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    investigação


    'Sabia que meu filho não tinha se matado', diz mãe de criança baleada

    Ioseeph da Silva, de 9 anos, foi declarado morto no último dia 11 de março deste ano. Enquanto integrantes da família apontaram que ele havia atirado por acidente em si mesmo, a perícia mostrou uma versão diferente

    Mãe de criança morta não acredita nas investigações apuradas pela polícia
    Mãe de criança morta não acredita nas investigações apuradas pela polícia | Foto: Ione Moreno/Em Tempo

    Manaus - "Meu filho nunca segurou aquela arma. Ele não se matou e eu sempre soube disso. Não fiquei surpresa quando a promotora apontou o resultado das investigações. Tudo foi uma negligência muito grande com o meu filhinho". São palavras da atendente de lanchonete Paulina Bismark, mãe de Ioseeph Bismark da Silva, de nove anos, morto no último dia 11 de março de 2018.

    Na época, veículos de comunicação locais divulgaram que o menino pegou a arma do pai, o policial militar José Ribamar Ribeiro, e acidentalmente disparou contra si, seguindo informações preliminares de parentes da madrasta da vítima. Laudos investigativos, contudo, mostraram uma causa diferente da informada pelas testemunhas.

    Segundo o depoimento coletado pela Polícia Civil (PC), o menor, no momento da morte, estava acompanhado de um amigo, também de nove anos, irmão da namorada do PM.

    "Ele me desafiou ao pegar a arma do pai dele. Disse que se não o fizesse, seria um galinha. Me estiquei e peguei na prateleira de cima. Quando tirei a capa, ela disparou. Só depois vi que tinha acertado o Ioseeph", relatou o menor.

    O menino estava com o cunhado do pai, de nove anos, quando foi atingido, conforme a perícia
    O menino estava com o cunhado do pai, de nove anos, quando foi atingido, conforme a perícia | Foto: Arquivo Pessoal

    Para a mãe do menor, o filho nunca teria feito isso. No dia 11 de março, ela disse ao Em Tempo que foi avisada que Ioseeph estava no HPS Joãzinho, Zona Leste, mas não sabia o motivo. Chegando lá, os médicos a notificaram da morte acidental do filho por ferimento de bala, momento em que ela ficou indignada.

    "Sempre orientei ele sobre o que podia ferir. Nós víamos reportagens policiais juntos e ele sabia o que uma arma podia fazer. Meu filho tinha medo de morrer. Ele não iria se meter em acidentes assim. Sabia que ele não se matou, como disseram no início, mas não acredito que ele tenha provocado o outro colega numa brincadeira assim", defendeu.

    Na ação em tramitação na 15ª Vara do Juizado Especial Criminal, José foi denunciado por omissão de cautela, quando um adulto não impede um menor de idade de se apoderar de uma arma de fogo. Para Paulina, nenhuma punição é válida, já que seu filho não vai voltar à vida.

    "O que adianta agora? Apesar de, pessoalmente, considerar muita negligência de quem estava na casa, nada mais do que se pode fazer consegue trazer meu filho de volta", se emocionou. O Ministério Público (MP) concordou com a defesa de José e pediu a aplicação do perdão judicial.

    Defesa do PM

    O advogado de José, Orlando Botelho Bentes, explicou que a Corte considerou o ato em si mais grave que qualquer condenação penal, permitindo o abono da punição.

    "O pai não era um homem negligente. Desde então, ele pensou em se matar e se afastou do trabalho pelo trauma do acidente. Está fazendo acompanhamento psicológico, inclusive", comentou.

    "Nada vai trazer meu filho de volta à vida", se emocionou
    "Nada vai trazer meu filho de volta à vida", se emocionou | Foto: Ione Moreno/Em Tempo

    À polícia, José informou que no dia da morte do filho, guardou a arma em uma prateleira alta escondida atrás de objetos, e que nunca a expunha em casa. "Acredito que a Justiça foi pelo melhor caminho. É uma tragédia familiar que impactou todos. Os pais do Ioseeph foram os mais atingidos. Todos foram vítimas", finalizou Orlando. 

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