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    “Geleião”, um dos fundadores do PCC, morre de Covid-19 em SP

    Veja o perfil do homem que entregou parceiros do crime e foi expulso do PCC por traição

     

    A SAP informou, em nota, que "foi registrado boletim de ocorrência e os familiares do reeducando foram comunicados do óbito"
    A SAP informou, em nota, que "foi registrado boletim de ocorrência e os familiares do reeducando foram comunicados do óbito" | Foto: Nilton Fukuda/Estadão Conteúdo/Arquivo

    De acordo com o monitoramento do Conselho Nacional de Justiça (CNJ), somente nos primeiros 67 dias de 2021, ocorreram 58 mortes por Covid-19 entre servidores e pessoas em privação de liberdade, totalizando 308 óbitos no Brasil. 

    José Márcio Felício, de 60 anos, o Geleião, um dos fundadores do PCC (Primeiro Comando da Capital), morreu em decorrência de complicações da covid-19, nesta segunda-feira (10), em São Paulo. A informação foi confirmada pela SAP (Secretaria de Administração Penitenciária).

    Ele estava internado desde o dia 9 de abril. Ele era integrante da alta cúpula da facção criminosa e era o último fundador do PCC que ainda estava vivo. 

    A SAP informou, em nota, que "foi registrado boletim de ocorrência e os familiares do reeducando foram comunicados do óbito".

    Perfil do criminoso

    Geleião foi preso no 10 de maio de 1979. Ele e José Rubens Dias, o Binho, foram acusados de roubar e estuprar a estudante E.M.M. no Jardim Tietê, zona leste da cidade de São Paulo.

    Na época, Geleião e Binho abordaram a vítima na rua Versínio Pereira de Souza, por volta da 0h10, quando ela voltava da escola e a arrastaram para um terreno baldio.

    Segundo o MPE (Ministério Público Estadual), Geleião e Binho roubaram, o que na época custava, 250,00 cruzeiros e a estupraram. A jovem ninsei era virgem, levou uma facada no pescoço e conseguiu sobreviver ao ataque.

    Geleião foi o primeiro a estuprá-la enquanto o parceiro vigiava o local. Depois, Binho passou a violentar a estudante.

    A vítima reconheceu Geleião porque ele morava nas imediações da casa dela. Os criminosos foram presos e, para a Polícia Civil, Geleião, fundador da facção, quebrou dois códigos de ética da bandidagem.

    Primeiro atacou uma vítima no mesmo bairro onde morava. E depois ainda a estuprou, cometendo assim um crime intolerável para a massa carcerária.

    Segundo o MPE, Geleião conseguiu esconder a condenação de estupro na cadeia e, junto com outros sete presos, criou o PCC em 31 de agosto de 1993, na Casa de Custódia e Tratamento de Taubaté.

     

    | Foto: Reprodução

    Em 2002, Geleião delatou parceiros de crime, foi excluído do PCC e, desde então, passou a ser jurado de morte, como uma espécie de “troféu” para quem conseguisse matá-lo. 

    A pena do criminoso somava 142 anos, seis meses e 15 dias de reclusão em regime fechado. Apesar da delação premiada, Geleião não conseguiu nenhum benefício da Justiça.

    Geleião também fundou, em Osvaldo Cruz, o TCC (Terceiro Comando da Capital) com César Augusto Roriz Silva, o Cesinha, outro fundador do PCC, assassinado em agosto de 2006 na Penitenciária 1 de Avaré. José Márcio Felício é, sem sombra de dúvidas, um dos condenados que está há mais tempo preso no Brasil.


    PCC em Manaus

    A facção criminosa luta por espaço contra o Comando Vermelho (CV) e Família do Norte (FDN). Em 2020, execuções foram registradas na capital durante a guerra do tráfico no Amazonas. Ligações envolvendo integrantes das facções demonstravam cadastro de novos membros e batismos. 

    *Com informações da Ponte

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