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    Guerra de facções no AM


    Veja os perfis dos cinco assassinados no mês de março na Compensa

    Todos os crimes do bairro Compensa, em Manaus, têm características de execuções. A maioria teriam sido motivados pela disputa entre as facções FDN e CV pelo domínio do tráfico de drogas no Amazonas

    Comando Vermelha briga com a FDN por domínio de bocas de fumo e de venda de drogas na Compensa | Foto: Kennedson Paz/Em Tempo

    Manaus - Dados da Polícia Civil do Amazonas (PC-AM) confirmam que a maioria das vítimas de homicídio até o dia 16 de março deste ano, no bairro da Compensa, Zona Oeste, tiveram ligações com o tráfico de drogas - no total foram cinco mortes.

    O primeiro caso aconteceu no dia 8, data em que é comemorado o “Dia da Mulher”, quando Katiane Marques Costa Franco, de 38 anos, foi assassinada, à tarde, com sete tiros no beco Benaion. Ela ainda chegou a ser socorrida e levada até o Serviço de Pronto Atendimento (SPA) Juventina Dias, onde morreu.

    Especulações de testemunhas apontavam que o crime pudesse ter relações com acertos de contas, por envolvimento ao tráfico de drogas. No entanto, as informações não foram confirmadas até o momento pela Polícia Civil do Amazonas (PC).

    No dia seguinte, (9/3), Matheus Vitor Teixeira, de 18 anos, foi assassinado com quatro tiros em uma escadaria localizada na rua Abraão Cardoso. Apesar de pouca idade, o suspeito tinha uma vasta passagem pela polícia.

    | Foto: Suyanne Lima/Em Tempo

    Dados da PC-AM revelam que a última passagem de Matheus foi por roubo. O crime aconteceu no 7 de janeiro de 2020. No ano passado, no dia 9 de março, ele foi preso pela polícia por tráfico de drogas. Em agosto do mesmo ano, sobreviveu a uma tentativa de homicídio. À época, a principal suspeita da polícia para o crime era acerto de contas.

    Em menos de 24h, outro assassinato foi registrado no bairro. Durante a madrugada do dia 10 desse mês, Daniel Soares de Almeida, de 37 anos, foi morto com dois tiros. Na ocasião, a própria mãe o encontrou morto na frente da casa em que a família mora, localizada no beco Rui Barbosa.

    Conforme depoimento dos familiares à polícia, Daniel tinha envolvimento com o tráfico de drogas e passagens por roubo. Ele era monitorado por tornozeleira eletrônica, pois respondia pelos crimes em regime semiaberto.

    | Foto: Kennedson Paz/Em Tempo

    Informações da PC-AM confirmam que, no dia 22 de junho do ano passado, Daniel Almeida havia sido preso pelo crime de roubo.

    No intervalo de dois dias, o quarto caso de homicídio foi registrado. No decorrer da noite do dia 12, o mototaxista Frank Willian Guimarães da Silva, de 26 anos, foi assassinado com três tiros em um beco, situado na rua São João.

    Na ocasião, muito nervosos com o crime, os moradores e comerciantes da área não quiseram comentar, com a reportagem, sobre o que teria acontecido. A suspeita era que o crime havia sido motivado por envolvimento com o tráfico de drogas.

    Conforme informações da Polícia Civil (PC), Frank já havia sido preso por violência doméstica em dezembro do ano passado. Em 2018, foram duas passagens, sendo uma por tráfico de drogas, no mês de março, e uma lesão corporal em novembro.

    | Foto: Kennedson Paz/Em Tempo

    O último caso aconteceu durante a tarde da última segunda-feira (16). Na ocasião, o jovem Fael Rodrigues França, de 19 anos, foi executado com quatro tiros na rua Presidente Médici.

    Em vídeo divulgado nas redes sociais, Fael confessou que havia sido detido pela polícia por fazer pichações com a sigla da facção criminosa Família do Norte “FDN”. Ele afirmou ainda fez o ato devido ter diversos muros no bairro pichados com a sigla da facção rival Comando Vermelho (CV).

    Dados da PC, confirmam que Fael respondia pelo crime de tráfico de drogas. Em abril do ano de 2018, ainda menor de idade, ele foi apreendido pela polícia após ser pego em flagrante com 23 porções de cocaína.

    Conforme informações da Delegacia Especializada em Homicídios e Sequestros (DEHS), todos os casos mencionados na matéria correm em segredo de justiça e estão sendo investigados. Nenhum funcionário da instituição concedeu entrevista à reportagem sobre os crimes. 

    O bairro da Compensa, tem sido palco de uma série de assassinatos que evidenciam o crescimento da violência pela disputa do tráfico de drogas em Manaus. Somente no período de janeiro deste ano, foram registradas 117 mortes violentas na capital. Desde total, 11 aconteceram na Zona Oeste da capital.

    Guerra de Facções no Amazonas

    A grande maioria dos assassinatos, conforme a polícia, foi devido aos confrontos entre as facções Comando Vermelho (CV) e Família do Norte (FDN). A principal área almejada pela facção “CV” é o bairro da Compensa, considerado o berço da facção rival “FDN”. No entanto, alguns pontos de tráfico de drogas na região ainda resistem contra o domínio da facção rival. 

    Conforme informações divulgadas em redes sociais durante os confrontos, a regra era uma aliança com a facção criminosa “CV” ou a morte. O que resultou em um grande número de homicídios na capital. A versão não foi confirmada pela polícia até o momento, que diz estar investigando os casos.