Violência


Mortes violentas aumentam 3,8% no Amazonas em 2020

O Amazonas está no Anuário Brasileiro de Segurança Pública com seus números mapeados até junho deste ano

Entre os crimes de crescimento estão, homicídios dolosos, latrocínios e lesões corporais, também incluídas mortes por intervenções policiais em cada estado | Foto: Arquivo EM TEMPO

Manaus – Em junho de 2019, a cidade teve 514 mortes violentas registradas ao longo do mês. Apesar da população enfrentar a pandemia de Covid-19, neste ano, no Amazonas, foram registradas mais de 544 mortes, segundo o Anuário Brasileiro de Segurança Pública, esses dados representam 3,8% até junho.

Entre os crimes de crescimento estão, homicídios dolosos, latrocínios e lesões corporais, também incluídas mortes por intervenções policiais em cada estado.

Segundo Fábio Magalhães, professor de Ciências Sociais, a segurança pública do Amazonas tem grandes falhas que contribuem para a violência na cidade.

“As instituições da segurança pública amazonense, assim como em todo o Brasil, por enquanto, são parte do problema, não da solução. Elas estimulam uma gestão de vida e da morte racialmente seletiva. As reformas empreendidas nas últimas décadas como, por exemplo, melhorias na inteligência e uma formação de agentes pautada em direitos humanos,  não impediram o crescimento de mortes decorrentes de intervenção policial. No primeiro semestre de 2020, esse número já é 10% a mais do que o ano todo de 2018”, explica.

Em setembro, segundo levantamento da Secretaria Pública do Amazonas (SSP-AM), revelou um índice de queda em criminalidade. O número de homicídios havia caído 45,7% em comparação ao ano passado. Crimes como latrocínio, furto e roubo também apresentaram queda.

Pandemia e violência policial

Em janeiro de 2019, Manaus teve 73 mortes violentas registradas ao longo dos seus 31 dias.
Em janeiro de 2019, Manaus teve 73 mortes violentas registradas ao longo dos seus 31 dias. | Foto: Arquivo Agência Brasil

Conforme o anuário apenas um policial foi vítima de morte, este ano, contra quatro no mesmo período de 2019. As intervenções policiais, entretanto, que resultaram em mortes, chegaram a 54 contra 36 do ano passado.

De acordo com o sociólogo Luiz Antonio, a violência continuou em crescimento, pois nem toda população se manteve em isolamento social.

“Durante a pandemia, não podemos perder de vista que uma parcela da população, principalmente as periferias da cidade, não guardaram isolamento, porque necessitam sair para se manter financeiramente. Então, essas pessoas continuaram vivendo nessa fricção que geram conflitos de violência”, comenta.

Para ele, a violência policial acaba aumentando em razão da banalização do crime contra jovens e adultos, algo que não soluciona a criminalidade na cidade.

“A violência policial acaba sendo justificada pela fala de que bandido deve sofrer, claro que isso deve ser combatido. Essa violência não contribui em nada para a cidade, apenas aumenta a desconfiança e medo que a sociedade tem pela polícia, sobretudo jovens negros periféricos em relação a polícia”, disse.

Violência doméstica

A violência sexual e doméstica contra as mulheres foi registrado um recuo de 17,7%. Foram 905 no primeiro semestre contra 1.099 de janeiro a junho de 2019.

A antropóloga Flávia Melo, acredita que os efeitos do isolamento apenas aumentaram o número de violência contra mulheres. “Especialistas em estudos de gênero e violência têm alertado desde o início da pandemia que o isolamento, o desemprego, a sobrecarga das tarefas domésticas e o cuidado com doentes acirram os conflitos em relacionamentos afetivos violentos. Os efeitos da pandemia são desiguais, e não apenas no que diz respeito ao adoecimento e ao acesso a tratamento, mas também ao agravamento das vulnerabilidades das mulheres pelo desemprego, a tripla jornada de cuidados, de exposição à violência e à morte”, explica. 

Casos

Renan Souza da Gama, 10, foi vítima de uma balada perdida de um tiroteio enquanto brincava de bicicleta com um colega, no bairro Novo Aleixo, Zona Norte.

Menino de 10 anos, brincava na rua quando foi vítima de bala perdida
Menino de 10 anos, brincava na rua quando foi vítima de bala perdida | Foto: Arquivo Pessoal

Após perseguição policial, cinco homens morreram em um tiroteio no bairro Colônia Oliveira Machado, Zona Sul de Manaus. Homens chegaram a ser atendidos no hospital, mas não resistiram.

Uma adolescente de 15 anos e uma jovem de 18 morreram e quatro pessoas ficaram feridas após serem baleadas no bairro Cachoeirinha, Zona Sul de Manaus. Um homem pichava a sigla de uma organização criminosa, quando homens em carro pararam e atiraram contra ele.

Operações

No início do ano, com o intuito de reduzir o número de mortes violentas em Manaus, a SSP-AM, deflagrou ações em diferentes zonas da capital. Entre elas, “Tentáculos”, que resultou na prisão de pessoas envolvidas em crimes de homicídios e mortes violentas registradas na capital.

Ainda para o sociólogo Luiz, ações podem ser previstas para diminuir ou prevenir atos de violência.

“Você pode tentar minimizar a violência com a presença ostensiva de policiamento, em locais de lazer e entretenimento como bares, banhos, boates, a polícia estando presente nessas regiões ela inibe a possibilidade de confrontos e brigas que evoluam para possíveis homicídios. Por outro lado, é preciso lembrar que outra parte dessa violência, é resultado de violência criminosa, bandidos, cobrança, nesse caso pode ser feito muito, o único caso é a polícia investigativa agindo”, relata.

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