Guerra entre Facções


Execução de 'Melk' foi a mando do traficante 'Mano Kaio', diz polícia

Melkzedek foi morto com 27 tiros após sair de um baile funk

A polícia do Amazonas concluiu que a facção criminosa rival da Família do Norte (FDN) é chefiada por Mano Kaio | Foto: Divulgação

Manaus – A execução de Melkzedek Monteiro de Oliveira, de 33 anos, mais conhecido como “Melk”, ocorrida na madrugada deste domingo (23), no bairro Mauazinho, Zona Leste de Manaus, foi a mando do traficante Kaio Wuellington Cardoso dos Santos, o “Mano Kaio”, conforme informações de fontes policiais ligadas à cúpula de Segurança Pública do Estado do Amazonas. (SSP-AM). 

A articulação da ação criminosa foi coordenada pelo braço direito de Mano Kaio, identificado como “Chibé”, conforme identificou o serviço de inteligência do Departamento de Repressão ao Crime Organizado (DRCO). A polícia informou que o ataque aconteceu após Melk deixar um baile funk, que estava sendo realizado na rua Santa Luzia com a avenida Rio Negro para ir buscar uma quantia em dinheiro não revelada. 

"Ele foi surpreendido a tiros por traficantes do Comando Vermelho (CV), que já aguardavam do lado de fora", informou a fonte. A polícia do Amazonas concluiu que a facção criminosa rival da Família do Norte (FDN) é chefiada por Mano Kaio, um dos 35 foragidos do Centro de Detenção Provisória Masculino 2 (CDPM-2), localizado no quilômetro 8 da BR-174. A fuga ocorreu no dia 12 de maio deste ano por meio de um túnel.

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Durante a emboscada que resultou na morte de Melk, ele trocou tiros com os traficantes rivais e acabou fuzilado com 27 tiros, que atingiram rosto, cabeça e demais partes do corpo, conforme laudo preliminar do Instituto Médico Legal (IML). Populares ainda socorreram Melk até à unidade do Hospital e Pronto-Socorro (HPS) João Lúcio, na Zona Leste, mas não resistiu aos ferimentos. 

A polícia informou que, após o tiroteio, um dos suspeitos envolvidos no atentado foi preso pela Polícia Militar do Amazonas (PM-AM). Com o homem, que não teve o nome revelado, os PMs apreenderam uma arma de fogo. Ele foi apresentado no 14º Distrito Integrado de Polícia (DIP), central de flagrantes da Zona Leste, onde negou a participação dele na execução de Melk.

Ficha criminal

Apontado como aliado importante de João Pinto Carioca, o “João Branco”, um dos fundadores da Família do Norte (FDN), Melk articulava ações criminosas como sucessor do narcotraficante, que está preso em regime fechado no presídio federal de Catanduvas localizada a 476 quilômetros de Curitiba, na região oeste do Paraná (PR).

João Branco foi condenado a 30 anos e dois meses de prisão em regime fechado pelos crimes de homicídio qualificado e associação armada pela morte do delegado Oscar Cardoso, ocorrido em março de 2014. 

Informações obtidas com a polícia apontam que Melk possuía uma longa ficha criminal e era considerado um dos chefes do tráfico de drogas no bairro Mauazinho, além de responder a um processo na Justiça por homicídio ocorrido em 2007.

Quatro anos depois, ele foi preso juntamente com a mãe, a educadora Olgarina Monteiro de Oliveira, de 43 anos, pela Polícia Militar, durante o velório de outro traficante executado a tiros. Com ele, os policiais militares apreenderam um revólver calibre 38 com munições e porções de entorpecentes. 

Em 2013, Melk voltou a ser preso durante o cumprimento de mandado judicial pelo assassinato de Fabrício Nascimento de Souza, ocorrido no dia 22 de março daquele mesmo ano. A morte foi motivada por acerto de contas, devido a vítima não ter efetuado o pagamento de R$ 3 mil, acumulada pela compra de drogas. Melk também era investigado por outros três homicídios, também praticados no bairro Mauazinho. 

No ano de 2016, Melk foi preso novamente, desta vez durante a operação deflagrada pela Secretaria Executiva Adjunta de Operações (Seai), na época sob o comando do delegado Mário Paulo Teles. O delegado afirmou que Melk recebia ordens diretas de João Branco, mesmo encarcerado, para concluir ações criminosas da facção. 

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