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    Denúncia


    Baleado, pescador esportivo denuncia milicianos que agem em rio no AM

    A vítima e amigos foram impedidos de navegar no Rio Abacaxi, em Nova Olinda do Norte. Após sofrerem ameaças e tentarem fugir, o pescador esportivo acabou ferido

    Adepto da pesca esportiva há mais de 10 anos, a vítima contou ao Em Tempo que nunca vivenciou uma situação parecida
    Adepto da pesca esportiva há mais de 10 anos, a vítima contou ao Em Tempo que nunca vivenciou uma situação parecida | Foto: Divulgação

     Nova Olinda do Norte - O que era para ser um dia de lazer, por muito pouco não se tornou uma tragédia no último final de semana, no interior do Amazonas. Impedido de navegar no rio Abacaxi, em Nova Olinda do Norte (a 135 quilômetros de Manaus), o pescador esportivo Saulo Moyses Rezende da Costa, de 36 anos, foi ferido com um tiro no ombro. O caso aconteceu na sexta-feira (24), mas ele denunciou o caso nesta terça (28).

    No dia do fato, a vítima estava acompanhada de um grupo de amigos. Eles se deslocaram para o local por meio de duas lanchas. Na entrada do rio, eles foram bloqueados e intimidados por pessoas que se descreveram como “líderes” da comunidade. Os suspeitos foram identificados apenas como “Bacural” e “Maria”.

    Conforme a denúncia da vítima feita à Polícia Civil, o ataque foi ordenado por um grupo de milicianos que quer se apropriar, de forma indevida, de uma área da União.

    "Ali não era área de preservação. Há interesses de duas empresas que querem atuar sozinhas na pesca esportiva na região. Nós não estávamos com intuito nenhum de comercialização", explicou. 

    A vítima e os amigos ainda receberam diversas ameaças. "A todo o momento falavam que iriam nos saquear e incendiar nossa embarcação, caso não saíssemos dali". 

    Rezende esclareceu, ainda, que no primeiro momento obedeceu às ordens dos suspeitos. Minutos depois, ele tentou obter um novo diálogo, mas novamente foi intimidado. 

    Em depoimento à polícia, a vítima disse que  “Bacural” e “Maria” deram um "segundo alerta" e de forma agressiva expulsaram os pescadores novamente da área. Os suspeitos alegaram que os "patrões" haviam adquirido a área através de ordem de um homem identificado apenas como "Juliano", além do Instituto de Proteção Ambiental do Amazonas (Ipaam) e do Ministério Público do Estado (MPE-AM).

    Ainda conforme o depoimento da vítima, no momento em que decidiram deixar a localidade, os pescadores foram surpreendidos pelos suspeitos que tentaram roubá-los. Quando tentou fugir, Rezende foi surpreendido com o disparo no ombro. 

    Adepto da pesca esportiva há mais de 10 anos, a vítima contou ao Em Tempo que nunca vivenciou uma situação daquela. "Não é normal uma pessoa ir pescar, se divertir e ser recebida a bala. É uma coisa surreal, você planeja um lazer e se depara com milicianos e acaba expulso com tiros", disse. 

    Rezende foi socorrido por um amigo médico que estava na viagem. Ele recebeu os primeiros socorros ainda na embarcação e depois foi levado para uma unidade de saúde no município. No domingo (26), quando retornaram a Manaus, eles registraram um Boletim de Ocorrência (BO) no 19° Distrito Integrado de Polícia (DIP). 

    Desabafo

    "Espero que os órgãos competentes tomem providência porque isso já vem se tornando uma prática rotineira. Isso não só no Rio Abacaxi, mas também em outras regiões. Pessoas estão se apropriando de áreas de pesca e explorando de forma comercial e exclusiva. Sabemos que exitem áreas protegidas e respeitamos. Só que nessas ocasiões estão tirando o direito de ir e vir nos rios", desabafou a vítima. 

    A reportagem aguarda um posicionamento do Ipaam e MPE-AM. 

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