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    Mortes


    Fevereiro: Manaus tem 50 mortes em apenas 14 dias

    A maioria das vítimas é composta por pessoas ligadas ao tráfico de drogas, mas também há casos de latrocínios e agressões físicas

    A maioria das vítimas mortas é de pessoas ligadas ao tráfico de drogas
    A maioria das vítimas mortas é de pessoas ligadas ao tráfico de drogas | Foto: Divulgação

    Manaus – Fevereiro deste ano começou marcado por rastros de sangue, principalmente, por conta de intensos conflitos entre integrantes das facções criminosas Comando Vermelho (CV) e Família do Norte (FDN). O resultado da busca incessante por poder fez com que nos primeiros 14 dias deste mês, os números de mortes violentas registradas batessem a casa de 50.

    A maioria das vítimas é composta por pessoas ligadas ao tráfico de drogas, mas também há casos de latrocínios e agressões físicas. Parte da estatística é composta por mortes decorrentes de intervenções policiais [casos em que criminosos enfrentam a polícia e acabam mortos].  

    Conforme um levantamento feito pelo Em Tempo, nos primeiros 14 dias do ano, o maior índice de mortes violentas foi registrado na Zona Sul, que figurou com 13 mortes. Já em segundo lugar aparece a Zona Norte com 12 mortes, seguida pela Zona Oeste onde foram registradas 8 mortes. Desse total, 7 foram somente na Compensa - o bairro campeão de mortes nos primeiros 14 dias de fevereiro e principal palco dos confrontos entre CV e FDN. Três delas eram criminosos que trocaram tiros com a polícia.  

    Na Zona Leste foram registrados 7 homicídios, já na Zona Centro-Oeste 5 mortes. A Zona Centro-Sul registrou 4 e, por último, a Zona Rural com apenas uma morte, que foi registrada dentro do Complexo Penitenciário Anísio Jobim (Compaj).

    Tipos de mortes

    Das 50 mortes, 34 foram por arma de fogo, nove por arma branca e sete por agressão física. As intervenções policiais totalizaram sete mortos, além de dois latrocínios. Uma das vítimas identificada como Orlandi Navegante, de 63 anos, foi encontrado morto no dia 7 de fevereiro dentro da própria casa, localizada no beco São Miguel, bairro Morro da Liberdade, Zona Sul de Manaus. Já o idoso Gelson Oliveira da Silva, de 62 anos, foi esfaqueado no pescoço na noite desta sexta-feira (14), durante um assalto em um ponto de ônibus na rua Padre Mário, no bairro Colônia Antônio Aleixo, Zona Leste de Manaus.

    Se comparado aos primeiros 14 dias do mês de janeiro, o índice caiu. No mês passado, considerado o janeiro sangrento, foram registradas 59 mortes. Nove a mais que o mesmo período deste mês.  

    Mapa do crime mostra crimes por tipo e zonas
    Mapa do crime mostra crimes por tipo e zonas | Foto: Alexandre Sanches

    Clima de terror

    Áudios, vídeos, textos com ameaças, queimas de fogos e pichações deixaram o clima tenso em vários cantos da cidade.  O objetivo de tudo isso é apenas um: mostrar que rivais estão sendo mortos e que a dominação de territórios, que estavam em poder da Família do Norte, já é real. O Comando Vermelho, além de fazer os membros da facção rival desertarem, tem uma meta para atingir que é conquistar todas as bocas de fumo da cidade.

    Quem não se rende, morre. Esse foi o caso de Diego Lopes Linhares, de 34 anos, o “Baixinho”, executado a tiros da última segunda-feira (10), por volta das 13h, na rua Castro Alves, no bairro Coroado, Zona Leste de Manaus. Após o crime, os assassinos picharam a sigla CV e soltaram fogos em comemoração pela morte do rival.

    Naquele mesmo dia, a retaliação da FDN veio pela parte da noite, por volta das 19h30, quando Maicon William Maciel, de 24 anos, foi executado a tiros enquanto estava pichando um poste com a sigla CV. O crime ocorreu na rua Maranhão Sobrinho, na Vila Alfredo Nascimento, no bairro Aleixo, Zona Centro-Sul de Manaus. Esses casos são apenas alguns dos que tiveram autorias assumidas por facções criminosas, deixadas por pichações ou por vídeos divulgados em redes sociais. 

    Ações de segurança

    A força de segurança sentiu "a pressão" da violência e já iniciou os trabalhos para repressão das facções do Estado. O governador em exercício, Carlos Almeida, decidiu pela ativação do Gabinete de Crise da Secretaria de Estado de Segurança Pública do Amazonas (SSP-AM), para reprimir toda e qualquer alteração no sistema prisional e nas ruas da capital. Dentre as estratégias estão o reforço no efetivo policial nas ruas e revistas nas unidades prisionais.

    Conforme a SSP-AM, o setor de inteligência está trabalhando para identificar alterações entre criminosos e estão sendo elaboradas ações repressivas e preventivas para inibir crimes tanto nas ruas, quanto no sistema prisional. O secretário-executivo-adjunto do órgão, coronel Anézio Paiva, informou que o comitê foi criado devido ao aumento dos homicídios e briga entre criminosos.