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    Operação Asfixia


    MPE-AM investiga 'mensalinho' a traficantes da FDN e a agentes da SSP

    Os traficantes Alan Barbosa Rolim e Márcio Lopes Carneiro, o "Márcio Doido", seriam os mentores intelectuais do massacre que ocorreu nas unidades prisionais em maio deste ano

    Os suspeitos tiveram a prisão decretada durante a operação "Asfixia", deflagrada pelo Ministério Público do Amazonas (MPAM), nesta quinta-feira (15) | Foto: Izaías Godinho

    O promotor de justiça Flávio Mota, que integra o Grupo de Atuação Especial de Repressão ao Crime Organizado (Gaeco), do Ministério Público do Estado do Amazonas (MPE-AM), afirmou que os traficantes Alan Barbosa Rolim e Márcio Lopes Carneiro, o "Márcio Doido", seriam os mentores intelectuais do massacre ocorrido nas unidades prisionais do Estado em maio deste ano, que resultou na morte de 55 detentos. Os suspeitos tiveram as prisões decretadas durante a operação "Asfixia", deflagrada pelo órgão estadual, nesta quinta-feira (15).

    O promotor acrescentou que o irmão de Alan, Anderson Barbosa Rolim, que também teve a prisão decretada, é envolvido com o tráfico e venda de entorpecentes em uma facção. Conforme levantamento do Portal Em Tempo, a facção criminosa, embora o MPE-AM não tenha revelado, se trata da Família do Norte (FDN). Flávio Mota disse, ainda, que as investigações começaram em dezembro de 2018, quando o Ministério Público interceptou mensagens trocadas entre os membros da organização criminosa.  

    Além dos três mandados de prisão, o promotor afirmou que sete mandados de busca e apreensão foram expedidos na capital
    Além dos três mandados de prisão, o promotor afirmou que sete mandados de busca e apreensão foram expedidos na capital | Foto: Leonardo Mota

    Além dos três mandados de prisão, o promotor afirmou que sete mandados de busca e apreensão foram expedidos na capital. “Alan desempenhava, dentre outras ações na facção, a centralização e a organização do dinheiro que os membros pagam mensalmente. Ele também realizava pagamentos aos filiados da facção e coordenava homicídios na capital”, frisou Flávio Mota, acrescentando que os valores arrecadados eram revestidos para o auxílio de despesas das famílias dos presos. O promotor revelou que "Márcio Doido" está preso em uma unidade prisional de Mossoró, no Rio Grande do Norte (RN).

    Conforme o promotor, os mandados de busca estão sendo cumpridos em residências de pessoas ligadas aos três envolvidos. Nos endereços consta uma casa no bairro Compensa, Zona Oeste de Manaus, que foi vistoriada e foram apreendidos aproximadamente R$ 3 mil. Flávio Mota acrescentou, também, que 300 mandados judiciais foram expedidos dentro do território brasileiro, todos relacionados ao andamento das investigações da operação "Asfixia".

    Outros mandados de prisão vão ser expedidos no decorrer das investigações
    Outros mandados de prisão vão ser expedidos no decorrer das investigações | Foto: Leonardo Mota

    A procuradora-geral do Estado, Leda Mara Albuquerque, frisou que outros mandados de prisão vão ser expedidos no decorrer das investigações, que apontam indícios da participação de agentes de segurança pública no Amazonas - entre as policiais Civil, Militar, que integram à Secretaria de Segurança Pública do Estado (SSP-AM) - atuando na facção criminosa. 

    “Constatamos associação criminosa de pessoas que deveriam resguardar a segurança da população. Nas investigações, verificamos atores guardiões da sociedade agindo também em conjunto com as organizações criminosas”, disse a promotora, acrescentando que a operação tem como objetivo sufocar as ações da facção, com a prisão dos líderes.

    Além do Amazonas, as ações desta quinta-feira são realizadas simultaneamente nos estados Acre, Alagoas, Amapá, Bahia, Ceará, Mato Grosso do Sul, Pernambuco e Rio de Janeiro. Com auxílio de forças policiais, os Gaecos de cada um desses estados cumprem mandados de prisão e de busca e apreensão contra integrantes de grupos criminosos.

    Alan Barbosa Rolim foi preso em 2008, suspeito de comandar uma boca de fumo, durante uma ação do Comando de Policiamento de Área (CPA), na Zona Oeste. Ele foi preso com 12 trouxinhas de pasta base de cocaína e acabou autuado por tráfico de drogas.

    SSP-AM

     Procurada pela reportagem, a  SSP-AM informou por meio de nota que não foi notificada à respeito das suspeitas, mas frisou que o sistema de segurança não compactua com atos ilícitos praticados por policiais e, caso haja denúncias a respeito, serão investigados e punidos.