Fonte: OpenWeather

    Crimes


    Mapa do crime: AM apresenta redução de 16% no número de homicídios

    Dados da SSP-AM revelam que só em Manaus foram registrados mais de 500 assassinatos

    Amazonas apresenta queda na taxa de homicídio
    Amazonas apresenta queda na taxa de homicídio | Foto: Arquivo Em Tempo Ricardo Oliveira

    Manaus - O Amazonas apresenta uma queda em 16% nos casos de homicídios registrados de janeiro a agosto de 2019 em comparação ao mesmo período do ano passado. Nos oito primeiros meses deste ano foram registrados 624 casos de homicídios e em 2018, no mesmo período, foram registrados 748 casos, de acordo com a Secretaria de Segurança Pública do Estado (SSP-AM). Os dados são retratos de uma sociedade a mercê do crime, onde o cenário é resultado de algumas problemáticas que o Amazonas enfrenta geograficamente e socialmente.

    De acordo com o levantamento realizado pelo Atlas de Violência 2019, o Amazonas apresentou um crescimento de 134,1% dos casos de homicídio entre 2007 com 715 casos no ano para 1,6 mil casos em 2017. O Atlas destaca que a população neste período também apresentou um crescimento e especifica que os crimes que ocorriam somente na região metropolitana, atualmente foram expandidos para as cidades do interior "que acompanhou um processo nacional de interiorização do crime para as cidades pequenas", destaca o levantamento. 

    Além de Manaus, os demais municípios que contabilizaram altos índices de homicídios foram: Manacapuru, Itacoatiara, Rio Preto da Eva, Presidente Figueiredo, Iranduba, Careiro Castanho e Beruri com os maiores índices de violência de acordo o mapa abaixo.

    Mapa da quantidade homicídios por município no Amazonas
    Mapa da quantidade homicídios por município no Amazonas | Foto: Desireé Souza

    Outros municípios que contabilizaram homicídios foram: Nova Olinda do Norte e Eirunepé com quatro homicídios cada município, seguidos por Novo Airão, Caapiranga, Autazes e Tabatinga que registraram três homicídios cada município. E Codajás, Envira, Parintins, Manaquiri, Maués e Careiro da Várzea  com dois casos de homicídios cada município; Seguidos por Silves, Atalaia do Norte, Novo Aripuanã, Tefé, Boa Vista do ramos, Coari, Carauari, Borba, Anorí, Urucurituba, Jutaí e Lábrea com um homicídio cada. 

    De acordo com o SSP-AM os demais municípios do Amazonas não possuem dados registrados.

    Geograficamente, o Amazonas apresenta 62 municípios em seu território. Somente a capital manauara apresenta um ritmo acelerado de crescimento na verticalização do município com mais de 50 bairros e mais de dois milhões de habitantes, de acordo com dados do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) de 2010, que destaca as Zonas Norte e Leste como as mais habitadas da capital em seguida das Zonas Sul, Oeste, Centro-Sul e Centro-Oeste. 

    Para o sociólogo, Luiz Fernando, um dos fatores centrais desse alto índice de violência está relacionado ao modelo e condições de trabalhos que as cidades apresentam. "As condições de trabalho são precarizadas, as cidades cresceram sem planejamento efetivo, sem política habitacional muito democrática. Não existe uma preocupação nesse processo de urbanização e industrialização da Amazônia ocidental com uma política de distribuição de renda. Na década de 80 e 90, as taxas de emprego eram maiores e a violência era menor", destaca.

    Luiz Fernando destaca que o interior é um reflexo desse processo, aliado a falta de políticas públicas investidas. "Particularmente, no interior do Amazonas, o Estado não se enraizou como políticas públicas e sociais que criassem condições de fixação para condições sociais efetivas de acordo com uma sociedade desenvolvida. Esse estado desenvolve, mas não faz com que as comunidades vivam de forma digna. Então assim, o interior se tornou um campo vasto para violência, o que reflete nos casos e lixamentos, ataque as instituições públicas", explica. 

    Violência contra mulher e Feminicídio 

    O Brasil ocupa a quinta posição no ranking de países que mais mata mulheres no mundo. E de acordo com dados do Conselho Nacional de Justiça (CNJ), o Amazonas é o terceiro estado brasileiro que tem altas taxas de feminicídio.

    De janeiro a agosto de 2019, o Amazonas registrou 11 casos de feminicídio, que é a morte de mulheres por questões de ódio, conhecido desde 2015 devido a Lei do feminicídio que tipifica o feminicídio como crime hediondo no Brasil, aumentando a pena para os autores deste crime.

    Feminicídio é o termo usado para denominar assassinatos de mulheres cometidos em razão do gênero, ou seja, quando a vítima é morta por ser mulher. Um crime é considerado feminicídio quando for cometido contra uma vítima por ela ser do sexo feminino. Segundo a lei, para ser considerado feminicídio, as situações devem envolver violência doméstica e familiar ou menosprezo ou discriminação à condição de mulher. Mas o que isso significa exatamente? Significa que houve uma situação de dominação ou humilhação, sendo o autor do crime conhecido ou não da vítima.

    Em Manaus, existem três delegacias destinadas à proteção da mulher, uma localizada na Avenida Mário Ypiranga, no bairro Parque 10 de Novembro, Zona Centro-Sul da capital, uma localizada no bairro Cidade de Deus, Zona Norte de Manaus, e mais uma nova delegacia no bairro Colônia Oliveira Machado, Zona Sul da capital. 

    De acordo a delegada titular da Delegacia Especializada em Crimes Contra a Mulher (DECCM), Débora Mafra, as mulheres estão cada vez mais depositando confiança na Justiça e nas medidas protetivas previstas na Lei Maria da Penha. “Elas estão vendo que as outras mulheres que denunciam possuem um resultado na Justiça e isso encoraja outras mulheres a denunciar também. Ela começa a ver que por exemplo, alguma vizinha denunciou e obteve resultados e ela denuncia também. E nossa ação tem sido fundamental nesse processo", explica Débora.

    A delegada também destaca que os casos de violência contra mulher têm sido mais denunciados pelas vítimas na capital. “Podemos analisar que somos uma capital que está em número estável em relação a dados de feminicídio e violência contra mulher. E nos casos de feminicídios registrados, algumas das vítimas não tinha registrado denúncia", diz. 

    Delegada Debora Mafra destaca que mais vítimas denunciam a violência contra a mulher
    Delegada Debora Mafra destaca que mais vítimas denunciam a violência contra a mulher | Foto: Arquivo Em Tempo/ Márcio Melo

    Um exemplo de violência contra mulher é a dona de casa, de 30 anos que prefere não se identificar, vítima de violência doméstica, tendo seu ex-companheiro como agressor. "Ele nunca tinha me agredido fisicamente, mas ameaçava. E até que um dia ele me bateu na frente da nossa filha pequena, foi quando a esposa do meu irmão me levou até a delegacia da mulher e eu prestei depoimento contra ele, mudei para a casa dos meus pais e separei dele", destaca. 

    Além das vítimas, os casos de violência doméstica podem ser denunciados por vizinhos, familiares ou amigos de forma sigilosa por meio do Disque 181, telefone de denúncias da SSP-AM. 

    Latrocínios teve queda de 30,7%

    Os casos de latrocínio  apresentaram queda de 30,7% no primeiro trimestre de 2019 em comparação ao mesmo período de 2018, de acordo com dados divulgados pela SSP-AM. Neste ano, foram registrados nove roubos seguidos de morte na capital.

    O registro de roubos, sem morte, também apresentou queda, assim como roubos a residências em Manaus. De acordo com dados divulgados pela SSP-AM em setembro deste ano, foram registrados 500 roubos em 2019 contra 712 ocorrências em 2018 no mesmo período de janeiro a junho. 

    Guerra de Facções e Massacre em presídio

    O tráfico de drogas ainda tem sido o principal causador das mortes violentas no Amazonas, principalmente na capital. De acordo com o Atlas da Violência de 2019, um dos principais fatores para o aumento dessa estatística está a posição geográfica do Amazonas, que é importante para a logística do narcotráfico, disputada por facções, que também protagonizaram a rebelião no Complexo Prisional Anísio Jobim (Compaj), localizado no quilômetro 8 da rodovia BR-174, em 2017.

    Rebelião no Compaj em 2017 deixou cerca de 56 mortos
    Rebelião no Compaj em 2017 deixou cerca de 56 mortos | Foto: Arquivo Em Tempo/ Márcio Melo

    A rebelião de 2017 durou aproximadamente 17 horas e foi considerada um dos maiores massacres do sistema prisional do Estado, de acordo com o então secretário de Segurança Pública, Sérgio Fontes. O massacre resultou em 56 mortes de detentos e aproximadamente 100 foragidos, de acordo os dados divulgados pelo Governo do Amazonas na época. 

    Em maio de 2019, o Compaj foi palco novamente de mais uma rebelião que acarretou a morte de 15 detentos. Os massacres de 2017 e 2019 são debates a respeito do sistema prisional do Estado.