Justiça


'Só quem é pai sabe a dor', diz avô de criança morta a tiros em Manaus

Renan foi baleado enquanto brincava com os amigos na rua de casa. A criança é mais uma vítima da guerra entre facções criminosas que assola a capital amazonense

A criança estava brincando na rua quando foi atingido
A criança estava brincando na rua quando foi atingido | Foto: Karla Vieira

Manaus - Pedidos de justiça e muita comoção marcaram o velório do pequeno Renan Souza Gomes, de apenas 9 anos, na manhã desta sexta-feira (10), em uma Igreja da Assembleia de Deus, Novo Aleixo, na Zona Norte. A criança é mais uma vítima da guerra entre facções criminosas que assola a capital amazonense.

Renan estava brincando com amigos na frente da casa que morava, localizada na rua Amazonas, também no Novo Aleixo, na noite de quinta-feira (9), quando foi atingido por uma bala perdida durante a troca de tiros entre criminosos rivais. Ele ainda chegou a ser socorrido e levado ao Hospital e Pronto-Socorro da Criança da Zona Leste – Joãozinho, mas não resistiu aos ferimentos. A bala atingiu a região lombar da vítima. Esse é o segundo caso de morte por bala perdida na família de Renan.

Ele faria 10 anos no fim deste mês e como toda criança tinha sonhos. Comovido, o avô, Domingos Venâncio da Gama, de 65 anos, relembra a alegria do neto.

 "Queremos justiça. O meu neto gostava muito de lutar jiu-jítsu, era faixa branca. Tinha ficado muito feliz porque ganhou um kimono. Ele gostava muito de luta, gostava de assistir desenhos e brincar com os amigos.  Quem tem filho sabe a dor que estamos sentindo", relembrou emocionado. 

Momentos de terror 

Moradores do local afirmaram que viveram momentos de terror durante o tiroteio. "Foi assustador. Quando o Renan ouviu o tiroteio deixou a bicicleta e tentou correr, mas acabou atingido. A insegurança está muito grande no nosso bairro", disse uma vizinha da vítima. 

Outro morador do bairro também reclamou da falta de segurança. Segundo ele, na semana passada, criminosos o abordaram e chegaram a apontar uma arma na direção dele. “Implorei para eles não atirarem em mim. Ficamos muito tristes com essa situação, mas não podemos falar nada. Caso alguém falar, logo terão novas mortes. Vivemos sem nenhuma segurança, ou seja, estamos à mercê da bandidagem”, disso o morador, que pediu para não ter o nome divulgado, por questão de segurança.

O crime está sendo investigado pela Delegacia Especializada em Homicídios e Sequestros (DEHS).

Colaborou Kennedson Paz*