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    Preservação e polêmica


    Vídeo: Plínio Valério critica celebridades sobre a Amazônia

    Senador criticou celebridades internacionais que se preocuparam com as queimadas na Amazônia. O parlamentar é o autor da CPI que investigará as ONGs instaladas na região

    Plínio tem votado contra e a favor do Governo Federal nas matérias do Senado | Foto: Janailton Falcão

    Manaus - Enquanto o mundo inteiro mostra, até com certa histeria, preocupação com as queimadas na Amazônia - que tiveram seu ápice no último mês de agosto -, o senador Plínio Valério (PSDB-AM) se tornou uma voz destoante ao discurso comum sobre o tema. Sem deixar a preocupação com a preservação da região de lado, o parlamentar tem afirmado reiteradamente que os amazônidas sabem cuidar do que é seu muito melhor do que qualquer outro povo do mundo, e que os focos de calor, sobretudo no Amazonas, são comuns para época.

    O tucano, eleito no ano passado para sua primeira experiência em Brasília, mostra destemor ao subir na tribuna e não se preocupa com polemicas, tanto que chegou a criticar celebridades internacionais do calibre de Leonardo Di Caprio, Madonna e Gisele Bündchen por se “meterem” em temas que desconhecem.

    “Essas celebridades adoram se posicionar sobre o politicamente correto, só que não procuram se informar. Pensam que a Amazônia é uma imensa floresta que tem que ser preservada e ponto. Esquecem que embaixo dessa floresta existem mais de 20 milhões de seres humanos, o que comprova que estão jogando para plateia. Quando falo em histeria, é porque dão a entender que a Amazônia está pegando fogo, o que não é verdade”, diz.

    O parlamentar tem afirmado reiteradamente que os amazônidas sabem cuidar do que é seu muito melhor do que qualquer outro povo do mundo
    O parlamentar tem afirmado reiteradamente que os amazônidas sabem cuidar do que é seu muito melhor do que qualquer outro povo do mundo | Foto: Janailton falcão

    Autodeclarado independente, Plínio tem votado contra e a favor do Governo Federal nas matérias deliberadas no plenário do senado. No entanto, compactua com a ideia do presidente Jair Bolsonaro (PSL) sobre a exploração sustentável do recursos naturais da Floresta Amazônica. Ele tornou quase que um mantra em seus discursos a frase de que o caboclo “pisa na riqueza e dorme no relento”.

    “É preciso políticas públicas que permitam o indígena ter acesso ao que tem de direito. Exploração mineral sim, por que não? Hoje há tecnologia que permite explorar sem depredar. Muitos indígenas me procuram e pedem ajuda no sentido de que eles possam participar dessa exploração, principalmente na geração de renda. Isso também pode agregar valor aos seus artesanatos com a inclusão de pedras semipreciosas. Enfim, eles devem usufruir da riqueza que há em terras indígenas de formal econômica racional e sustentável”, avalia.

    CPI das ONGs

    Plínio Valério aproveitou o imbróglio envolvendo repasses de países europeus para o Fundo Amazônia, para propor e aprovar o requerimento de instalação de uma Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) que analisará a atuação das ONGs na região. O foco será a liberação de recursos públicos para instituições que atuam na região, a utilização desse dinheiro, além do desvirtuamento das ações das ONGs, com suspeitas, inclusive, de operarem contra os interesses nacionais.

    “A intenção não é demonizar nem estigmatizar as ONGs. Existem muitas que realmente fazem um bom trabalho, mas existem centenas de outras que se aproveitam do apelo que a Amazônia desperta e arrecadam muito dinheiro para pouca ação”, destaca.

    O senador revela que há denúncias de que muitas organizações gastam 80% do que recebem entre seus diretores, como no caso da Imazon, que está sendo investigada pelo Tribunal de Contas da União (TCU) por ter recebido R$ 14,2 milhões para implantar um projeto na Amazônia, e destinar R$ 12,4 milhões do montante para o pagamento de seus próprios integrantes.

    “Só a rubrica da consultoria levou R$ 3,7 milhões. A Imazon faturou R$ 36,6 milhões em três contratos com o Fundo Amazônia e o BNDES liberou dinheiro sem prestação de contas. Entre os gastos, R$ 9,7 milhões destinaram-se a ‘contribuir para a mobilização de atores locais’. Quando eles falam isto, é pegar a comunidade para ensinar a quebrar o coco do babaçu, para ensinar a fazer farinha. Eles pegam algumas famílias, fazem aqueles filmetes e propagam mundo afora, recolhendo cada vez mais dinheiro, ou seja, enganando sempre aqueles que doam dinheiro, bem intencionados, e enganando aqueles que estão na ponta, que deveriam ser os beneficiários e não são”, diz.

    Críticas a Macron

    Fazendo coro ao presidente Jair Bolsonaro, o senador Plínio Valério também elevou o tom na direção do presidente da França, Emmanuel Macron, que publicou fotos antigas das queimadas na região e empreendeu a narrativa de internacionalização da Amazônia, com o discurso de que “a Amazônia é do mundo”.

    “É uma declaração irresponsável, mas que revela o desejo antigo pela Amazônia. Seria o mesmo que eu afirmar por exemplo que a Torre Eiffel é nossa. A Amazônia é dos brasileiros e haveremos de cuidar dela com o respeito que merece”, diz ao lembrar que o rei da Noruega esteve sigilosamente no Brasil, onde passou quatro dias numa comunidade ianomâmi, numa clara indicação de que há interesses escusos dos europeus na Amazônia.

    “Imagina o seguinte: se um rei consegue se manter anônimo na Amazônia, imagina os malfeitores? Calcula o que tem de estrangeiro enfiado nas matas fazendo estripulias”, analisa.

    Assista à reportagem da TV Em Tempo:

    Assista a reportagem | Autor: Débora Martins/ TV Em Tempo