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    Impeachment


    "Super pedido" de impeachment causa desconforto à base de Bolsonaro

    O documento envolve, entre os 123 outros pedidos semelhantes, a suspeita de prevaricação de Bolsonaro no caso de supostas irregularidades na compra da Covaxin, vacina indiana contra a Covid-19.

     

    Com 45 assinaturas, o documento conta com o apoio de uma frente ampla na Câmara dos Deputados, envolvendo figuras de esquerda, direita e centro
    Com 45 assinaturas, o documento conta com o apoio de uma frente ampla na Câmara dos Deputados, envolvendo figuras de esquerda, direita e centro | Foto: Divulgação

    Brasília - Após reviravoltas na CPI da Pandemia ao longo das últimas semanas, partidos políticos, movimentos sociais e parlamentares uniram-se, nesta quarta-feira (30), em um "super pedido" de impeachment ao presidente da República, enfatizando 23 possíveis crimes de responsabilidade cometidos por Jair Bolsonaro (sem partido).

    Com 45 assinaturas, o documento conta com o apoio de uma frente ampla na Câmara dos Deputados, envolvendo figuras de esquerda, direita e centro - incluindo ex-apoiadores de Bolsonaro, como é o caso dos deputados federais Alexandre Frota (PSDB-SP), Joyce Hasselmann (PSL-SP) e Kim Kataguiri (DEM-SP).

      "A minha legalidade não é seletiva, e Bolsonaro conseguiu fazer, em dois anos e meio, o pior governo da história desse país. Eu fui a primeira da direita, e fui líder desse monstro, a sair quando a popularidade dele estava aqui [em cima]", disse Hasselmann, na ocasião.  

    O "super pedido" contém 123 outras solicitações de impeachment já apresentados à Câmara, desde o início do mandato do presidente, ainda em 2019. O mais recente deles, por sua vez, envolve a suspeita de prevaricação de Bolsonaro no caso de possíveis irregularidades na compra da Covaxin, vacina indiana contra a Covid-19.

    A repercussão na oposição se deu logo após o grave testemunho dos irmãos Luis Ricardo e Luis Cláudio Miranda na última sexta-feira (28), que denunciaram negociações controversas na compra das vacinas e possível superfaturamento na compra dos imunizantes.

    Irmãos Miranda

    Servidor de carreira no Ministério da Saúde, Luis Ricardo afirmou na última sexta-feira (28), durante depoimento na CPI, que sofreu pressão incomum para assinar o contrato, ainda em abril deste ano. Em seguida, os irmãos teriam entrado em contato com o presidente para relatar a situação. Segundo os irmãos, Bolsonaro teria se comprometido a acionar a Polícia Federal para as devidas investigações. Meses depois do ocorrido, as medidas, no entanto, nunca foram tomadas pelo Planalto.

    Após horas de depoimento, Luis Ricardo Miranda cedeu à pressão do colegiado e confessou o nome do personagem supostamente envolvido na compra das vacinas: Ricardo Barros, líder do Governo na Câmara. E para a base governista na Câmara, a possibilidade do "super pedido" contou com muitos posicionamentos contrários. Para o deputado federal Carlos Jordy (PSL-SP), o documento tem carimbo da “nova esquerda, da esquerda derretida, e de pessoas que já estão caindo no ostracismo político".

    “Não tem fundamento, não tem crime de responsabilidade. E eles se agarraram em diversas questões que são levantadas pela extrema imprensa, por grande parte da imprensa, pela oposição, falando de supostos casos de corrupção que sequer houve uma investigação para comprová-los”, disse Jordy, nesta quinta-feira (1º).

    Para que o processo tenha continuidade, é preciso de aprovação do presidente da Câmara Arthur Lira (PP-AL). O parlamentar, no entanto, é conhecido pela apresentação de projetos, emendas e matérias ligadas à base de Bolsonaro. Nas redes sociais, Lira comentou a solicitação da frente ampla.

      "Impeachment como ação política a gente não faz com discurso, a gente faz com materialidade, que por enquanto ainda não se comprovou. Vamos esperar a CPI, que está fazendo um belíssimo trabalho, bem imparcial", disse, na noite desta quarta-feira (30).  

    Apoio no Amazonas

    A instabilidade do Executivo teve início em maio deste ano, quando a Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) do Senado começou a investigar possíveis omissões do governo federal durante o enfrentamento à crise sanitária de Covid-19 no país. Em janeiro, a situação se agravou no Amazonas, quanto o estado viveu um dos piores momentos da pandemia.

    Lotadas e sem oxigênio, as UTIs de Manaus e do interior do Amazonas entraram em colapso, enquanto centenas de pacientes sofriam com falta de ar, dentro e fora dos hospitais. À época, cerca de 3.556 pessoas morreram pela doença, conforme dados divulgados pela Fundação de Vigilância Sanitária (FVS-AM).

    E apesar das duras críticas, o presidente da República ainda conta com a simpatia de muitos parlamentares do Amazonas. Eleitos em 2018 em um movimento político conservador, políticos da região partem em defesa de Bolsonaro, após o episódio do depoimento dos irmãos Miranda. É o caso do deputado federal Capitão Alberto Neto (Republicanos), vice-líder do governo na Câmara.

      "Sobre a corrupção, o presidente não teme. Ditado militar: quem for podre, que se arrebente. Vamos investigar tudo, diferente de governos anteriores que colocavam a sujeira embaixo do tapete. Vamos investigar, e não vamos aceitar corrupção no governo Bolsonaro", afirmou no plenário da Casa, na última quarta-feira (30).  

    Consonante ao colega, Coronel Menezes (Patriotas) também é um dos que criticam recorrentemente a CPI.

    "O Congresso nacional, infelizmente, está permeado de parlamentares absolutamente desqualificados e que querem voltar ao poder de qualquer jeito. Não vai prosperar nada nesta direção, simplesmente porque temos um presidente honesto e comprometido com o Brasil”, afirmou Menezes, por meio as redes sociais.

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