Rebelião


Rebelião: presos gravam vídeo com reféns e falam condições de soltura

Em vídeo, presos pedem a presença de juiz que ajudou a negociar soltura de presos na carnificina ocorrida no Compaj, em 2017

Presos fazem reivindicações por meio de reféns | Foto: Reprodução

Manaus - Na manhã deste sábado (2), os detentos da Unidade Prisional do Puraquequara, Zona Leste de Manaus, atearam fogo na unidade e tomaram os agentes de segurança como reféns. Agora, em novo vídeo divulgado, os presos usaram os homens sequestrados para fazer reivindicações, e, dentre elas, exigiram até a presença de um coronel.

Os quatro vídeos foram compartilhados agora pela manhã em um aplicativo de mensagens. Em dois deles aparece um homem que se denomina 'agente Gutembergue', suado e sem camisa. Enquanto ele fala para o vídeo, é possível ouvir a voz de alguns detentos ao fundo, lembrando a ele o que precisa ser dito. Atrás do agente, outros detentos assistem à cena.

Aparentando medo, o agente diz que os presos estão apenas "reivindicando direitos" e pedem a presença de três pessoas, em específico. O primeiro deles é o juiz Carlos Valois. O jurista ajudou a negociar a soltura de presos na carnificina ocorrida no Complexo Prisional Anísio Jobim (Compaj), também em Manaus, em 2017.

Além dele, os detentos também pedem a presença do coronel da Polícia Militar Amadeu Soares, que já foi titular da Secretaria de Segurança Pública (SSP-AM) e de Epitácio Almeida, Comissão dos Direitos Humanos da Ordem dos Advogados do Brasil Seccional Amazonas (OAB-AM).

Em outro vídeo, também divulgado, o agente Gutembergue acrescenta que ele e os outros reféns estão bem e diz que os detentos apenas estão exigindo os próprios direitos.

"Eles só querem a melhoria deles. O direito deles é constitucional, entendeu"? Diz o agente. E continua "Nós estamos bem, eu e o agente Abraão. O pastor Abraão, meu irmão de fé. Estamos aguardando a ajuda de todos", finaliza.

Refém ferido

Em outro vídeo, um refém que não se identifica, mostra que ele está ferido no braço direito, o que parece o machucado de um estilhaço de bala, mas ressalta que não foram os presos. "Na hora da situação [da rebelião], nós ficamos de escudo e quem atirou na gente, na verdade, foi a guarda [da unidade prisional]", diz o homem.

Ao fundo, é possível ouvir a voz de um detento, que pergunta, "quem atirou em vocês"? E o agente devolve, "foi a guarda". 

Nota da SEAP - Puraquequara

A Secretaria de Estado de Administração Penitenciária (Seap) informa que internos da Unidade Prisional do Puraquequara (UPP) iniciaram uma rebelião por volta das 6h deste sábado (2).

O Grupo de Intervenção Penitenciária (GIP) e forças de segurança da Polícia Militar do Amazonas (PMAM) - Rocam, COE, Batalhão de Choque, Companhia de Cães - estão no local e já iniciaram as negociações.

A rebelião teve início durante a entrega do café da manhã, quando internos serraram a grade de duas celas e fizeram os agentes de socialização de reféns.

No momento, sete agentes estão em poder dos detentos. Eles exigem a presença da imprensa e dos direitos humanos. Não há informações sobre mortos.

Assista ao vídeo | Autor: Reprodução
 

O portal EM TEMPO está ao vivo na Unidade do Puraquequara. Assista a live: