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    Violência


    Ataques expostos na web não intimidam agressores, que seguem livres

    Quatro mulheres foram vítimas de agressões ocorridas no bairro Nova Cidade. Uma foi agredida pelo companheiro e a outras três, dentre elas, uma transexual, por um desconhecido

    Lucas Miranda agrediu três mulheres e está sendo procurado pela polícia
    Lucas Miranda agrediu três mulheres e está sendo procurado pela polícia | Foto: Divulgação

    Manaus - A exposição nos jornais e portais da capital não foi o suficiente para intimidar Lucas Almeida Miranda, de 23 anos, ou Carlos J. do S, de 29 anos, que continuam em liberdade após terem sido denunciados por crimes de violência contra a mulher. Os dois casos tiveram grande repercussão na capital ao longo desta semana e, até o momento, nenhum dos dois foi localizado pela Polícia Civil. Em contrapartida, vítimas convivem com os traumas e cicatrizes das agressões. 

    O primeiro caso aconteceu último sábado (20), durante a festa de aniversário de Carlos, em uma casa no bairro Nova Cidade, na Zona Norte de Manaus. Nervoso, ele agrediu a companheira, uma jovem de 23 anos. A vítima relatou à polícia que foi agredida com socos e chutes pelo marido, que estava sob efeito de bebidas alcoólicas.

    A jovem relatou ter sido agredida com socos e chutes
    A jovem relatou ter sido agredida com socos e chutes | Foto: Divulgação

    Ao Em Tempo,  a jovem relatou que, após o fato, registrou o Boletim de Ocorrência na Delegacia Especializada em Crimes contra a Mulher (DECCM) e, posteriormente, foi encaminhada para o exame de corpo de delito. Ela também teve o pedido de medida protetiva remetido à Justiça. 

    No entanto, o suspeito desapareceu e a vítima teve a vida completamente mudada. A jovem teme represálias.

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    "Não saio de casa para nada, só se for acompanhada. Eu vivo atormentada e meu psicológico foi completamente afetado. Não consigo dormir e estou abalada. Tenho medo" "

    vítima da agressão,


    Especialista 

    De acordo com a coordenadora do Centro de Referência dos Direitos da Mulher, da Subsecretaria de Políticas Afirmativas para Mulheres, Luciana Verçosa, muitos dos casos de violência contra a mulher acontecem porque o agressor se sente ofuscado pelo empoderamento feminino. Hoje as mulheres são decididas, trabalham, são bem articuladas e se posicionam e, por conta disso, despertam um sentimento de disputa em alguns homens.

    "Quando o agressor percebe que não pode dominar esta mulher, ele parte para a violência. Ele procura diminuir a companheira emocionalmente, utilizando violência psicológica e moral, que acaba culminando na violência física. O poderio e o machismo andam juntos há muito tempo, mas a mulher reconquistou o próprio espaço nos novos tempos. Agressão é resultado dessa relação de poder, desse medo do novo, é algo que ele não aceita por sentir que está perdendo espaço", explicou Verçosa. 

    Outro Caso

    Na noite do último domingo (21), três mulheres, dentre elas uma transsexual, foram agredidas em uma fila na Avenida Curação, no bairro Nova Cidade, na Zona Norte da Capital. O suspeito, Lucas de Almeida Miranda, 23, foi identificado pela Polícia Civil do Amazonas (PC-AM), e está sendo procurado. Câmeras de segurança das proximidades, flagraram toda a ação do suspeito e ajudaram a polícia na identificação.

    Nas imagens é possível ver as três mulheres aguardando em uma fila, quando um carro preto, modelo gol e placas não identificadas até o momento, para atrás delas. Na ocasião, é possível identificar pelo menos quatro pessoas no interior do veículo, todos homens. De repente, Lucas começa a puxar conversa com as mulheres, mas parece ser ignorado. Ele parece não gostar, e decide sair do veículo e começa a agredir as vítimas.

    Para Luciana Verçosa, a violência contra as mulheres trans ocorre porque o agressor não aceita que alguém biologicamente do mesmo sexo, se veja e se comporte na sociedade como mulher. 

    "As transsexuais também estão ganhando o seu espaço na sociedade e o machismo, que ainda é prevalecente, tende a tornar muitas outras transexuais vítimas dessa violência gratuita. Não houve um impasse, não houve uma convivência, isso é mais uma forma agressiva de não aceitar como a pessoa se sente. Isso se baseia na falta de diálogo e de compreensão", argumentou. 

    A coordenadora do Centro de Referência dos Direitos da Mulher frisou ainda que o fato dessas mulheres saberem que os agressores estão livres traz um clima de pavor. As vítimas se sentem desprotegidas e necessitam da ação efetiva do Estado, que possui a Delegacia Especializada em Crimes contra a Mulher (DECCM) e diversos órgãos de amparo à  mulher.

    | Foto: Divulgação

    Investigações

    O Em Tempo questionou a Polícia Civil do Amazonas sobre o andamento das investigações em torno dos dois casos. 

    Em relação ao caso da vítima de agressões cometidas pelo companheiro, o órgão informou que a vítima esteve na especializada, onde registrou um Boletim de Ocorrência (BO). Na unidade policial, ela foi ouvida e uma requisição de exame de corpo de delito foi expedida. Ainda durante a oitiva, a delegada solicitou medidas protetivas à Justiça.

    Um Inquérito Policial (IP) foi instaurado para apurar as circunstâncias do fato, bem como ouvir o autor das agressões e às pessoas que estavam no local do crime. A delegada Wagna Costa reforçou que as diligências são necessárias, visto que a polícia precisa de elementos concretos para solicitar prisões preventivas, caso haja materialidade suficiente para isso.    

    Já em relação ao caso das três mulheres, a PC-AM confirmou que Lucas é procurado pelo crime. O órgão destacou que, de acordo com a delegada Deborah Souza, titular do 15° Distrito Integrado de Polícia (DIP), um Inquérito Policial (IP) foi instaurado para averiguar as circunstâncias dos fatos pelos crimes de importunação sexual, injúria, difamação e lesão corporal.

    As vítimas já realizaram os exames de corpo de delito e, agora, a polícia segue em diligências para localizar Lucas e cumprir a ordem judicial em nome dele.

    Disque-denúncia 

    A autoridade policial enfatiza que quem puder colaborar com informações sobre o paradeiro de Lucas, pode entrar em contato pelo número 181, o disque-denúncia da Secretaria de Estado de Segurança Pública (SSP-AM).

    “Asseguramos o sigilo da identidade dos informantes”, ressaltou Deborah Souza.

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