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    Condenação


    Mãe e padrasto que mataram bebê por ter feito xixi são condenados

    As agressões anteriores à morte de Ana Lívia Lopes da Silva foram descobertas durante a investigação

     

    A promotora criminal Luz Maria Romanelli explicou o motivo da condenação
    A promotora criminal Luz Maria Romanelli explicou o motivo da condenação | Foto: (Divulgação)

    A mãe e o padrasto de uma bebê de 3 anos, morta por ter urinado na cama, foram condenados em Minas Gerais. O crime ocorreu em 2018, mas somente na madrugada de hoje o casal foi a júri popular.

    Por homicídio quadruplamente qualificado e homicídio por omissão, os jurados decidiram que Christhopher Anthony Tavares Coelho e Letícia Lopes Fonseca devem cumprir 32 e 29 anos de prisão, respectivamente, em regime inicialmente fechado.

    A promotora criminal Luz Maria Romanelli explicou o motivo da condenação. "É um caso de muita crueldade. Em 17 anos de carreira, nunca vi uma coisa igual. A menina era agredida e torturada por ele e a mãe, porque ela tinha conhecimento", disse.

    Segundo a promotora, as agressões anteriores à morte de Ana Lívia Lopes da Silva foram descobertas durante a investigação.

    "Ela chegava machucada na creche e o Conselho Tutelar chegou a ser acionado. Na investigação, os celulares foram apreendidos e as mensagens chegam a ser monstruosas. Eles descrevem as torturas ao se comunicarem e perguntam se ela havia melhorado ou se continuava nos castigos", continuou.

    No dia da morte, em 15 de junho de 2018, a criança agonizou por dez horas antes de ser levada a uma unidade de saúde.

    "A criança foi agredida às 8h. Passou o dia vomitando sangue. E só foi levada ao hospital às 18h, depois desmaiar. Chegou ao hospital em estado gravíssimo, com hemorragia crânio-encefálico e costelas quebradas. E a mãe passou o dia todo vendo o sofrimento da filha", acrescentou.

    Em depoimento, segundo a promotora, os dois confessaram que tinham consciência do que faziam com a menina. "A frieza impressiona. Ele chegou a dizer que dava banho gelado nela porque ela gostava de banho quente. E a menina ainda se sentia culpada pelos castigos. A última fala da criança foi: 'Mamãe, eu não vou fazer mais isso'. E eles continuaram até que ela não resistiu", disse.

    Christhopher Anthony Tavares Coelho e Letícia Lopes Fonseca já estão nas respectivas penitenciárias onde cumprirão pena. De acordo com a promotora Luz Maria, eles estão em celas isoladas, uma vez que os outros detentos não estão tolerando a presença dos dois.

    A promotora encerrou dizendo que eles ainda podem recorrer da decisão, mas não poderão aguardar o julgamento do recurso em liberdade.

    Procurada, a advogada Karla Felisberto, que defendeu Letícia Lopes, informou que já esperava pela condenação e que a mãe da vítima se arrepende da omissão.

    "Ela se mostra conformada com a condenação. Inclusive, confidenciou que nenhuma pena será maior que o sentimento de culpa que carregará para o resto da vida", relatou a defensora.

    A advogada acrescentou que ainda está analisando se vai ou não recorrer da decisão. O UOL não conseguiu contato com a defesa de Christhopher Anthony Tavares.

    Entenda o caso

    No dia 15 de junho de 2018, Ana Lívia deu entrada na Santa Casa de Poços da Caldas (MG) em estado gravíssimo. A unidade registrou que a menina tinha lesões pelo corpo todo. Ela não resistiu aos ferimentos.

    Na época, o laudo da morte descreveu "contusão por instrumento contundente". Os médicos indicaram que tais lesões só poderiam ter sido causadas por socos e pontapés.

    Foi aberta uma investigação que apontou que a garota havia sido agredida pelo padrasto, Christhopher Anthony Tavares Coelho, como castigo por ter urinado na cama. Após a conclusão do inquérito, a mãe da vítima, Letícia Lopes Fonseca, também foi indiciada, por omissão.

    A investigação apontou que ela tinha conhecimento das torturas e agressões que a criança sofria. Naquele ano, as avós de Ana Lívia chegaram a pedir a guarda da menina, pelos indicativos de que ela sofria violência, mas a criança morreu antes que houvesse uma avaliação do pedido.

    *Com informações do UOL

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