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    Perda


    Morto por PM em Manaus, Felipe Cavalcante sonhava em ser engenheiro

    O jovem estava trabalhando, quando foi morto por um soldado da Polícia Militar do Amazonas, que o confundiu com um bandido

     

    Conhecido pela humildade, ele foi homenageado por familiares e uma legião de amigos
    Conhecido pela humildade, ele foi homenageado por familiares e uma legião de amigos | Foto: Divulgação

    Manaus - Jovem e cheio de sonhos, Felipe Cavalcante, de apenas 21 anos, era conhecido por ser um trabalhador, que todos os dias saia de casa para conseguir uma renda como entregador de delivery. A família conta que ele tinha como meta ajudar nas despesas de casa e ter uma vida melhor. Porém, teve os planos interrompidos e ao ser atingido com um tiro no rosto, disparado por um policial militar, em Manaus.

    Abalado, Léo Miranda, pai do jovem, relatou que Felipe sonhava em ser auxiliar de mecânico, e posteriormente, se graduar em Engenharia Mecânica.

    "Aqui no bairro ninguém falava mal do meu filho, porque ele era trabalhador. Não devia nada para ninguém, eu jamais deixei que ele se envolvesse com algo errado", disse o pai do jovem.

    Ainda descreditado com a perda, Léo relatou os momentos de desespero que viveu ao descobrir que o filho havia sido baleado. "Quando me falaram não acreditei, corri feito um louco para o hospital, mas quando cheguei, meu filho já tinha falecido", lamentou.

    O episódio envolvendo o caso de Felipe é retrato de um país em que os cidadãos, especialmente os de classes mais vulneráveis, são covardemente castigados por uma violência crônica e sistemática.

     

    Velório marcado por homenagens e pedido de Justiça
    Velório marcado por homenagens e pedido de Justiça | Foto: Divulgação

    Homenagens

    Conhecido pela humildade, ele foi homenageado por familiares e uma legião de amigos, que postaram mensagens lamentando o episódio trágico que interrompeu repentinamente a vida do jovem.

    "Você sempre me disse pra ser forte, desculpa, eu não consigo. Você foi uma das melhores pessoas que já conheci nessa vida, me ensinou, me ajudou amadurecer e me tratava com o maior amor e carinho do mundo (...)", postou uma das amigas do jovem.

    "Meu amigo batalhador hoje teve a vida tirada por um policial despreparado, e nunca mais vou poder vê-lo de novo", homenageou um amigo de infância.

    Relembre o caso

    Felipe estava trabalhando, quando foi assassinado com um tiro no rosto, pelo soldado da Polícia Militar, Tiago de Freitas Santiago, 31, que o confundiu com um bandido. O caso aconteceu na noite de quarta-feira (4), no Parque Mauá, bairro Mauazinho, zona Leste de Manaus.

    De acordo com as autoridades, o policial militar estava fora de serviço, quando foi comunicado que a moto de sua irmã havia sido roubada por dois criminosos. Na ocasião, Tiago perseguiu os bandidos, por conta própria, utilizando informações de um rastreador que monitorava o veículo.

    Segundo a versão do policial, ele tentava alcançar os dois criminosos, quando a moto que eles haviam roubado travou. Foi nesse momento que a dupla fugiu por uma área de mata. Tentando detê-la, Tiago começou a disparar contra os bandidos, sem levar em consideração que estava em um local público, e com pouca iluminação. O soldado não conseguiu balear os bandidos, mas acabou matando Felipe Cavalcante, que estava trabalhando.

    Testemunhas informaram que o jovem aguardava pedidos de clientes, quando foi atingindo com um tiro no rosto. Diante da tragédia que havia acabado de provocar, o soldado ainda pediu socorro ao Serviço de Atendimento Móvel de Urgência (Samu). No entanto, a vítima foi levada em um carro particular para o Hospital e Pronto-Socorro João Lúcio, mas já estava sem vida quando chegou na unidade de saúde.

    Revolta popular, após morte de Felipe | Autor: Divulgação
     

    Protestos 

    Revoltados, familiares e os moradores da área realizaram uma manifestação ainda na noite de terça, exigindo Justiça pela morte do jovem. 

    "Se não fosse uma pessoa correta e trabalhadora, eu jamais estaria aqui. Ele morreu sem nenhum motivo, na frente de todo mundo", disse uma manifestante que preferiu não se identificar.

    Os integrantes do protesto atearam fogo em alguns objetos, e interditaram a avenida Solimões, próximo ao local do homicídio. As equipes da Força Tática e da Ronda Ostensiva Cândido Mariano (Rocam) foram acionadas para conter a manifestação.

    Prisão

    Tiago de Freitas foi conduzido à Delegacia Especializada em Homicídios e Sequestros (DEHS), onde foi autuado em flagrante por homicídio. Após os procedimentos na unidade policial, ele foi encaminhado para um Batalhão da Polícia Militar, e ficará à disposição da Justiça. 

    Confira na íntegra a nota da Polícia Militar sobre o caso

    A Polícia Militar do Amazonas informa que o policial suspeito de homicídio vai responder a um procedimento administrativo na Diretoria de Justiça e Disciplina. O policial foi preso em flagrante e encaminhado para a Delegacia Especializada em Homicídios e Sequestros. As circunstâncias do crime ainda estão sendo investigadas.

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