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    Violência contra menor


    "Quer ser veado"; mãe amarra e tortura filha em Rio Preto da Eva

    Além de cortar o cabelo com a tesoura e depois raspar com um aparelho cortante, a mulher também deu chineladas na criança de 14 anos enquanto outros o seguravam no chão

     

    O caso aconteceu no município de Rio Preto da Eva, a 80 quilômetros de Manaus
    O caso aconteceu no município de Rio Preto da Eva, a 80 quilômetros de Manaus | Foto: Reprodução Internet

    Rio Preto da Eva - Uma sequência de vídeos que está circulando nas redes sociais mostra uma menor de idade amarrada, amordaçada e sendo agredida a chineladas pela mãe. Com ajuda de outros homens não identificados, a adolescente é imobilizada enquanto a mulher raspa seu cabelo e as sobrancelhas. O caso aconteceu no município de Rio Preto da Eva, a 80 quilômetros de Manaus. 

    As cenas fortes de agressão são acompanhadas de xingamentos e reclamações da mãe. "Nunca mais você vai pegar nada de ninguém escondido, e cala a boca (...) quer ser veado, aprende a ser veado. Vai na polícia, dá parte e diz que foi eu que fiz isso, eu sou tua mãe. Dar parte pra ver se tu vai ficar vivo. Nunca mais", esbravejou a mulher enquanto raspava o cabelo da filha, que por vídeos, se identifica no feminino.

    Enquanto era torturada, com um tecido amarrado na boca, a menor de 14 anos tentava gritar sentindo as dores da agressão. Além de cortar o cabelo com a tesoura e depois raspar com um aparelho cortante, a mulher também deu chineladas na garota enquanto outros a seguravam no chão, mesmo já estando amarrada. 

    No vídeo, a mãe também mencionou estar perdendo o dia de trabalho por conta do moça. " Faz tuas lives agora e diz que tu é dono e proprietário. Eu ainda não morri, entendeu? Tu tá tendo sorte que eu não estou te espancando, estou sendo boazinha contigo. Estou cansada, perdendo meu dia de trabalho hoje", declarou.

    Em entrevista ao EM TEMPO, o delegado da 36ª Delegacia Interativa de Polícia (DIP), Henrique Brasil, contou que o crime aconteceu no dia 21 de fevereiro, mas chegou ao conhecimento da polícia no último sábado (27), quando um conselheiro tutelar mostrou os vídeos na unidade policial do município, após receber em seu WhatsApp. 

    Ao ver as imagens, Brasil determinou que a equipe de policiais, do Conselho Tutelar e do  Centro de Referência de Assistência Social (Creas) se direcionassem para a casa da vítima a fim de fazer um flagrante.

    "Até então, achávamos que o crime havia ocorrido na madrugada. A ideia era realizar uma prisão em flagrante delito. Entretanto, como o crime havia ocorrido há mais de uma semana, encaminhamos a mãe para a delegacia, onde foi indiciada pelo crime de tortura", explicou o delegado.

    Na unidade, a mulher disse que torturou a filha por ter envolvimento com o tráfico de drogas e por pegar a motocicleta dela por volta das 17h do dia 20 de fevereiro e só ter retornado às 6h da manhã do dia 21, data em que a agressão aconteceu. A mãe também afirmou que a filha enfrentou a mãe, o que deu início a discussão. 

    Proteção à criança

    Em obediência à orientação do Estatuto da Criança e do Adolescente (ECA), Artigo 143, parágrafo único, a identidade da mãe e da menor de idade não foram mencionadas nesta matéria para evitar identificação da adolescente, proibida por lei.

    Depois do ocorrido, a adolescente de 14 anos divulgou um vídeo na internet onde diz que está bem e em segurança. 

    "Sei que todo mundo está torcendo por mim [...] estou assim, desse jeito, mas estou bem, fora de Rio Preto para a minha própria segurança. Agradeço a todos, obrigada por tudo [...] obrigada pela força que vocês estão me dando", mencionou. Ele também agradeceu as mensagens das pessoas que ficaram preocupadas após saberem da agressão.

    *Última edição às 19h59: pronome da vítima foi alterado para o feminino após leitores do EM TEMPO alertarem que a adolescente se identifica no feminino em um vídeo divulgado nas redes sociais.

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