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    Eleições 2020


    Candidaturas femininas no AM: muito além da cota obrigatória de 30%

    As mulheres, apesar de serem a maioria no Brasil, ainda não conseguem superar a desigualdade na política, mas, desta vez, o pleito municipal pode representar uma virada feminina

    | Foto: Divulgação - Parlamento Feminista do Brasil

    Manaus – A busca pela maior adesão feminina ao pleito municipal deste ano, movimenta duas correntes de articulações. A primeira é das legendas partidárias, que buscam cumprir os percentuais obrigatórios da inclusão de filiadas, e a segunda, diz respeito às pré-candidatas, que buscam a representatividade em cargos eletivos e a validação da opinião feminina nas principais decisões da sociedade.  

    Para o cientista político Jackson Serafim, a abertura para a participação feminina nas eleições é um movimento muito recente, pois o mundo ainda estaria aprendendo a respeitar as mulheres, incluindo politicamente. “Esse processo acontece de forma muito lenta e desleal, são aproximadamente 80 anos desde que as mulheres foram autorizadas a votar. São 80 anos, versus séculos e séculos de uma cultura política e social totalmente masculina. Desde lá, não passamos da média de 10% a 15% de representação”, comentou inicialmente.

    “Eunice Michiles, a primeira senadora do Brasil, sequer encontrou banheiro feminino no recém-inaugurado Congresso Nacional em Brasília. E esse fenômeno vergonhoso de pouco espaço para as mulheres na política transcende as fronteiras. Nos EUA, com 51% do eleitorado de mulheres também, a média é de 23% de participação. Isto é tão nocivo, que somente nos últimos anos, temas como assédio, direitos sobre maternidade no ambiente de trabalho e violência doméstica puderam ser debatidos”, pondera Serafim.

    Para Jackson, essa cultura que repele a participação da mulher começa na base. ”São raríssimos os casos de partidos políticos presididos por mulheres. Elas até querem participar, mas são tolidas na raiz, na base. E contra esse tipo de ’costume’ só há um caminho: as leis. Sou favorável que 50% das vagas nos legislativos sejam destinados às mulheres. Isto sem dúvidas abriria espaço não apenas para a participação feminina, como para a ampliação de debates sobre assuntos ocultos ou desconhecidos pelas vozes masculinas”, concluiu.

    Maioria, mas nem tanto

    O Tribunal Superior Eleitoral (TSE), impôs o fim das coligações partidárias nas eleições proporcionais para Câmara Municipal. Dessa forma, forçou os partidos políticos a indicar mais nomes para concorrência e repensar os 30% de candidaturas femininas, para dessa vez alocar também os novos 30% de recursos do Fundo Eleitoral (FE), destinados às campanhas das filiadas.

    Segundo dados do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) e do TSE, as mulheres são a maioria da população do País com 51,7% e seguem como a maioria no eleitorado brasileiro. Com um crescimento do número de eleitoras a cada pleito, em 2016 as mulheres correspondiam a 52,21% dos votantes e em 2018, chegaram a alcançar o patamar de 52,50%. No Amazonas, a maioria também é delas: Quase 1,25 milhões de eleitoras decidem os rumos políticos no Estado.

    No entanto, essa maioria não reflete a realidade feminina nos cargos eletivos. No pleito municipal de 2016 apenas 13,43% de mulheres detinham um mandato, já nas eleições de 2018 o percentual obteve aumento tímido, chegando a 16,11% de eleitas.

    Incentivo

    O levantamento dos percentuais de participação foi realizado pelo TSE, que também incentiva a inserção da mulher por meio de campanhas. “Quando uma mulher tem voz ativa, ela incentiva outras a falarem também. Quando uma mulher lidera, ela incentiva outras a liderarem também. Quando uma mulher ocupa um cargo público, ela incentiva outras a ocuparem também”, diz a mensagem das peças.

    Para a assessora-chefe de Comunicação do TSE, Ana Cristina Rosa, a campanha traduz uma necessidade de ampliar cada vez mais os espaços ocupados por mulheres, em busca de uma sociedade mais justa e igualitária. “Decidimos fazer uma campanha baseada na linha do exemplo na expectativa não só de estimular a participação feminina na política, mas também para lembrar que o que é feito por cada uma de nós serve de modelo e pode se tornar um ideal a ser alcançado por outras mulheres”, afirma.

    Candidaturas laranjas

    O Tribunal Superior Eleitoral (TSE) divulgou em 2016 dados que apontavam suspeitas de fraude em cerca de 16 mil candidaturas municipais em todo Brasil. Esses “candidatos” participaram dos pleitos sem receber nenhum voto, nem mesmo o próprio. Cerca de 14 mil candidaturas femininas estão envolvidas nestas fraudes, o número alarmante representa 88% no total.