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    Crimes


    Casos de feminicídio aumentam no Amazonas durante a pandemia

    Um fator observado pela delegada nos dados da SSP-AM é o crescimento de casos de filhos que assassinaram as próprias mães

    Violência contra a mulher aumentou durante a pandemia no Amazonas | Foto: Divulgação

    Manaus (AM) - Espancamento, estrangulamento, uso de machado, facão, pau, martelo,  marreta, tesoura, facão, enxada, barra de ferro, armas de fogo. Os utensílios que foram utilizados para acabar com a vida das mulheres são diversos. No ano de 2020, o Amazonas registrou 13 casos de feminicídio (homicídio cometido contra mulheres que é motivado por violência doméstica ou discriminação de gênero). A diferença é de quatro casos, se comparado ao ano de 2019, conforme informações da Secretaria de Segurança Pública do Amazonas (SSP-AM). 

    Dois dos 13 casos de feminicídios que ocorreram em 2020 foram consumados pelos próprios filhos das vítimas.  Os dados foram divulgados e disponibilizados no site da SSP-AM para conhecimento da população.

    Brutalidade

     

    Paulo José de Aguiar é o principal suspeito de matar Adriele Bruno da Silva
    Paulo José de Aguiar é o principal suspeito de matar Adriele Bruno da Silva | Foto: Divulgação

    Somente no primeiro mês de 2021, o EM TEMPO relatou dois casos de feminicídio consumados que devem entrar nas estatísticas desse ano. Um deles foi na zona rural do município de Careiro Castanho, a 102 quilômetros de Manaus, no dia 18 de janeiro. Paulo José de Aguiar, principal suspeito do crime, atingiu Adriele Bruno da Silva, de 23 anos, com um tiro no olho direito. Relembre o caso clicando AQUI 

    Outro caso que chocou o Amazonas foi em Manacapuru. Luciana Sales da Silva, de 27 anos, morreu no dia 18 de janeiro, após ser esfaqueada e enforcada no sofá da casa onde morava, no Ramal Acajatuba, na Zona Rural de Manacapuru (distante 68 quilômetros em linha reta de Manaus). O suspeito do crime é o companheiro dela,  um homem de 21 anos. 

    No ano de 2020 o caso do feminicídio da Miss Manicoré, Kimberly Karen Mota de Oliveira, de 22 anos, foi amplamente repercutido pelo EM TEMPO. O processo que ainda está ocorrendo e tem como réu o servidor público Rafael Fernandez Rodrigues, chocou a sociedade amazonense pela forma como o crime foi conduzido. Relembre o caso na matéria do EM TEMPO.

     

    O corpo de Kimberly foi encontrado na casa de Rafael Rodriguez
    O corpo de Kimberly foi encontrado na casa de Rafael Rodriguez | Foto: Reprodução

    Para a delegada da Especializada em Crimes Contra a Mulher (DECCM), Débora Mafra, o isolamento social e o convívio familiar durante a pandemia contribuíram para que crimes de feminicídios aumentassem no Amazonas. E o aumento no número de filhos que mataram as mães surpreendeu o Amazonas.

    "Os casos em que os filhos mataram as mães são ainda mais alarmantes para a causa. O isolamento social fez com que os filhos, dependentes químicos nos dois casos, agredissem suas mães que não tinham dinheiro ou porque perderam seus empregos na pandemia, ou por não poder sair de casa para trazer dinheiro", revela Mafra. 

    Para a delegada, a pandemia não pode ser motivo para que mulheres em situação de abuso fiquem caladas. “Em alguns casos relatados para nós, as mulheres não procuraram o poder público por acharem que as delegacias, a defensoria pública e o serviço de apoio emergencial à mulher estavam fechadas e não estavam. As delegacias continuam funcionando, existe a delegacia interativa na internet, a Defensoria Pública do Amazonas (DPE-AM) continua funcionando remotamente. As mulheres não podem deixar de denunciar", ressalta a delegada.

    Campanha X Vermelho na mão continua

    Lançada pelo Conselho Nacional de Justiça (CNJ) em junho de 2020, a Campanha X vermelho na mão pode ajudar mulheres que estão próximas do agressor e têm medo de comunicar que estão sendo vítimas de abusos.

    “O nome se dá pela ideia de que a mulher com um batom vermelho, objeto que quase sempre elas possuem consigo, faça um x na mão e mostre para alguém próximo dela, estando ela em uma farmácia, em um estabelecimento comercial, na rua, desde que alguém possa ver esse sinal e comunicar a polícia para os procedimentos cabíveis”, orienta a delegada Débora Mafra.

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