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    Feminicídio


    Em seis dias, quatro mulheres são assassinadas em Manaus

    Os casos alertam sobre o aumento do crime na capital no primeiro mês do ano de 2020. Dois corpos encontrados ainda não foram identificados

    Os quatro casos em Manaus registram a violência contra as mulheres
    Os quatro casos em Manaus registram a violência contra as mulheres | Foto: Reprodução

     

    Manaus - Em menos de uma semana, quatro mulheres foram encontradas mortas em Manaus. Dois casos aconteceram na Zona Leste, um na Zona Oeste da cidade e outro na Zona Centro-Sul. O que mais chama a atenção nas mortes são as formas do descarte do corpo. Uma mulher foi encontrada em uma caixa d'água, outra duas foram encontradas em áreas de difícil acesso com marcas de tortura e uma foi encontrada dentro de um carro com sinais de estrangulamento. 

    De acordo com dados do Sistema Integrado de Segurança Pública (SISP), divulgados pela Secretaria de Segurança Pública (SSP-AM), os registros de feminicídio em Manaus tiveram um aumento de 300% de 2018 para 2019, nos meses de janeiro a outubro dos dois anos e também mostra um índice de crimes contra mulheres de toda natureza. Em 2019, de janeiro a outubro, o número subiu de três, para 12 crimes registrados pela polícia contra mulheres. 

    Saiba sobre os casos

    A engenheira Andréia Defaveri Vasconcelos, de 46 anos, foi encontrada dentro de um veículo modelo Honda Civic, de cor prata e placas JXS-6773, no estacionamento do Hospital e Pronto-Socorro 28 de Agosto, na avenida Mário Ypiranga, bairro Adrianópolis, Zona Centro-Sul, na tarde do último sábado (4). O corpo estava com uma espécie de "cordão" enrolado no pescoço.

    Segundo familiares, Andréia estava desaparecida desde a tarde da última sexta-feira (3). As investigações, inicialmente, estavam em torno do caso de morte natural ou um possível suicídio, mas foi descartada após análise do corpo e do cordão encontrado no pescoço da engenheira. 

    Corpo em caixa d'água 

    Os moradores de uma quitinete encontraram na noite da última segunda-feira (6), o corpo de uma outra mulher, desta vez dentro de uma caixa d'água - que abastecia a vila de casas. O caso aconteceu na rua Cacau Pirêra, bairro São José 1, na Zona Leste de Manaus. A vítima estava morta há dois dias.

    Até esta quinta-feira (9) a mulher ainda não havia sido identificada. Ela seria acompanhante de um dos moradores da vila, que não foi localizado e é apontado como o principal suspeito do crime. Testemunhas relataram à polícia que a vítima e o suspeito costumavam consumir entorpecentes no local.

    Abandonada em área de mata 

    Menos de 12 horas após o encontro do cadáver na caixa d'água, o corpo de mais uma mulher foi encontrado por volta das 7h30 de terça-feira (7) em uma área de mata, localizada na rua Caravelas, bairro Tarumã, Zona Oeste de Manaus.

    Foi identificado três lesões na cabeça e um certo inchaço abdominal, que pode ser uma possível gravidez ou causas naturais do cadáver
    Foi identificado três lesões na cabeça e um certo inchaço abdominal, que pode ser uma possível gravidez ou causas naturais do cadáver | Foto: Kennedson Paz

    A mulher aparenta ter entre 40 e 50 anos. Pelas caraterísticas, a polícia acredita que a vítima tenha sido assassinada em outro lugar e os criminosos tenham apenas “desovado” (abandonado) o corpo na região do Tarumã. 

    Torturada e morta 

    Com os pés e mãos amarrados, a vítima Walcimara da Cruz Vasconcelos, de 23 anos, foi encontrada morta na manhã desta quinta-feira (9), nas proximidades da ponte do 7, no final da rua José Francisco, no bairro Tancredo Neves, Zona Leste de Manaus.

    A vítima também estava com um pano enrolado no pescoço
    A vítima também estava com um pano enrolado no pescoço | Foto: Kennedson Paz

    Conforme informações da perícia, realizada pelo Departamento de Polícia Técnico-Científica do Amazonas (DPTC-AM), a mulher foi morta com três tiros, sendo dois na região da cabeça e um na mão esquerda, além disso apresentava sinais de tortura e estava seminua. A vítima também com um pano enrolado no pescoço.

    Investigação

    Procura pela reportagem a respeito das investigações dos crimes, como oitivas de testemunhas, informações sobre os suspeitos, identificação das vítimas e um posicionamento público sobre as quatro mortes em menos de uma semana, a Polícia Civil do Amazonas se pronunciou, por meio de nota, nesta quinta-feira (9).

    "Em todos os casos a equipe da Delegacia Especializada em Homicídios e Sequestros (DEHS) esteve presente no local. As investigações estão em andamento. Ressaltamos que durante as investigações não há distinção no modo como a polícia trabalha em homicídios de homens e mulheres", conclui a nota.

    Ações no Brasil 

    A Comissão de Constituição e Justiça (CCJ) do Senado aprovou, em outubro de 2019, a Proposta de Emenda à Constituição (PEC) 75/2019, que modifica o Artigo 5º da Constituição para determinar que o feminicídio possa ser julgado a qualquer tempo, independentemente da data em que foi cometido, como já ocorre com o crime de racismo. O relator da matéria Alessandro Vieira (Cidadania-SE) concordou que o feminicídio deve ser incluído no rol dos crimes muito graves que têm status de imprescritíveis.

    Para combater essa realidade, o Brasil adotou a campanha internacional Laço Branco, realizada durante todo o mês de dezembro, e a lei nº 11.489, de 2007, instituiu 6 de dezembro como o Dia Nacional de Mobilização dos Homens pelo Fim da Violência Contra as Mulheres.

    Vítimas ou pessoas que tenham conhecimento de um caso de violência contra a mulher podem denunciar o crime procurando uma delegacia ou ligando para o Disque 180, número da Central de Atendimento à Mulher - que funciona 24 horas por dia em todo o território nacional. A ligação é gratuita.