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    Vazamento de informações


    Advogado e estagiário vendiam informações de ações da PC a criminosos

    Por meio de uma senha, eles conseguiam acessar conteúdos sigilosos de investigações da Polícia Civil

    Coletiva sobre as prisões foi realizada no fim da manhã desta segunda-feira (15)
    Coletiva sobre as prisões foi realizada no fim da manhã desta segunda-feira (15) | Foto: Divulgação/PC

    Manaus - O advogado Euler Barreto Carneiro e um estagiário da Agência de Fomento do Estado do Amazonas (Afeam), de 29 anos, que não teve o nome divulgado, foram presos acusados de vender informações sigilosas de departamentos da Polícia Civil, adquiridas por meio de um acesso ilegal de um sistema. 

    Os mandados de prisão, busca e apreensão foram cumpridos na manhã desta segunda-feira (15), durante a operação "Spy",  no escritório de advocacia de Euler Carneiro, localizado no bairro Compensa, Zona Oeste.  Já o estagiário de Direito foi preso na residência dele, no bairro Alvorada, na mesma zona da cidade. Na ação, foram apreendidos notebooks e pen-drives.

    Segundo a delegada-geral da Polícia Civil do Amazonas, Emília Ferraz, o trâmite deste crime organizado iniciou pelo acesso de uma senha do Tribunal Regional de Justiça do Amazonas (Tjam), adquirida inicialmente pelo estagiário. 

    "Eles usavam de forma inapropriada uma senha do Tribunal de Justiça, que não era no nome deles. Com isso conseguiram, por meio de uma petição, todas as informações de pessoas que são alvo das investigações", disse Emília Ferraz.

    Ainda segundo a delegada-geral, essas informações sigilosas são referentes ao Departamento de Repressão ao Crime Organizado (DRCO), Departamento Estadual de Repressão ao Narcotráfico (DENARC), Secretaria Executiva-Adjunta de Inteligência (Seaai) e entre outras secretarias. 

    Segundo o delegado Rafael Allemand, titular do DRCO, o estagiário adquiriu a senha e teria a utilizado de uma maneira que fosse possível acessar, além do sistema da Afeam, esses processos do TJAM. Com isso, ele e o advogado começaram a vender informações das petições por um determinado valor

    "Nós temos já materializado que um dos alvos, apenas por uma informação, pagou R$ 40 mil. Foi assinado um contrato de prestação por ele e isso que materializou as nossas suspeitas", disse o delegado.

    Procedimentos

    Os dois foram indiciados por obstrução de investigação de organização criminosa, vazamento de conteúdo sigiloso de interceptação telefônica, extorsão e associação criminosa. Ao término dos procedimentos cabíveis na base do DRCO, a dupla foi levada para o Batalhão de Guarda da Polícia Militar do Amazonas, onde irão ficar à disposição da Justiça.

    OAB

    Em nota, a A Ordem dos Advogados do Brasil seccional Amazonas (OAB-AM) informou que foi procurada, pelo DRCO, para acompanhar o cumprimento da prisão do advogado Euler Barreto Carneiro.

    "A Ordem esclarece que está atuando tão somente para garantir o cumprimento das prerrogativas da custódia do advogado, por meio da Comissão de Defesa das Prerrogativas da Ordem. A OAB-AM vai acompanhar o andamento das investigações", diz a nota.

    A Afeam ainda não se pronunciou sobre o caso.

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