Justiça com as mãos


'Não se trata de justiça', disse delegada sobre “linchamento”

De acordo com Marília Campello, o "linchamento" pode ter de trazer uma pena de até 30 anos, dependendo do grau das agressões

Delegada Adjunta da Delegacia Especializada em Homicídios e Sequestros (DEHS), Marília Campello | Foto: Yasmin Feitosa

Manaus - Em uma entrevista para o EM TEMPO, a Delegada Adjunta da Delegacia Especializada em Homicídios e Sequestros (DEHS), Marília Campello, trouxe detalhes sobre quem comete a prática do “linchamento”, onde trata-se de uma agressão contra uma pessoa ou mais, realizada por um grupo de pessoas enfurecidas.

De acordo com a delegada, o “linchamento” trata-se de um crime grave. “Este ato não está tipificado no código penal como ‘linchamento’, ele pode ser vários crimes, desde uma lesão corporal a uma tortura, ou um homicídio qualificado”, afirmou a delegada adjunta.

Segundo Campello, essa atitude normalmente decorre de uma comoção coletiva da população. “O linchamento ocorre geralmente por vizinhos ou moradores de uma localidade, onde um crime acabou de acontecer e as pessoas envolvidas em sentimento de descrédito com a polícia, resolvem que a pessoa (acusado) precisa morrer”, disse Campello.

A justiça com as próprias mãos

Segundo Campello, a população normalmente se sente injustiçada e devido a fúria, acaba tomando a atitude de agredir ou até matar alguém e acredita que está fazendo um bem a população.

“Essa pessoa de bem, acredita que está ali exterminado o mal e passa a agredir fisicamente e às vezes chega a cometer um crime mais grave do que aquele suspeito cometeu. Às vezes aquele suspeito pode ter cometido um crime contra o patrimônio, um furto ou um roubo e as pessoas passam a agredi-lo”, explicou a delegada.

Pena para lesão corporal e homicídio

A delegada explica sobre a pena para diferentes graus de agressão. “Depende do crime que foi cometido por essas pessoas, se foi uma lesão corporal, se foi um homicídio. Um homicídio qualificado pode chegar a 30 anos de prisão, pode também responder por lesão corporal ou seguida de morte”, afirmou.

Divulgação de agressões em redes sociais

A divulgação de fotos e vídeos, que é comum em redes sociais, também ajuda a identificar a participação de cada um nas agressões, além de testemunhas.

“Cada um vai responder no limite da sua participação, uns empurraram, outros desferiram socos, outros acabaram dando pauladas ou pedradas que culminou com a morte, cada um responde de acordo com sua conduta”, explicou Marília.

Apesar de contribuir para investigações, a delegada adverte sobre a divulgação de imagens dessas agressões. “A gente não pode esquecer dos crimes de incitação ao crime, se há um incentivo dessas agressões, se existe apologia propriamente dita, essas pessoas também podem ser incriminadas”, esclareceu Campello.

"Não se trata de justiça, se trata de um crime, o crime vai também ser investigado e a pessoa pode ser punida, existe uma diferença grande entre uma legítima defesa de um “linchamento”, finalizou a delegada Marília.

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