. Todos os elementos apresentados durante a ação investigatória serão apurados da forma transparente que o caso requer, respeitando o direito ao contraditório e à ampla defesa. A Polícia Militar não compactua com abusos, excessos e comportamentos que contrariem a lei e a ordem. A Corporação preza sempre pelo bem comum, com o dever de servir, proteger e preservar os direitos individuais e coletivos'', destacaram em nota.

Relembre o caso

A vítima e um amigo estavam sentados em um banco de uma praça, na Rua Ipixuna, no Centro de Manaus, quando dois policiais militares começaram abordar algumas pessoas que estavam no local.

Um dos PMs, que estava usando máscara preta, questionou a jovem se ela estava filmando a ação. Conforme o BO, o policial pegou o celular e, como estava demorando para devolver, ela estendeu a mão para pegar, mas o PM agarrou o braço esquerdo dela e torceu.

Nesse momento o segundo policial, sem máscara, aproximou-se e agride a jovem com tapas no rosto, além de palavras de baixo calão.

Após perceberem que estavam sendo filmados por uma outra pessoa, os policias devolveram o celular e se retiraram do local. 

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