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    Corrupção Passiva


    Ex-diretor da Semasc é alvo da operação 'Máfia dos Caixões', em Manaus

    O investigado utilizava-se da função que exercia para fazer cobranças indevidas de valores a empresários, que forneciam urnas para o programa SOS Funeral

    Empresários eram obrigados a pagar propinas em faturas emitidas no fornecimento de urnas funerárias
    Empresários eram obrigados a pagar propinas em faturas emitidas no fornecimento de urnas funerárias | Foto: Divulgação

    Manaus -  Investigado por cobrar propinas em faturas emitidas no fornecimento de urnas funerárias de serviço público, o ex-diretor financeiro da  Secretaria Municipal da Mulher, Assistência Social e Cidadania (Semasc), Maronilson Barros Monteiro, conhecido como “Mauro”, foi alvo da primeira fase da operação “Máfia dos Caixões”, deflagrada pela  Delegacia Especializada em Combate à Corrupção (Deccor), em Manaus. 

    No total, foram cumpridos quatro mandados de busca e apreensão na residência de "Mauro", localizada na Colônia Japonesa, Zona Norte da capital, onde foram recolhidos alguns eletrônicos que devem passar por perícia. As ações aconteceram por volta de 6h.

    O delegado Guilherme Torres, titular Deccor, informou que o investigado utilizava-se da função que exercia e fazia cobranças indevidas de valores a empresários, que forneciam urnas para o programa SOS Funeral, da Semasc.

    "O ex-diretor financeiro emitia notas e é suspeito de cobrar de 10% a 20%, se não o serviço parava. Um dos empresários afirma que chegou a pagar cerca de R$ 100 mil nesse esquema de propina, que funcionava, pelo menos, desde 2017", disse Torres. 

    O titular Deccor esclareceu, ainda, que conseguiu ter acesso a novas informações no material  que foi apreendido na casa de "Mauro" e que devem auxiliar em novo desdobramento da operação. 

    "Por enquanto identificamos duas empresas que participavam desse esquema. Vamos esperar as análises nos eletrônicos apreendidos para poder vincular outras pessoas nesse grupo criminoso", pontuou o delegado. 

    Pandemia 

    Guilherme Torres destacou a importância da operação no nesse período critico causado pela pandemia do novo coronavírus.

    "A corrupção deve ser combatida tanto quanto o tráfico de drogas e os demais crimes. E não poderíamos tolerar que serviço desse, de fornecimento de urnas funerárias, fosse ainda mais prejudicado no momento em que o mundo tem vivido", ressaltou. 

    Veja a entrevista com o delegado 


    Posicionamento

    A Prefeitura de Manaus esclareceu por meio de nota que Maronilson Barros foi exonerado no dia 8 de fevereiro de 2019, conforme consta no Diário Oficial do Município (DOM), edição 4.535. O município reforça que não compactua com nenhum ato de ilicitude e que tem dado todo o apoio necessário aos órgãos que atuam na apuração dos fatos, para que as devidas medidas legais e administrativas possam ser adotadas. 

    A prefeitura explicou, ainda, que em maio deste ano, quando houve a denúncia do suposto envolvimento do ex-servidor em ação de recebimento ilegal de dinheiro, a Semasc encaminhou ao Ministério Público do Estado do Amazonas (MPAM) dados sobre processos licitatórios, contratos e operacionalização do serviço SOS Funeral, destinado a pessoas em situação de vulnerabilidade social e econômica que não podem arcar com as custas do sepultamento. 

    "É importante destacar que os contratos são estimativos, ou seja, as urnas são solicitadas conforme a demanda do serviço, sendo pago aquilo que foi efetivamente entregue, nos valores unitários previamente licitados e que sequer podem ser alterados por mera liberalidade do gestor. Vale ressaltar, ainda, que cada tamanho de urna licitado possui um valor diferenciado e previamente estabelecido", diz a nota.

    Por fim, a Prefeitura de Manaus reforça o compromisso de se preservar a idoneidade do serviço público, se colocando à disposição dos órgãos de controle para os esclarecimentos devidos.

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