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    Violência


    Trans assassinada em quarto de motel de Manaus trabalhava como atriz

    Câmeras de segurança registraram o momento que o assassino foge da pousada derrubando o portão com um carro que pertence a um Policial Militar; assista.

     

    A vítima era atriz e atuava em eventos infantis.
    A vítima era atriz e atuava em eventos infantis. | Foto: Reprodução

    Manaus - Um tiro no peito. Um sonho interrompido. Era por volta de 1h30 da madrugada de sábado (12), quando Manuela Otto, uma jovem trans de apenas 25 anos, foi assassinada dentro do quarto de um motel, no bairro Monte das Oliveiras, na zona Norte de Manaus, por um homem que ainda não teve a identidade confirmada.

    Câmeras de segurança flagraram o momento em que a vítima e o assassino entram na pousada, em um carro, modelo Chevrolet Prisma. Instantes depois, o suspeito aparece derrubando o portão do motel com o veículo, e foge em alta velocidade do local do crime.

    Manuela foi encontrada morta, com um tiro no peito, por funcionários do estabelecimento. As motivações do homicídio ainda são desconhecidas pela polícia.

    Segundo as autoridades, o carro em que o criminoso foge pertence a um cabo da Polícia Militar, entretanto, ainda não há a confirmação se o homem que aparece nas filmagens seria o PM ou uma outra pessoa.

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    Sonhos, preconceitos e prostituição 

    Há cerca de quatro anos, Manuela decidiu iniciar o processo de transição de gênero. Ao contrário da realidade de muitas outras pessoas trans, a jovem tinha apoio e o amor de sua família. 

    Ao Em Tempo, o ex-companheiro da vítima, o empresário Lucas Picanço, relatou que Manuela trabalhava como atriz, organizava eventos e tinha uma companhia teatral infantil. 

    "Nós já participamos de várias apresentações aqui em Manaus. A Manu fazia curso de administração e desenho, estava sempre buscando evoluir. Inclusive, fez faculdade de jornalismo por um tempo", desabafou Picanço.

     

    Manuela em uma aula de teatro.
    Manuela em uma aula de teatro. | Foto: Reprodução/Internet

    Se em casa a jovem recebia toda o carinho dos familiares, da porta para fora, o cenário era bem diferente. Manuela era obrigada a enfrentar o desprezo e o preconceito da sociedade.

    "A Manu não gostava nem de ir ao mercadinho, porque as pessoas sempre faziam piadas com a aparência dela, e isso a incomodava muito", relatou o empresário.

    A desconfiança e indiferença enfrentadas por Manuela não se restringiam a risadas e piadas preconceituosas. Ela tinha uma dificuldade enorme de conseguir emprego em um mercado de trabalho tão hostil aos transexuais. 

    "Sem oportunidades, muitas vezes a Manuela acabava se arriscando e recorria à prostituição para complementar a renda. Ela reclamava que conseguir propostas de trabalho era sempre muito difícil", disse Picanço. 

    A morte de Manuela está longe de ser considerado um caso isolado de violência contra as pessoas trans. De acordo com a Associação Nacional de Travestis e Transexuais (Antra), o Brasil é o país que mais mata travestis e transexuais no mundo, com uma morte a cada 48 horas.

    Investigação 

    As circunstâncias da morte da jovem ainda não foram esclarecidas pelas autoridades. O caso está sendo investigado pela Delegacia Especializada em Homicídios e Sequestros (DEHS), que está apurando se Manuela fazia programa na noite em que foi morta, ou se ela tinha algum relacionamento com o suspeito, cuja identidade também não foi divulgada. 

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