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    Declaração


    Wilson Lima escolherá o prefeito de Manaus , afirma Bolsonaro

    Na sua passagem por Manaus, o presidente disse que não pretende interferir nas eleições

    Bolsonaro e Wilson durante a Feira de Sustentabilidade do Polo Industrial de Manaus (FesPIM)
    Bolsonaro e Wilson durante a Feira de Sustentabilidade do Polo Industrial de Manaus (FesPIM) | Foto: Marcos Correa/PR

    Manaus - O presidente Jair Bolsonaro (sem partido) fez duas declarações, na manhã desta quarta-feira (27), que, no mínimo, jogam um banho de água fria no seu ministro da Economia, Paulo Guedes, que tem patrocinado discursos contrários à Zona Franca de Manaus (ZFM) e nos aliados que esperam o seu apadrinhamento para a disputa pela Prefeitura de Manaus, na eleição de 2020. As afirmações ocorreram durante a abertura da primeira edição da Feira de Sustentabilidade do Polo Industrial de Manaus (FesPIM), no Centro de Convenções do Studio 5.

    No ambiente rodeado de empresários, Bolsonaro elogiou o modelo econômico e disse que ele tem garantido o fortalecimento da economia local, aliado ao compromisso do país de manter a floresta preservada. Disse ainda que, para a Superintendência da Zona Franca de Manaus (Suframa), assim como fez com os seus ministros, fez uma escolha técnica de governo. “E é por isso que o país vem dando certo e a economia vem se recuperando. Nunca tivemos uma taxa de juros tão baixa”, destacou. “A Zona Franca é um símbolo e, enquanto ela existir, a Amazônia é do Brasil”, completou o presidente.

    Já fora do ambiente dos empresários, em coletiva de imprensa, Bolsonaro declarou que não pretende interferir nas eleições para a Prefeitura de Manaus, no ano que vem. Se combinada, a fala dele não deve abalar, mas ao menos preocupa aliados como o titular da Suframa, coronel Alfredo Menezes, o presidente do Conselho de Desenvolvimento Econômico, Sustentável e Estratégico de Manaus (Codese - Manaus), Romero Reis (Novo), e os deputados federais Delegado Pablo Oliva (PSL), Capitão Alberto Neto e Silas Câmara, ambos do Republicanos.

    Ao ser perguntado se ele abraçaria alguma candidatura para a Prefeitura de Manaus, Bolsonaro não se mostrou interessado em participar desse processo, mas disse que quem deve fazer essa escolha é o governador Wilson Lima (PSC). “Se o meu partido for formado até março (de 2020) nós vamos ter (candidatos) em alguns locais. Não sei quantos. Pois não queremos quantidade e sim qualidade. Os maiores interessados nas prefeituras são os políticos locais. Não pretendo interferir nessa questão”, disse o presidente.

    Bolsonaro teceu elogios ao governador do Amazonas e ainda disse a ele para fazer a reforma da previdência estadual
    Bolsonaro teceu elogios ao governador do Amazonas e ainda disse a ele para fazer a reforma da previdência estadual | Foto: Marcos Correa/PR

    Assinaturas

    Quando Bolsonaro se dá o prazo de conseguir viabilizar o partido Aliança pelo Brasil até o mês de março do ano que vem, é pelo fato de ele conseguir articular para juntar o total de 492 mil assinaturas para o registro oficial da legenda. Diante da difícil missão, os advogados de Bolsonaro devem protocolar no Tribunal Superior Eleitoral (TSE) um pedido de autorização formal para usarem o sistema de biometria nessa coleta.

    Nos bastidores, comentou-se, mas não foi confirmado, que a primeira agenda do presidente da República em Manaus, na noite de terça-feira (27), quando ele participou junto a dezenas de aliados, de um culto no auditório Canaã, da Igreja Evangélica Assembleia de Deus no Amazonas (Ieadam), localizado no bairro Japiim, zona Centro-Sul de Manaus, era uma estratégia para coleta de assinaturas para a fundação do partido.

    Previdência

    Durante a abertura da feira, Bolsonaro chegou a dizer ao governador do Amazonas, Wilson Lima (PSC), que o Governo do Amazonas deve fazer a reforma da previdência estadual, a exemplo da reforma que foi feita pelo Governo e aprovada pelo Congresso Nacional. Ao dizer que sabe que os números do Amazonas não estão tão saudáveis, o presidente classificou a previdência do Governo Federal como uma “quimioterapia”, que aumentou o tempo de serviço, a contribuição e disse que os Estados têm que fazer as suas.

    “O Estado do Amazonas, pelo que eu sei, os seus números, não estão tão saudáveis assim, e o Governo Federal também não estava. R$ 1,2 bilhão de déficit, como o governador falou. Então, ou faz a reforma, ou o Estado vai quebrar, e nós devemos antecipar o problema. Então, parabéns à sua iniciativa [Wilson Lima], espero que a Assembleia Legislativa se conscientize disso e realmente vote, porque, afinal de contas eu, o senhor e os deputados estaduais e federais não podemos só esperar aplauso da população. De vez em quando, uma medida amarga tem que ser tomada para evitar que o choro não aconteça lá na frente”, disse o presidente Jair Bolsonaro.