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    Denúncias


    Estupros de crianças no AM ainda são abafados por famílias, diz PC

    Essa tendência mostra que a vítima tem ganhado voz e apoio, porém muitos casos não chegam até as autoridades, resultando em casos abafados

    Dados divulgados pelo Anuário de Segurança Pública do ano passado apontam que um dos principais alvos de abuso sexual no Brasil são crianças de até 14 anos, caracterizando o crime como estupro de vulnerável | Foto: Divulgação

    Dados divulgados pelo Anuário de Segurança Pública do ano passado apontam que um dos principais alvos de abuso sexual no Brasil são crianças de até 14 anos, caracterizando o crime como estupro de vulnerável
    Dados divulgados pelo Anuário de Segurança Pública do ano passado apontam que um dos principais alvos de abuso sexual no Brasil são crianças de até 14 anos, caracterizando o crime como estupro de vulnerável | Foto: Divulgação

    Manaus – A alta frequência de crimes sexuais vindo à tona nas últimas semanas tem revelado que os agressores convivem junto às vítimas, em ambientes que deveriam promover proteção, como a família, escola ou igreja.

    Dados da Secretaria de Segurança Pública do Amazonas (SSP-AM) apontam uma redução de 15% nos casos de estupro na comparação com o mesmo período de 2018. De janeiro a março, foram notificados à polícia 345 casos deste crime sexual na capital amazonense, 60 a menos que em igual período do ano passado. De janeiro a março deste ano, 30 pessoas acusadas do crime foram presas.

    Essa tendência mostra que a vítima tem ganhado voz e apoio, porém, muitos casos não chegam até as autoridades, resultando em casos subnotificados. Ou seja, denúncias abafadas.

    Dados divulgados pelo Anuário de Segurança Pública do ano passado apontam que um dos principais alvos de abuso sexual no Brasil são crianças de até 14 anos, caracterizando o crime como estupro de vulnerável.

    A titular da Delegacia Especializada em Proteção à Criança e ao Adolescente (Depca) Joyce Coelho ressalta o aprofundamento das denúncias em contexto familiar registradas na unidade policial que, além de investigar crimes de violência sexual, também apura ocorrências de violência física, maus tratos e exploração infantil.

    “A contagem dos casos de estupros de vulnerável é baseada apenas naqueles que chegam até nós. Infelizmente existem denúncias que não vem a público, tornando difícil padronizar esses números com média nacional. Existem casos que foram notificados apenas na escola, a família não quis denunciar“.

    A titular da Delegacia Especializada em Proteção à Criança e ao Adolescente (Depca) Joyce Coelho ressalta o aprofundamento das denúncias em contexto familiar registradas na unidade policial
    A titular da Delegacia Especializada em Proteção à Criança e ao Adolescente (Depca) Joyce Coelho ressalta o aprofundamento das denúncias em contexto familiar registradas na unidade policial | Foto: Divulgação

    Importância da denúncia

    “Quando as denúncias chegam até nós por meio do Conselho Tutelar, diretamente da família quando comparece até a delegacia ou de modo anônimo, é realizada uma mediação entre a vítima e uma equipe especializada composta por delegadas, psicólogos e assistentes sociais que ouvem a vítima e analisam como o fato ocorreu”, contou a advogada.

    Após essa acareação, é possível determinar assim o tipo penal que se adequa o crime, a atuação da equipe nas investigações e os cuidados com a vítima. Esse procedimento realizado por delegadas experientes é o mais aconselhável, pois o protocolo garante a confiabilidade dos depoimentos prestados.

    “Precisamos desse procedimento para nos convencer do que de fato aconteceu, pois uma criança de até 5 anos não tem a mesma maturidade emocional para relatar o fato do que uma criança de 12 anos. Por essa razão, precisamos ter esse cuidado com o corpo de psicólogos, assistentes sociais avaliando a questão para que possamos definir qual é o tipo penal”, finaliza a delegada.

    Como denunciar?

    As denúncias podem ser feitas de forma anônima por meio do telefone 181, o disque-denúncia da SSP-AM. A DEPCA fica na rua Via Láctea, conjunto Morada do Sol, bairro Aleixo. A unidade funciona 24 horas por dia e o telefone é o (92) 3656-8575.