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    Mortes violentas


    Homicídios disparam em Manaus e têm alta de 55% em um ano, segundo SSP

    Ao todo, foram 852 assassinatos nos 10 primeiros meses de 2021, enquanto no mesmo período de 2020 esse número chegou a 591

     

    Só em outubro, 99 pessoas morreram por homicídio na capital
    Só em outubro, 99 pessoas morreram por homicídio na capital | Foto: Reprodução

    Manaus (AM) - De janeiro a outubro deste ano, a capital amazonense registrou uma aumento explosivo de mais de 55% no número de homicídios, em relação ao mesmo período do ano anterior. Segundo dados levantados pela Secretaria de Segurança Pública (SSP-AM), foram 852 assassinatos no decorrer dos 10 primeiros meses de 2021, enquanto no período semelhante de 2020 esse número chegou a 591.

    A escalada da guerra urbana manauara também pode ser observada em outra dura constatação: em 2021, os casos de mortes violentas ultrapassaram o número de ocorrências do ano anterior com mais de três meses de antecedência. Isso porque em meados de setembro, a quantidade de homicídios chegou a 753, superando a barreira dos 657 assassinatos alcançados ao longo os doze meses de 2020.

    Só em outubro deste ano, último período com dados consolidados pela SSP, foram contabilizados 99 homicídios, enquanto no mesmo mês de 2020 o levantamento apontou 37 mortes, o que representa uma forte alta de 167%. 

    Duelo entre facções: a 'máquina' de matar gente

    Segundo um sargento, que não quis se identificar, da 8ª Companhia Interativa Comunitária (Cicom), responsável pelo patrulhamento ostensivo em um dos bairros violentos da cidade, a Compensa, na Zona Oeste de Manaus, o principal motivo para o aumento do número de mortes continua sendo a briga entre facções criminosas pela busca do domínio de territórios.

    “Não há dúvidas de que a principal causa desse aumento é disputa entre organizações criminosas em bairros da capital. Eram duas facções, o que já era terrível, agora são três em disputa por bocas de fumo: o Cartel do Norte (CDN), formada por antigos membros da Família do Norte, brigando com o Comando Vermelho (CV) que, por sua vez, rivalizam com o Primeiro Comando da Capital (PCC) de São Paulo”, afirmou o sargento.

    Como conta o policial, a briga entre as facções é diária e torna a segurança em Manaus fragilizada. “Um fica matando o outro por território, o que aumenta as taxas de violência da cidade. Ontem morreu um, a facção do PCC matou um integrante do Comando Vermelho. Outro dia um membro do CV mata um do PCC, e é isso todo o dia”, diz o sargento.

    Investimento em segurança

    Conforme Hilton Ferreira, especialista em segurança pública, para diminuir os índices de violência é necessário mais investimento e estratégias do poder público.

    "Quando se tem uma área dominada por traficantes, a morte vira motivo para tudo. Então morrem pessoas dos dois lados e a população acaba ficando no meio desse fogo cruzado. Por isso é necessário um combate muito duro na forma como essas organizações criminosas atuam, com inteligência e efetividade", diz Hilton Ferreira. 

    O especialista também destaca uma ação mais punitiva na lei, como também a importância de uma fiscalização mais rígida nas fronteiras.

    "É primordial uma legislação com penas mais fortes, incluindo o confisco de bens. Também são necessárias ações permanentes nas fronteiras brasileiras, por parte da Polícia Federal (PF). Sem estas ações, muitas cidades brasileiras, incluindo Manaus, recebem toneladas de drogas e armas, com consequências previsíveis, em que o crime organizado avança e as polícias estaduais acabam fazendo apenas o papel de enxugar gelo", explica o especialista em segurança pública.

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