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    Chacina em Manaus


    Traficante do CV teria ordenado chacina de família em Manaus

    O ataque teria sido ordenado por um traficante identificado apenas como “Dirceu”, que teria deixado a facção criminosa Família do Norte (FDN) e se tornado o integrante do Comando Vermelho (CV)

    Márcia, Edmundo, Maria Isadora, Poliana e Luiz Carlos são as vítimas da chacina
    Márcia, Edmundo, Maria Isadora, Poliana e Luiz Carlos são as vítimas da chacina | Foto: Reprodução

    Manaus- Uma suposta disputa por território do tráfico de drogas resultou no assassinato de cinco pessoas da mesma família na noite deste sábado (16), em Manaus. As vítimas da chacina foram executadas na casa onde moravam, localizada na rua Ibitita, bairro Nova Cidade, na Zona Norte. 

    As vítimas foram os irmãos Edmundo de Jesus Roque, de 23 anos, conhecido como “Bill”, que seria o alvo dos assassinos, e Poliana de Jesus Roque, 17, além dos primos deles, o estudante Luiz Carlos Roque de Souza, 19, e Maria Isadora de Jesus Roque, 14, que também eram irmãos. A tia dos jovens, a diarista Márcia Gonçalves de Jesus, 44, foi baleada no local, mas morreu quando recebia atendimento médico na ambulância. 

    A mãe de Luiz e Isadora, a dona de casa Rosilana de Jesus Roque, 34, que está grávida de oito meses, ficou ferida com um tiro na cabeça. Segundo familiares, ela está em coma no Hospital e Pronto-socorro João Lúcio. Segundo a Secretaria de Saúde (Susam), a paciente estava no centrocirúrgico onde realizou procedimento de craniotomia (abertura do crânio por meio de cirurgia). Após o procedimento, será avaliada a possibilidade de transferência para uma maternidade. 

    Local da chacina, no Nova Cidade
    Local da chacina, no Nova Cidade | Foto: Daniel Landazuri

    Uma sétima vítima teve a vida poupada pelos assassinos, a jovem de 20 anos, que também é parente dos mortos, foi levada para dentro da residência com o filho no colo. Ela foi agredida e recebeu coronhadas dos criminosos. 

    Segundo a Polícia Civil, Bill, junto com um irmão mais novo, identificado apenas como Adrio, que conseguiu fugir no momento do ataque, usavam o imóvel da família para comercializar entorpecentes.  

    O ataque teria sido ordenado por um traficante identificado apenas como “Dirceu”, que teria deixado a facção criminosa Família do Norte (FDN) e se tornado o integrante do Comando Vermelho (CV). 

    Conforme uma fonte, os irmãos Adrio e Edmundo estariam vendendo drogas de um fornecedor da FDN. Para não perder o território e manter a liderança na comunidade, Dirceu mandou executar os soldados, que viraram rivais. Os outros membros da família foram mortos por vingança e queima de arquivo, já que um dos principais alvos do atentado conseguiu fugir. 

    O jovem era conhecido pelos amigos como trabalhador
    O jovem era conhecido pelos amigos como trabalhador | Foto: Reprodução

    A revolta de parentes das vítimas é que, com exceção de Edmundo e Adrio, as outras quatro vítimas não tinham envolvimento com a criminalidade.  “Morreram de graça. O Luiz Carlos estava dormindo quando foi surpreendido pelos bandidos. Ele era desbravador, ajudava muito a avó, gostava dos irmãos, não usava nada de ilícito e nunca fez mal para ninguém”, disse uma tia dele.  

    O ataque 

    Conforme testemunhas, dois criminosos armados e usando capuz, chegaram ao local em um carro modelo Peugeot de cor preta. Eles desceram do veículo com as armas na mão e abordaram algumas das vítimas que estavam conversando em frente da residência. “Mandaram todos entrar e começaram a atirar”, disse. 

    Poliana, Luiz Carlos, Maria Isadora e Márcia cada um foi atingido com um tiro na cabeça. Já Edmundo foi morto com tiros na cabeça e no tórax. Ele ainda tentou se esconder dentro de um guarda-roupas, mas foi achado pelos bandidos.  

    Um terceiro suspeito ficou no carro aguardando a poucos metros do local do crime. Ele deu apoio aos comparsas e fugiram sem ser identificados.  

    IML removeu quatro corpos do local do crime
    IML removeu quatro corpos do local do crime | Foto: Daniel Landazuri

    O delegado Denis Pinho, plantonista da Delegacia Especializada em Homicídios e Sequestros (DEHS), esteve no local do crime e informou que os criminosos usaram revólver calibre 38 para cometer a chacina. “Depoimentos dos sobreviventes e outros familiares irão colaborar com as investigações. Imagens de câmeras de segurança também devem auxiliar na identificação dos suspeitos”, relatou. 

    Dentro da residência das vítimas, a polícia encontrou porções de pasta base de cocaína e R$20 em espécie. 

    Os corpos foram removidos para o Instituto Médico Legal (IML), onde foram realizados exames de necropsia. Às 10h40 deste domingo (17) todos os cinco corpos foram liberados para o velório, que deve acontecer em uma associação de moradores, no Prosamim Igarapé de Manaus, no Centro.