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    Restrição à liberdade


    Sequestros caem em desuso, mas ainda assustam manauaras

    Dados fornecidos pela SSP-AM mostram uma queda de 92% nos sequestros-relâmpago

    | Foto: divulgação

    MANAUS - O crime de sequestro-relâmpago caiu em desuso, mas ainda é noticiado pelo EM TEMPO. A facilidade e a velocidade com que a população consegue hoje transferir dinheiro pelo celular têm atraído bandidos para esse tipo de ataque.

    O balanço divulgado pela Secretaria de Segurança Pública do Amazonas (SSP-AM) aponta redução de 92% de sequestro-relâmpago do Amazonas neste ano. De janeiro a abril ocorreram 25 sequestros e cárcere privado. Os casos mais graves, que são os de extorsão mediante sequestro, em que o criminoso rapta uma ou mais pessoas, exigindo condições em troca da vida da vítima, mantendo-a em um cativeiro, foram apenas dois. No mesmo período do ano passado foram registrados 48 casos de sequestro-relâmpago e nenhum de extorsão mediante sequestro.

    O titular da Delegacia Especializada em Homicídios e Sequestros (DEHS), Charles Araújo, explica que os casos de extorsão mediante sequestros estão cada vez mais raros. “Muitos casos são registrados como extorsão mediante sequestro e depois concluímos que o sequestro foi apenas um meio para se chegar ao homicídio. O crime de extorsão mediante sequestro tem uma particularidade. São casos em que o criminoso cerceia a liberdade da vítima desde o começo do crime e pedem um resgate por isso. É um crime que está caindo em desuso, não sendo mais tão comum. E em todos os casos nós conseguimos liberar as vítimas e prender o criminoso”.

    Os casos investigados pelo delegado tiveram um bairro em comum onde as vítimas foram mantidas em cativeiro. Apesar disso, ele acredita que seja coincidência. “Em ambos os casos as vítimas eram empresários e foram levados para cativeiros no Parque das Nações, na Zona Norte de Manaus. Os dois não tinham ligações um com outro e apesar de serem no mesmo bairro não podemos considerar que este é um lugar que os criminosos sempre. Foi uma coincidência mesmo”.

    O caso mais recente foi no dia 9 de junho deste ano, de um empresário de 57 anos, que não teve o nome identificado. O empresário sofreu um assalto no comércio da família e foi mantido em cárcere privado no próprio carro por três pessoas. Os criminosos exigiram uma quantia de R$30 mil pela vida da vítima. A ação terminou com dois deles baleados e um machucado em decorrência de uma batida de carro.

     

    Carro de empresário foi batido em ação criminosa
    Carro de empresário foi batido em ação criminosa | Foto: Bianca Ribeiro

    Segundo o delegado titular da Delegacia Especializada De Roubos, Furtos e Defraudações (DERFD), Denis Pinho, os sequestradores têm um perfil comuns de vítimas 

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    Não necessariamente é sempre empresário ou motorista de aplicativo. O que o criminoso procura é facilidade. Então quando ele sai para praticar qualquer tipo de roubo ele tem uma informação privilegiada, como a vítima ter um volume grande de dinheiro, ou está levando um dinheiro para um banco. Na maioria dos casos eles são planejados "

    Denis Pinho, Delegado titular da DERFD

     

    Como se comportar diante de um sequestro

    Recentemente, uma notícia circulou com a informação que o sequestrado ao digitar a senha do banco ao contrário no caixa eletrônico, a polícia era informada de que algo estava errado. A Associação Nacional dos Analistas Judiciários da União, que teve o nome vinculado a essa notícia falsa, informou que essa técnica não existe.

    O delegado Charles Araújo explica que os sequestros são difíceis de serem identificados no momento em que acontece, ao menos que alguém testemunhou este sequestro. Para o delegado, o importante é que em qualquer caso a polícia seja comunicada. “Se um parente souber que isso está acontecendo ou a própria vítima conseguir se comunicar, a polícia deve ser acionada imediatamente”.

    Para o delegado da DERFD, Denis Pinho, é importante que a vítima mantenha a calma diante da situação e não reaja durante o fato. "Às vezes a pessoa fica desesperada pelo patrimônio que está sendo ameaçado, nos casos de sequestros. Os criminosos que temos apreendidos estão dispostos a tudo, muitas vezes, inclusive, eles estão sob o efeito de droga e na grande maioria das reações que observamos, a vítima leva a pior”.

    Delegados alertam sobre falso sequestro


    No dia 17 de junho um casal foi preso por realizar um falso sequestro. Jacqueline Mota dos Santos, 34, e Cleuton Almeida da Silva, 31, foram presos por extorsão mediante sequestro de uma jovem, de idade não informada, no bairro Mauazinho.

    O delegado Charles Araújo contou que as diligências aconteceram após a mãe de uma jovem comparecer à DEHS, informando o sequestro de sua filha, imediatamente as equipes iniciaram as investigações e chegaram ao local onde a suposta vítima estava sendo mantida em cárcere privado, mas ela não estava no local.

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    Segundo o que foi relatado para nossas equipes, o casal estava pedindo para a mãe da jovem uma quantia de R$ 500 referente ao pagamento de uma dívida relacionada a entorpecentes, que a mulher tinha, possivelmente, com o casal. Eles foram presos em flagrante e a suposta vítima já não se encontrava mais no local. Os dois confessaram o crime, mas relataram que foi algo armado, as investigações sobre o caso continuam para tentar localizar essa possível vítima "

    Charles Araújo, Delegado titular da DEHS

     

     

    Caso de falso sequestro foi investigado pela DEHS
    Caso de falso sequestro foi investigado pela DEHS | Foto: Divulgação

    Para o delegado Denis Pinho, é importante que o familiar não pague nenhuma quantia em dinheiro e comunique imediatamente a polícia. “Muitos agem após possuírem informações privilegiadas. Tudo que os criminosos fazem é pensado”. 

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