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    Motorista é morto em operação e esposa denuncia Grupo Fera, em Manaus

    Conforme a companheira, a vítima estava desarmada e levou um tiro à queima-roupa no peito

     

    Sérgio deixa três filhos e netos
    Sérgio deixa três filhos e netos | Foto: Divulgação

    Manaus - Sem antecedentes criminais, o motorista Sérgio Fragoso Monteiro, de 50 anos, foi morto durante uma ação policial do Grupo Força Especial de Resgate e Assalto (FERA), realizada na última sexta-feira (18), na rua Pérsides, no bairro Vila da Prata, na Zona Oeste de Manaus. 

    A família dele acusa os policiais de execução, pois o homem não teria nenhum envolvimento com o crime organizado e não estava armado. A esposa dele, Marcilene de Lima Machado, de 47 anos, que era casada com Sérgio há 30 anos e presenciou a ação dos policias civis deu detalhes do dia em que perdeu o marido com um tiro fatal no peito.  

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    Era madrugada de sexta-feira (18), por volta das 4h, quando eu e meu esposo estávamos dormindo e acordamos com o barulho de um arrombamento. Meu quarto fica de frente para a porta de entrada e eu vi quando o Sérgio abriu um pouco a porta para tentar ver o que estava acontecendo. Ele se tremeu todo ao ver vários homens de preto e tentou fechar a porta. Foi quando atiraram e o vidro quebrou. Parecia uma bomba, um tiro à queima-roupa que ele caiu morto "

    contou Marcilene, esposa de Sérgio

     

    A esposa de Sérgio relatou que instantes depois a porta do quarto dela foi arrombada pelos policiais e ela teve que se ajoelhar no chão enquanto os policiais realizavam buscas no imóvel.  

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    Meu marido passou mais de meia hora jogado no chão e eu implorei para que ele fosse socorrido. Eles mandaram eu deitar no chão e estavam fortemente armados. Depois pediram para eu ficar em pé mas eu não pude sair do quarto. Depois da minha insistência pediram uma rede e levaram o corpo dele pro Hospital e Pronto-Socorro 28 de Agosto. Eles só se identificaram no final e disseram que tinham apreendido materiais e que possuíam um mandado de busca e apreensão para o meu filho que nem mora conosco "

    detalhou a mulher, emocionada com a perda

     

     

    Casa alvo da operação
    Casa alvo da operação | Foto: Suyanne Lima


    Marcilene Machado pede que a situação seja devidamente apurada por acreditar que os policiais agiram com despreparo tirando a vida de Sérgio que deixa três filhos e netos.

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    Eles ainda tentaram implantar uma arma para falar que meu esposo tinha trocado tiros. Os policiais erraram feio. Se eles tinham um mandado eles precisavam se identificar que nós iríamos abrir a porta. Entraram como criminosos, vieram para matar meu marido. Queriam implantar uma arma para prejudicar a minha família. Peço Justiça porque meu marido era um trabalhador honesto. Ele vivia do trabalho para casa, era amado por todos "

    lamentou Marcilene,, companheira da vítima

     

    Sérgio atuava como motorista na empresa Vical Transportes e estava de férias no dia em que perdeu a vida.  A empresa emitiu nota nas redes sociais lamentando a perda do colaborador e pedindo Justiça.

    "É com muito pesar que comunicamos o falecimento do nosso querido amigo e colaborador Sérgio Fragoso Monteiro, motorista da Vical Transportes. Prestamos nossas condolências à família e desejamos conforto nesse momento de profunda tristeza. Também pedimos Justiça para que o ocorrido seja esclarecido e que os culpados sejam responsabilizados", escreveu a Vical Transportes. 

    Veja o post


    A esposa de Sérgio destacou que a família irá até a corregedoria da Polícia Civil para formalizar a denúncia contra a equipe policial nesta semana. 

      "Estamos providenciando toda a documentação para dar entrada nos procedimentos cabíveis. Não iremos descansar até que a Justiça seja feita. Meu marido era meu porto seguro, um homem que sempre fez tudo pela família. Ele foi arrancado de nós", concluiu Marcilene.  

    Na casa onde tudo aconteceu, vidros quebrados e portas arrombadas compõem o cenário deixado após a abordagem policial. 

    Posicionamento da polícia 

    O Em Tempo entrou em contato com a Polícia Civil do Amazonas (PC-AM) que insistiu em afirmar que durante a ação, em um dos alvos da operação, houve resistência e fez-se necessária a intervenção policial que levou a óbito um homem de 50 anos.

    O delegado Bruno Fraga, diretor do DRCO, que coordenou as investigações no Estado, reforça que a instituição conta com equipes policiais preparadas para agir em diversas situações de combate à criminalidade, especialmente durante as ações de confrontos e resistências policiais.

    Por determinação da delegada-geral, Emília Ferraz, e para a lisura do ato operacional em questão, as investigações estão em andamento pela Delegacia Especializada em Homicídios e Sequestros (DEHS), que aguarda o resultado da perícia técnica, solicitada no mesmo dia da ocorrência.

      A PC-AM somente voltará a se pronunciar após o resultado do laudo pericial.  

    Operação Coalizão Do Bem 

    No dia em que Sérgio foi morto, policiais civis do Grupo Fera participavam da operação Coalizão do  Bem deflagrada pela Polícias Civil dos Estados do Amazonas e Rio de Janeiro, resultou no cumprimento de cinco mandados de prisão e de  busca e apreensão em nome de líderes de uma facção criminosa que atua nos dois estados. 

    Dentre os presos está o cabeça do braço da facção no Amazonas, Marcelo da Silva Nunes, o "Marcelão" cunhado do traficante Gelson Carnaúba, o "Mano G", além do gerente financeiro da organização criminosa, Pedro da Silva de Carvalho. Mandados de busca e apreensão foram cumpridos durante a operação. 

    Conforme a Secretaria de Segurança Pública do Amazonas (SSP-AM), os presos na operação estão envolvidos em crimes de lavagem de dinheiro que visava fortalecer o tráfico na região da tríplice fronteira. Para isso, altas movimentações de dinheiro eram feitas por meio de empresa de fachada dos ramos de alimentação e transporte . A ação foi coordenada pelo Departamento de Repressão ao Crime Organizado (DRCO) e pelo Departamento Geral de Combate à Corrupção, Organizações Criminosas e à Lavagem de Dinheiro (DGCOR-LD).

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