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    Investigação


    “Não podemos enterrar só as pernas da nossa mãe”, diz filha

    Familiares de Marquilene Cardoso da Silva, que tinha 46 anos, reconheceram os membros inferiores encontrados na última quinta (30), no bairro Compensa. Eles procuraram a imprensa para cobrar respostas das autoridades sobre as investigações em torno do caso

    O principal apelo da família é que a polícia encontre os restos mortais de Marquilene
    O principal apelo da família é que a polícia encontre os restos mortais de Marquilene | Foto: Kennedson Paz/Divulgação

    Manaus – Familiares de Marquilene Cardoso da Silva, que tinha 46 anos, procuraram a imprensa, na tarde desta terça-feira (4), para cobrar respostas da Polícia Civil do Amazonas (PC-AM) sobre o andamento das investigações sobre o caso. Eles reconhecem os membros inferiores encontrados na última quinta-feira (30), no beco dos Escoteiros, no bairro Compensa, Zona Oeste de Manaus, como parte do corpo da mulher. Os familiares já fizeram o exame de DNA no Instituto Médico Legal (IML) e aguardam o resultado que confirmará a identificação dos restos mortais.

    Segundo uma das filhas de Marquilene, que preferiu não se identificar, o principal apelo da família é que a polícia tome providências para encontrar o restante do corpo dela. Os familiares pedem ainda que as imagens de câmeras de segurança de lojas das proximidades do local onde as pernas foram abandonadas cheguem às mãos das autoridades para ajudar a elucidar o caso. Amigos da família informaram que a dona de casa foi vista com vida pela última vez na quinta-feira (30), por volta das 5h, horas antes do encontro dos membros inferiores. Ela estaria caminhando na Avenida Brasil, principal via de acesso do bairro Compensa.

    “Queremos o restante do corpo dela para que possamos fazer um enterro digno. É a família que sofre e a família que clama por respostas. Estamos com nossa alma gritando de tanta dor. Não é fácil reconhecer a perna de um ente querido. Queremos enterrar ela como qualquer ser humano, ela era amada pela família. Quem souber qualquer notícia de onde o restante do corpo está, não tenha medo, entre em contato conosco”, suplicou a filha.

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    A família informou para a reportagem que Marquilene era usuária de drogas, mas que todas as informações que estão sendo veiculadas, principalmente sobre o envolvimento dela com prostituição ou que ela seja traficante de uma facção criminosa, são falsas. Eles também negam que ela era "X-9" (termo utilizado no mundo do crime para quem delata os comparsas).

    “Ela era usuária de drogas há muito tempo, mas ela nunca precisou roubar ninguém para sustentar o vício. Ela sempre foi uma mulher alegre, que contagiava a todos onde chegava. Ela era uma pessoa boa e querida pelos vizinhos. Minha mãe tinha cinco filhos, morava com a minha irmã caçula e criava uma sobrinha”, contou a filha.

    Marquilene é mãe de cinco filhos e criava uma sobrinha
    Marquilene é mãe de cinco filhos e criava uma sobrinha | Foto: Divulgação

    Já o filho de Marquilene, que também teve o nome preservado, disse que a família mora em outro Estado e veio para Manaus após o encontro das pernas. Ele contou que uma prima reconheceu as pernas dela por meio de uma tatuagem com a descrição da letra “L”, além do esmalte que a mulher usava nas unhas dos pés. A própria prima é quem teria pintado a unha da dona de casa com a cor marrom. A família tem absoluta certeza que os pés são da desaparecida.

    “Fomos ao IML fazer o exame de DNA e nos falaram que o laudo só saíra entre 60 e 90 dias. Isso é inadmissível para uma família que sofre todos os dias. Minha mãe não era indigente. Ela tem família e era amada. Peço das autoridades que olhem e investiguem esse caso. Queremos apenas encontrar o resto do corpo e dar um enterro digno à ela. Não queremos que esse caso seja mais um a cair no esquecimento”, disse o jovem de 22 anos.

    “Eu imploro que a polícia se compadeça da gente. Um crime desse é bárbaro e cadê a polícia? Façam uma varredura aqui na Compensa. Meu coração diz que esse corpo está aqui. Ninguém vai ficar andando com um corpo esquartejado pela cidade. Eu peço, olhem por nós e façam alguma coisa. Não podemos enterrar só as pernas de uma pessoa”, clamou a filha de Marquilene.

    O Em Tempo entrou em contato com a Polícia Civil e com a Secretaria de Estado de Segurança Pública do Amazonas (SSP-AM) e questionou sobre o andamento das investigações em torno do caso e sobre o prazo de entrega do resultado do exame de DNA, mas até a publicação da matéria não recebemos resposta de nenhum dos órgãos.