Crianças


Rafael e Gustavo: vidas inocentes 'tiradas' pela violência em Manaus

Em 2020, pelo menos, duas crianças foram mortas e uma ficou ferida por balas perdidas, na capital amazonense

Inocentes tiveram o mesmo fim trágico
Inocentes tiveram o mesmo fim trágico | Foto: Divulgação

Manaus - Em 2020, pelo menos, duas crianças foram mortas e uma ficou ferida por balas perdidas, em Manaus. Todos os casos aconteceram na Zona Oeste da cidade. A capital amazonense, tomada pela guerra de facções criminosas, tem se comparado com a cidade do Rio de Janeiro, onde esse cenário ocorre com frequência. 

Rafael Correa Sousa de Vasconcelos, de apenas 11 anos, e Jorge Gustavo Silva Santos, de 12 anos, foram as vítimas fatais da violência que se alastra cada vez pela cidade.

Inocentes, os dois meninos tiveram o mesmo fim trágico ao ficaram no meio do fogo cruzado de criminosos, que tentaram acertar contas com os desafetos de Manaus. 

A última brincadeira 

Sem imaginar que não voltaria mais para casa com vida, o pequeno Rafael saiu para entregar a bicicleta que havia alugado para se divertir e foi baleado quando pedalava pelo Prosamim do bairro São Raimundo.

Com um tiro no tórax, o menino morreu no Serviço de Pronto Atendimento (SPA). Outras duas pessoas também foram assassinadas no tiroteio, que aconteceu na noite deste domingo (15). 

Descrito como uma criança alegre, Rafael deixa um vazio na família que também clama por Justiça. 

"Ele estava no lugar errado e na hora errada. Uma criança que só transmitia alegria, gostava muito de futebol e tinha sonhos de ser jogador. Muito triste, tanta gente morrendo por bala perdida e as autoridades não fazem nada", desabafou uma tia do menino, que pediu para não ter o nome divulgado. 

Primeiro caso

Na noite do dia 12 de maio de 2020,  Gustavo, a primeira vítima, havia ido comprar churrasco em uma banca próxima à casa dele, quando foi atingido por uma bala perdida na cabeça. O crime aconteceu na rua 21 de Junho, no bairro Compensa. 

Cortejo de despedida de Gustavo
Cortejo de despedida de Gustavo | Foto: Divulgação

Gustavo ainda foi socorrido, mas morreu seis dias depois de ficar internado no Hospital e Pronto-Socorro da Criança Joãozinho, na Zona Leste. Ne época, os médicos falaram para a família que o menino teve morte cerebral e havia testado positivo para o novo Coronavírus (Covid-19).

Segundo a polícia, no dia do crime, suspeitos em um veículo se aproximaram de um homem identificado como "Kevinho",  com intuito de executá-lo. Durante a ação, foram efetuados vários tiros, sendo que um deles atingiu o menino. 

A despedida de Gustavo foi marcada por comoção. Amigos, vizinhos e familiares dele se mobilizaram em um grande cortejo pelas ruas da Compensa. Balões brancos, hinos evangélicos e fogos simbolizaram o pedido de paz e de Justiça.

Outro caso na Compensa

Em outro ataque criminoso, registrado no dia 13 de setembro deste ano, na Compensa, uma menina, de 8 anos, foi atingida por bala perdida. Na ocasião, um homem, de 21 anos, também foi alvejado.

Segundo a polícia, o homem era o alvo dos criminosos. Ele estava sendo perseguido e correu para dentro do lanche da avó da criança, onde foram feitos os disparos.

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