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    Guerra de Facções


    Mutilado pela FDN, corpo de Fênix do CV pode estar em ramal de Manaus

    Uma fonte informou ao Em Tempo que o crime pode ter ocorrido em um sítio no KM 6, do ramal do Brasileirinho. O local é usado pela FDN para execuções e realização do "tribunal do crime". Fênix continua desaparecido.

    Fênix era detento do semiaberto, monitorado por tornozeleira eletrônica  e encontra-se desaparecido
    Fênix era detento do semiaberto, monitorado por tornozeleira eletrônica e encontra-se desaparecido | Foto: Divulgação

    Manaus - Uma tatuagem na região do abdômen e do tórax, uma camiseta e os traços das sobrancelhas, levaram a família de Fênix Maciel, de 27 anos, reconhecer o corpo dele em um vídeo. Fênix era membro facção criminosa Comando Vermelho (CV), mas foi filmado sendo esquartejado por integrantes da facção criminosa Família do Norte (FDN), facção rival. 

    Conforme fontes revelaram ao Em Tempo, o crime, possivelmente, aconteceu em um sítio no quilômetro 6, do ramal do Brasileirinho, na Zona Leste de Manaus. O local é usado pela FDN para execuções e realização do "tribunal do crime".

    Uma familiar de Fênix, que não será identificada pela reportagem por medidas de segurança, informou que ele estava desaparecido desde a última segunda-feira (6), após sair de casa na comunidade Valparaíso, bairro Jorge Teixeira, por volta das 21h. 

    "Ele estava em casa quando a mãe dele foi chamá-lo no quarto na manhã de terça (7), mas não o encontrou. Não tivemos mais informações sobre o paradeiro dele e então fomos à delegacia registrar o desaparecimento. Também fizemos publicações na redes sociais para que o desaparecimento tivesse repercussão", contou a mulher. 

    Na manhã de quarta (8), quase 48 horas após o desaparecimento de Fênix, começou a circular um vídeo nas redes sociais que mostra um homem sendo mutilado. Nas imagens vários homens se intitulam membros da FDN e declaram que a pessoa que estaria sendo executada era do CV. Na gravação, os criminosos fazem mistério, pedem para ninguém falar o nome da vítima e exaltam a facção a que fazem parte.

    "Tá vendo aí o CV? Aqui o bagulho é doido, aqui é FDN, Tudo 1. Não fala o nome, mas vocês vão saber quem é", diz um dos assassinos no vídeo. 

    Na gravação, os criminosos mostram que cortaram a orelha da vítima, deixaram o rosto parcialmente desfigurado, decapitaram a cabeça e planejaram até tirar o coração do homem.

    A vítima que aparece em vídeo teve a cabeça decapitada
    A vítima que aparece em vídeo teve a cabeça decapitada | Foto: Divulgação

    A família de Fênix teve acesso ao vídeo e disse que o reconheceu por meio de algumas características "Ele estava com a mesma roupa que usava no dia em que desapareceu. Depois que os criminosos rasgaram a camiseta, deu para vermos a tatuagem dele, que vai da barriga até o peito. Apesar do rosto estar bastante machucado, o reconhecemos pelas sobrancelhas".

    Apesar do reconhecimento, o corpo de Fênix continua desaparecido. Os parentes dele receberam a informação de que o local do crime seria na região do Ramal do Brasileirinho, porém fizeram buscas na área, mas não conseguiram encontrar o cadáver.

    "Fomos em locais que havia um igarapé raso, como aparece no vídeo, porém temos muito medo de ir além. Já fomos à polícia, mas eles querem uma confirmação sobre o local exato do crime e isso não sabemos", disse o familiar. 

    Possível motivação 

    Fênix estava em liberdade há aproximadamente seis meses, mas era monitorado por tornozeleira eletrônica. De acordo com a família, ele passou cerca de cinco anos preso por tráfico de drogas. Nesse período, sobreviveu aos massacres que aconteceram no sistema prisional, nos últimos anos. 

    Conforme a fonte, antes de ser preso, Fênix era integrante da FDN, mas para sobreviver aos ataques no presídio, foi recrutado e se aliou ao CV. Ao sair para o semiaberto, passou a ser jurado de morte, acusado de traição, pelos antigos parceiros do crime. 

    Ainda segundo a fonte, apesar de estar do lado de fora da cadeia, Fênix estaria delatando os antigos comparsas e atuais rivais dele. Além disso, ele ainda possuía uma alta divida com a FDN. "Tudo isso, seria uma justificativa para a crueldade da morte exibida no vídeo".

    Para família, Fênix foi executado por querer mudar de vida. "Ele estava trabalhando como cabeleireiro e não saia muito de casa, até porque estava sendo monitorado. O Fênix não estava mais envolvido com nada disso", disse um dos parentes.