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    Cantor Belo


    Apreendidas armas, dinheiro e computador na casa do cantor Belo

    Material estava dentro de um cofre e armas estão registradas legalmente em nome do cantor, preso em investigação sobre show com aglomeração na Maré -- supostamente com autorização do tráfico.

     

    Belo negou que tivesse cometido algum crime.
    Belo negou que tivesse cometido algum crime. | Foto: Reprodução

    A Polícia Civil do Rio apreendeu, durante a Operação ´"E o que eu Mereço", nesta quarta-feira (17), em um cofre encontrado na casa do cantor Belo, duas pistolas, munição, dinheiro em espécie e um computador. Segundo a investigação, as armas estão registradas no nome do artista, que tem posse de arma – ou seja, estão legalizadas.

    Em toda operação, incluindo outros imóveis onde a polícia esteve, foram apreendidos ao todo R$ 40 mil, 3.500 euros – o equivalente a R$ 22,8 mil.

    Show com aglomeração

    De acordo com a polícia, também foram presos dois produtores de um show que provocou aglomeração em uma escola municipal no Complexo da Maré, durante o feriado de carnaval. O chefe do tráfico da comunidade Parque União, onde ocorreu o evento, também teve mandado de prisão expedido, por ter autorizado a realização do evento.

    A polícia está investigando também a invasão ao colégio onde foi realizada a apresentação, sem a autorização da Secretaria Municipal de Saúde. Segundo investigadores, as salas de aula do Ciep 326 – Professor César Pernetta foram utilizadas como camarotes.

    Os alvos da operação vão responder pelos seguintes crimes:  infração de medida sanitária,crime de epidemia;invasão de prédio público;e associação criminosa .

    Belo negou que tivesse cometido algum crime.  "Até agora eu não entendi o que eu fiz para estar passando por essa situação. Quero saber qual o crime que eu cometi. Subi no palco e cantei", afirmou, ao sair da Cidade da Polícia, onde prestou depoimento. "Se eu não posso cantar para o público, a minha vida acabou." (Leia a íntegra da nota do cantor no fim da reportagem.)

    Operação 'É o que eu mereço'

    A operação se chama "É o que eu mereço", em referência a uma das músicas do cantor, que chegou à delegacia no Rio por volta das 15h30 desta quarta. Na chegada, ele afirmou que precisa "saber o que está acontecendo enquanto achar que cantar e fazer musica é crime".

    Gracyanne Barbosa diz que cantor cumpre medidas sanitárias

    Mulher de Belo, a modelo Gracyanne Barbosa, que visitou o cantor na Cidade da Polícia, após a prisão, postou um texto no Instagram. Ela argumentou que o marido "chega pela porta de trás nos locais de shows, vai direto ao camarim e entra no palco.  A modelo diz que o cantor sempre faz sua parte e tenta impedir aglomerações.

    Veja a Nota do Cantor Belo

    “O cantor Belo, sua família e equipe estão surpresos e consternados com o mandado de prisão preventiva cumprido pela Polícia Civil do Rio de Janeiro nesta quarta-feira, 17, no âmbito da investigação sobre a apresentação do músico em evento no último sábado, 13, no Complexo da Maré, Zona Norte da capital fluminense. O show foi legalmente contratado pela produtora Série Gold, conforme comprovam notas fiscais e outros documentos já entregues às autoridades.

    O espanto se dá em razão da prisão ter ocorrido mesmo após parecer contrário do Ministério Público (MP) e também da falta de isonomia quando se trata de apresentações artísticas durante a pandemia da Covid-19, pela qual Belo teve a saúde acometida há três meses e a agenda cancelada integralmente há um ano.

    Ciente da gravidade da crise sanitária, Belo pede desculpas por ter se apresentado em uma aglomeração. O cantor retomou há pouco uma agenda parcial de shows, com compromissos ainda insuficientes para reverter o prejuízo dos meses em que esteve impedido de trabalhar, enquanto indústria, comércio e outras atividades de lazer — inclusive as casas de show — voltaram a funcionar, ainda que com restrições. Como qualquer brasileiro, Belo é um cidadão com contas a pagar por meio de sua atividade profissional e sempre o fará sem distinções, principalmente de classe social.

    Completa o estado de choque do cantor o fato de que o evento de sábado não foi o primeiro e nem será o último em que aglomerações fugiram do controle dos organizadores. No entanto, chamou atenção das autoridades, de maneira mais expressiva, justamente um episódio na Maré, uma das maiores favelas cariocas, onde eventos culturais já são comumente reprimidos pela ideia de que os moradores de comunidades não merecem vivenciar a arte da mesma maneira do que aqueles que residem em áreas mais ricas da cidade. Ecoando o questionamento feito ao longo do dia nas redes sociais, a equipe de Belo também se pergunta se a situação seria a mesma caso o show ocorresse em bairros da Zona Sul e com artistas de gêneros musicais menos negligenciados do que o pagode. Um exemplo dessa distinção é o fato de não haver registro de prisões na interdição de um baile de carnaval realizado na mesma data, na Lagoa.

    Em seu show, Belo buscou, como feito em todos os trabalhos da carreira, a proteção de seu staff, dentro das escolhas que lhe cabiam. Os cuidados com o público eram de responsabilidade do contratante, bem como a escolha do local em que a apresentação ocorreu. Não havia conhecimento prévio, por parte do músico, de que o local em questão era a escola municipal Ciep 326. Pai de quatro filhos que estão ou já estiveram em idade escolar, Belo respeita a educação, principalmente a que acolhe crianças da periferia e não compactua com qualquer situação em que seja invadida e desrespeitada uma instituição de ensino.

    No mais, Belo e equipe informam que irão buscar reverter a prisão judicialmente, bem como comprovar, com o cantor em liberdade, sua inocência em relação ao caso”.

    Outras prisões:

    Belo já foi preso anteriormente por associaçao ao tráfico e negócio com armas.

    Leia mais:

    www.emtempo.com.br/ultimas